Monção de repúdio

26/01/2012

Em cerimônia na capital paulista, reduto (ninho maior) do tucanato, artista premiados repelem veementemente os últimos atos patrocinados pela cúpula executiva do Estado bandeirante. Ao receber o prêmio, um dos condecorados em consonância com a sua categoria ler, em boa oportunidade, a monção de repúdio dos Trabalhadores da Cultura contra as enumeradas ações a seguir:

1. A invasão na USP;

2. A “higienização” da cracolândia;

3. A reintegração de posse de Pinheirinho ( São José dos Campos).

Assistam ao vídeo e boa sorte!

 

O Haiti e a missão da ONU

25/01/2012

Caros, segue abaixo, um vídeo, inicialmente publicado no sítio dedicado ao jornalismo investigativo das excelentes Natália Viana e Marina Amaral, ambas com respeitáveis serviços prestados ao Brasil e a este usurpado campo democrático que denominamos de imprensa. O vídeo retrata a interferência estadunidense e os seus braços sentados numa política excludente e reducionista, que por variadas veredas, imprimem o seu domínio econômico/bélico através da sua política internacional, de sugar as riquezas nacionais em detrimento das garantias individuais e coletivas necessárias ao desenpenho mínimo permitido do exercício de viver.

 

Direitos Humanos, o que são?

29/12/2011

Surpresa

15/08/2011

Navegando na net encontrei, especificamente no sítio youtube, uma banda fantástica e mais engraçado é o seu nome e ainda mais entusiasmente é a sua música. Vejam e me fale alguma coisa. Irei pesquisar a respeito e em breve postarei algum comentário mais apurado.

 

Vídeo

15/08/2011

Sonho impossível

22/07/2011

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Sonho Impossível

06/07/2011

Belíssimo texto de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra. Veja um motivo que a poesia nos dar para lutar contra a inércia. 

 

Exemplos do que acontece em Natal

18/02/2011

Caros, depois de uma longa hibernada, o velho urso, como é de costume, volta a presenteá-los com o melhor do que é produzido em Natal, Rio Grande do Norte, em termos de arte musical. Certamente alguns de vocês devem ter ciência dos personagem que ora apresento, a estes perdão pela issistência, mas a mim e aos demais, darei a possibilidade de redundância sempre que o conteúdo a ser “descortinado” seja relevante ao paladar dos nossos mais escondidos e ocultos segredos. Trouxe aos fiéis seguidores deste “caderno de anotações”, três exemplos da melhor cepa potiguar, artistas novos, porém não tão, mais ainda desconhecidos de uma significante parcela da sociedade que aprecia, sem moderação alguma, o melhor da arte musical.

Notem a qualidade vocal de Simona Talma, esta moça tem um desespero límpido. Fantástica!

No segundo vídeo nos deparamos com Luiz Gadelha, excelente cantor e exímio compositor, suas canções tem traços que as tornam familiar, esta canção do vídeo, “convencional”, é perfeita.

Rosa de Pedra é a melhor novidade dos últimos dez anos em Natal, um grupo soberbo e alvissareiro. Sublime! Músicos tecnicamente muito bons e uma presença de palco extraordinária.

Lambusem-se.

Bela entrevista do Prof.º Jessé de Souza

26/01/2011

O Prof.º Jessé de souza concedeu esta bela entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos. Confiram!

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_entrevistas&Itemid=29&task=entrevista&id=40127

Sensacional!!!!

19/01/2011

3 em 1

12/01/2011

Amigos acabo de ler essas duas entrevistas e este excelente artigo do Profº Muniz Sodré, sim, as entrevsitas são do Noam Chomsky e do jurista Stefano Rodotá. Muito bom!!!

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=39814

http://www.substantivoplural.com.br/%E2%80%9Ca-italia-e-o-laboratorio-do-totalitarismo-moderno%E2%80%9D/#more-25958

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=624JDB001

Ego

30/12/2010

Um excelente artigo, Talvez esclareça as cabeças mais apaixonadas pelo “O Príncipe”.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4865593-EI8425,00-Pequeno+balanco.html

William Eloy

24/12/2010

Natal

 

A cidade, garbosa, tece seus ardis de neon

Engabelando olhares incautos

Eu,

Eu quero a promessa dos sorrisos de outdoors

Um sapato caro.

O fluxo dos automóveis

Para onde os vão?

Tão apressados

Os homens.

E as calçadas

Tão cheia de pés,

De lixo

Procuro meu lugar

Por pequeno que seja

Estendo a minha mão

Oh, Cristo!

Sou um rei mendigo

Nada vos oferto

(Mas haverá de entender que é um muito!)

Vós, que como a fênix, ressurge calcinado em teus ossos

deus-menino,onde estás?

Na Manjedoura

junto aos animais?

Ou andas de braços abertos

acolhedor como um amigo

Preso em um crucifixo?

 

Qual tua estrela?

Tua senda?

Mas a cidade, garbosa, tece seus ardis de neon

E te anunciam as vitrines

E me confunde a cabeça…

 

Julian Assange – O Delator

22/12/2010

Estarrecedor! Em mim reforça a tese de que os conflitos e dominações existentes no mundo são os meios para torna-se absoluto.

Rousseau

20/12/2010

A pluralidade em Rousseau é nítida, não há contrastes evidentes em seu pensamento iluminista. Suas divagações percorrem firmemente campos como: a passagem do estado de natureza ao estado civil, momento em que o homem legitima a liberdade moral por meio da servidão representativa, pratica-se o exercício da soberania na seara da política com a problemática da escravidão e o surgimento da propriedade.

Em um momento de catarse, d purificação, o homem busca a redenção dentro do que Rousseau chama de estado civil ou estado de obediência legal. O Estado aparece como um órgão regulamentador de condutas diante do que intitulou de Contrato Social, nas quais, os assim chamados de “associados” abdicavam dos seus direitos em proveito da vida em grupo. Este modelo tem por finalidade reger um determinado grupo social através de um conjunto normativo, não uma parte ou retalhos da sociedade, mais o todo, a unidade, que por consenso fará deste anseio político/jurídico a lei máxima destinada a dar soberania ao Estado instituído.

A humanidade tornou-se impura com os avanços científicos e artísticos do homem, porém, estas duas incidências “maléficas” são as únicas capazes de, lentamente, impedir o avanço desta indomável capacidade criativa d organizar-se em aglomerados, que mais tarde ceifará, extinguirá a liberdade natural em vistas de uma liberdade civil. Como diz o próprio Rousseau:

“O homem nasce livre e por toda parte encontra-se aprisionado. O que se crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escrevo do que eles: como se deve esta transformação? Eu ignoro: o que poderá legitimá-la? Creio poder esta transformação”. (Livro I, capítulo I, Do Contrato Social)

A usurpação diária feita ao Soberano demonstra a vontade de um seleto grupo frente ao princípio da inviolabilidade. A unidade proposta por Rousseau na figura do Estado soberano, logo Poder do Povo, distancia-se cada vez mais do ideário tão decantado da soberania.

Nos dias atuais o modelo de representação sobrepõe a vontade da maioria. O vício corrói os ferros que sustentam os alicerces do Estado moderno, as normas que destinavam-se a todos conduzir, perdeu seu imperativo, sua força, em face dos interesses escusos que maculam e enojam a República. Entretanto, como lição rousseaunina, é com esta instituição que os homens buscarão reinventar-se, reorganizar-se, reaprender-se… como cita Milton Meira do Nascimento em sua apresentação: “A verdadeira filosofia é a virtude, esta ciência sublime das almas simples, cujos princípios estão gravados em todos os corações. Para se conhecer as suas leis basta voltar-se para si mesmo e ouvir a voz da consciência no silêncio das paixões”. A busca é permanente, e talvez utópica, mais uma significativa conquista será obtida quando a democracia, não a representativa, e sim participativa fizer ecoar as vozes abafadas da sociedade subterrânea.

Excepcional!!!

13/12/2010

Fábula Ferida

(Augusto Jatobá)

Saquarema, siriema
Levantando o dilema
Ave-pássaro-cidade
Construindo problemas
Riso que me invade
De feliz sinto pena
Minha fábula ferida foi
Pelas feras da arena
Minha vaidade
Fora deste sistema
Só lá floram
Lírios doutro poema
E eu só de saudade e sede
Aqui pela cidade
Corro pelos quatro cantos
Canto felicidade
Tarde que me arde
Traga noite serena
Quando a madrugada tarda
Vem revogar nossas penas
Só uma verdade
Ameniza esse drama
Cara a cara quando a cura é divina
Abro a boca pelo mundo
Quero água
Saciar minha sede
Tenho mágoa
Peixe não fica na rede
Que rebenta
Tempo não tem mais idade
Resta um resto de esperança
Se desprendeu do ar
Rosto antigo de criança
Novamente que virá

Miguel Nicolelis – EXCELENTE!!!

28/10/2010

Sem comentários. Esclarecedor.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/miguel-nicolelis-uma-coisa-estranha-aconteceu-em-natal.html

Por que voto em Serra

27/10/2010

15 minutos por William Eloy

18/10/2010

15 MINUTOS

Os dias os sei a éter

Céus de chuvas ácidas

Tempo de escassas palavras

Meus passos desfazem caminhos;

Futuro insondável,

Eis me aqui:

Homem sem espantos

Na sola de meus sapatos gastos, jaz o pó de meus anos

O pó

Do qual se fizeram os homens e as horas

De Bagdá ardendo em chamas, democrática

Partícula de estrela, de firmamento,

Nuvem levada ao vento

Qual flor

Qual vela

Mas faço uso da palavra abreviada

Fibra óptica

Mais rápida (onde os braços levariam os remos)

Mais rápida (onde os ventos levariam as velas)

Mais que o traçado das trilhas imaginadas

Percorro ruas, avenidas

Rápido, qual destroçar de músculos e nervos de Bagdá em chamas

Qual a contagem dos corpos

Mais que o poema

Trazendo democracia

Reality Shows,Cristianismo,moeda única

comunhão

Um trejeito americano, um charme europeu à face cabocla, semita,

da miséria pagã mestiça

….

Nas ondas de rádio, de tv

Informam:

Corpos mutilados

Na sala de jantar

Sangue judeu

Ao café das seis

Ao seio familiar

Informam:

Princípio de tempestade

De desastre

De causas naturais

Na costa da Ásia

Informam:

Princípio  de rebelião

Escândalos e fraudes

Casamentos desfeitos

Rosto perfeitos

Vendendo felicidade,

gordura,

corante

A preços cômodos

Ao alcance da mão

Nas capa de revistas, um sorriso que não é o meu

Faço uma digestão rápida de tudo isso

Fast food

Batatas fritas

Como pedem os dias

Os dias

Esporrentos, aspergidos

Gozo e melancolia

Prazer imediato

Sem contemplação

E o ar torna-se “raro efeito”

Chumbo

Mercúrio

E minhas mão tremem com um desejo sociopata, suicida

De estrangulamento

Vislumbrando sondas em Marte

Nos dias de sol

Quando o suor cinge-me às costas e coroa-me a fronte

E vejo um céu

Não mais que um céu…

O Riso

15/10/2010

Mais uma vez o Profº Muniz Sodré nos premia com um belíssimo e questionador artigo. Sua análise é fruto de um brasileiro descontente com os subterrâneos que insistem em vigora na Terra Brasilis. Leiam:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd101020011.htm

Literatura

17/08/2010

Gentilmente cedido por seu autor William Elói, o conto “O Contrato” estará na galeria dos históricos deste desconhecido caderno de anotações eletrônicas. Para mim, que organizo as publicações desse mural, um misto de gratidão e entusiasmo preenche-me ao saber que a produção do citado literato, por um instante petrificado em minha memória, foi pauta deste tímido informativo. Degustem a prosa do poeta. Divirtam-se.

Obs.: O conto ganha a sua versão, que suponho ser a definitiva (rs) dada pelo o autor.

 O  CONTRATO

      O dotô Lázaro de Jesus era um homem de sorte. Não contava mais do que vinte anos quando há trinta anos ele e Belarmino, seu compadre, descobriram um veio de ouro no nordeste. Não é difícil de se imaginar como tamanha fortuna tenha mudado radicalmente a vida do outrora  humilde homem do campo,de baixa escolaridade,filho de uma família numerosa e que guardava pouca ou nenhuma perspectivas da vida para si.Não mais,nem menos, do que foi a vida para seu pai ,Antônio Lázaro,e o de que teria sido para seu avó,”Chico da cabrocha”.O dotô Lázaro,assim gostava de ser chamado,apesar de que seu português se estendia um pouco além de seu nome, olhava por trás de sua mesa de granito ,por trás dos vidros de suas janelas  e suas persianas,seu passado, e assim tentava entender seu futuro.Viu  seu peito abrir e o sangue lhe escapar outra vez, quando Belarmino (Nunca soubera ao certo, se por ganância na partilha do ouro,ou por um boato  que corria à época,de que estava tendo um caso com a mulher dele)lhe desferiu o primeiro golpe de punhal.Viu os olhos aturdidos dos frequentadores do bar de seu maneco,as pernas das mesas rodopiarem ao ar,no meio do salão,os prato e os copos se partirem junto aos gritos,quando, naquele momento, estando cego e surdo para salvar a sua própria pele,agarrado ao  compadre,segurando-o pelas mãos sujas de sangue,enterrava a adaga que seria para si no peito de seu adversário. Passou uma semana até que fosse solto. Legítima defesa alegou seu advogado. Belarmino deixou a mulher e um filho, que nunca mais os viu. Tentaram por vezes, a princípio, pegar o que era de direito do finado, mas sem muito sucesso. Foram pra bem longe. Região norte,ouviu dizer.A viuvinha virô “puta”.O menino também se perdeu por aí…a quem dissesse que fosse  filho seu …

      O dotô Lázaro era homem vaidoso. E hoje era um dia especial. Cedo, após os primeiros anos de sua vida afortunada, descobriu todas as benesses que o dinheiro podia oferecer assim como suas extravagâncias. Gostava de ostentar isso. Carros luxuosos, perfumes franceses, roupas de fino corte, fazendas de gado com seus milhares de hectares, whiskys importados, e mulheres..mulheres e mulheres…sempre as mais belas.De preferências as que fossem capas de revista ou “Miss qualquer coisa”.Sempre disposto a cobrir qualquer que fossem seus “mimos”,desde até “onde” elas estivessem dispostas a lhe oferecer.

Sim, hoje era um dia especial. Colocou seu melhor terno e sapato. Gastou seu melhor perfume. Mas hoje o dotô não ia encontrar nenhum rosto conhecido. Alguém que vira mesmo antes em capa de revista ou em televisão. O dinheiro lhe deu muita coisa, certamente, contudo não lhe deu tanto refinamento, como queriam sua esposa e seus filhos.

A incontinência urinária já lhe importunava há certo tempo, assim como uma “tontura e uns escurecimento de vista”. Porém, nunca fez o tal exame de próstata. Nunca deixaria homem algum enfiar-lhe o dedo no cu. Não nascera para isso.  E indo ao ir ao médico, no que deveria ser um exame de rotina, descobrira ser portador de câncer, em estado avançado, como foi Antônio Lázaro, seu pai, e Chico da cabrocha, seu avô.

Dispensou os melhores médicos de que o dinheiro poderia dispor e os tratamentos indicados, como quimioterapia, apesar do apelo de sua família. Não era de sua natureza passar por isso.Temente a Deus como era não teria coragem para tirar a própria vida, muito embora não tivesse hesitado de tirar a vida de outro quando a sua é quem estava em risco. Tinha medo da danação eterna, agora mais do que nunca, por tudo que tinha feito.

 Pelas redondezas da região não raro podia se escutar a história de que o dotô Lázaro de Jesus tinha vendido a alma ao  “coisa ruim”,e ficado rico.O doutor Lázaro,lembrando talvez disso, esboçou um sorriso na solidão da sua sala, que agora estava maior do que o de costume,-É,talvez  agora “ele”venha me buscar,pensou consigo mesmo.

 Zé Maria seu capataz-afilhado, tinha-o em alta conta.  Confiava mais nele do que a qualquer outro funcionário seu, ou mesmo a qualquer um de seus filhos,e por isso não pensou duas vezes a falar-lhe de seu plano;o de pagar um assassino de aluguel para tirar-lhe a própria vida.Deveria ser algo discreto,sem muito alarde,e sua morte deveria rápida,de modo que não ficasse tão desfigurado para o enterro.Apenas um tiro.No máximo dois,na altura do peito.Colecionara alguns desafetos ao longo de sua vida. Esteve metido também com política. O álibi não seria problema. Ou poderiam simular simplesmente um latrocínio. Zé Maria tentou usar de todo o seu argumento para que seu padrinho desistisse de tal desatino. Em vão. Ele estava feito pedra em sua idéia. Por outro lado pensava baixinho Zé Maria com seus botões “Se é para agonizar em um leito de Hospital, melhor que seja assim!” Admirando-lhe mais a grandeza de espírito de seu padrinho.

Lá longe das serras, a meia noite, perto de uma encruzilhada em uma ferrovia abandonada, existe um homem que faz esse tipo de serviço. O de morte matada, por encomenda, tomou nota Zé Maria com  alguns de seus contatos no povoado. E assim foi ter com “ele” Zé Maria. Como lhe disseram, a meia-noite o encontrou. Sozinho na encruzilhada. Um tipo distinto, bem aparentado, que lhe lembrou, de alguma forma estranha, seu padrinho. Tinha consigo uma maleta de couro preta. Rapidamente apertaram-se as mãos  , tiraram seus chapeis, cumprimentado-se um ao outro, contudo, sem que  mencionassem os nomes.

Zé Maria disse-lhe de como seria o serviço, para o que e de que forma. Ao final, coisa doida se sucedeu que lhe deu calafrios. Disse-lhe “ele” -  Homem que é homem lavra seu nome com sangue- e pediu que Zé Maria pinga-se uma gota do sangue de seu dedo, cortado a faca, sobre um papel que guardava dentro da maleta.Seu contrato.Era assim que acertava seus crimes.Esse,mesmo assustado com  tal pedido,assim o fez.Quanto do acerto do pagamento “ele” retrucou-Pode deixar.Faz trinta anos que espero por isso;que estou em seu rastro.Faço isso de graça!Daqui a sete dias, diga a ele, que vou visitá-lo. Vou dar tempo pra ele se despedir de quem ele quiser e fazer o que ainda tem vontade de fazer. Diga a ele que a meia-noite de hoje a sete dias estarei  lá.Zé Maria não entendeu muito aquilo.Ficou com uma pulga atrás da orelha,mas,de todo o modo, foi tão rápido quanto chegou,dizer ao seu padrinho do contrato firmado de morte.”Sete dias” para fazer o que quisesse.Então a sua morte chegaria,sem nome e sem rosto,mais com dia e hora marcada.

Dona Francisca de Jesus, a respeitosa esposa do “dotô”, também conhecida como dona “Chica”, tava que era só tristeza. Mas também era fé. Fé  inabalável.Sempre de rosário na mão,ia as missas todos os dias,confessava uma vez a cada seis meses. Tão logo soube da gravidade da doença do marido, e da  sua recusa em fazer o tratamento médico adequado,apegou-se mais do que nunca a nossa Senhora santíssima e a são Judas Tadeu,santo das causas impossíveis.Fez  promessa em nome de seu marido.Sacrificaria dez cabeças de gado para doar ao  povo miserável da região ,uma vez ao ano na festa da padroeira.

O “dotô” achou a idéia absurda. Pior até mesmo que a sua. Mas, como lhe restava pouco tempo de vida,não queria arenga.Deixou a mulher agir com melhor lhe conviesse isso;pra se alegrar.Ele Já não tinha estímulo para muita coisa mesmo.

Nos dias que precederam “o dia”,O dotô fez tudo que podia e o que não podia.Sua família não tentou lhe impor regras ou limites.Na verdade nunca conseguiram.E não ia ser agora,a beira de sua morte que iriam lhe negar, em seus últimos dias, toda sorte de vícios  e prazeres mundanos.Dona Chica lhe pediu apenas que antes de partir,quando já estivesse muito ruim,fosse se confessar, arrependendo-se de todo o mal que tenha feito.

Ao finalzinho da tarde, do sétimo e último dia ao qual espirava-lhe a vida,segundo cláusula irrevogável, testemunhada e assinada com sangue no contrato,foi o dotô confessar-se ao pároco da comuniddade,padre Expedito.Este geralmente não atendia em tal horário,mas abriu uma exceção,diante de ilustre visita.Muitos eram os pecados do dotô,mas nada incomum para um homem.Porém, um pecado em especial deixou o velho missionário de cabelo em pé, que  agora enxugava seus óculos com mão trêmula e o suor que corria-lhe na testa.

Passadas algumas longas horas na paróquia, depois de confessados todos seus pecados, e rezado tantas aves-marias, tantos pais nossos, e credos quanto lhe cabiam à alma, chegou por fim em sua empresa. Estava vazia. Deu um recesso de uma semana a todos os seus funcionários. Lentamente, observou cada detalhe de seu patrimônio, cada item de seu palácio. Lembrou de cada olhar de temor e respeito que caia sobre si, quando bastavam que seus pés seus tocasse o seu tapete vermelho todas as manhãs. Ou sentado em seu pequeno trono, com o destino de tantas vidas em suas mãos enrugadas, sob o peso de seus anéis, que compunham seus dedos, e de sua caneta de dourada aplicando sentenças…

Olhou para o relógio grande na parede em sua sala. Dez para meia noite. Sentou-se em sua cadeira. Dizem que próximo do fim temos um dejavú. Um pequeno filme se passa na cabeça. Toda uma vida em uma velocidade impressionante. Uma coisa, porém, chamou sua atenção após alguns minutos de reflexão. Em cima de sua mesa havia um documento com o endereço da clínica ao qual havia sido diagnosticado com câncer. Tinha o nome de “urgente” e a datava de uma semana. O que poderia ser tão urgente naquela altura em sua vida?De todo modo abriu o envelope que dizia “Prezado Sr. procurar a clínica x para novos exames.Ao que tudo indica houve um equívoco em seu diagnóstico que certamente..”O doutor Lázaro de Jesus era um homem de sorte.

Ouviu-se uma batida na porta.

O relógio indicava meia-noite.

Só pra relaxar

17/08/2010

Excelente

01/08/2010

Aprecie sem moderação. Essencial a leitura deste texto.

Manfred Max-Neef e Herman Daly: dois economistas alternativos  

Manfrede Max-Neef e Herman Daly são economistas comentados no artigo de Marcus Eduardo de Oliveira, publicado pelo EcoDebate, 18-06-2010.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor do Depto. de Economia da FAC-FITO e do Depto de Comércio Exterior do UNIFIEO (Centro Universitário FIEO). Mestre em Integração da América Latina (USP) e Especialista em Política Internacional (FESP),com especialização pela Universidad de La Habana – Cuba.

Eis o artigo.

A economia só faz sentido se for usada para atender as necessidades humanas. A economia precisa respeitar os limites físicos impostos pela natureza, até porque ela é um subsistema da bioesfera finita. Urge promover a conciliação entre a economia e o meio ambiente e extirpar o pensamento econômico tradicional que recomenda o crescimento econômico infinito e exponencial. Os agentes econômicos não são os donos da Terra, e sim seus hóspedes. Não podemos mais fingir que vivemos em um ecossistema ilimitado. O crescimento econômico permanente é impossível. Há espaço para certa irracionalidade econômica, em lugar de se pensar que todas as decisões são pautadas, exclusivamente, pela mais pura racionalidade. O eixo central da economia não pode ser estritamente o mercado e, o objeto, a mercadoria, mas, sim, o indivíduo e suas necessidades elementares.

Não basta fazer a economia crescer para acabar com a pobreza. Contra o desemprego não basta apenas só intensificar a demanda por bens e serviços, baixando os juros e estimulando investimentos. O ritmo econômico atual baseado na exploração desenfreada de recursos naturais e no super-consumo é insustentável. A práxis econômica deve ser buscada no sentido de ser solidária, participativa e coletiva, trocando, assim, o atual modelo econômico baseado na competição pelo de cooperação. O objetivo primordial da atividade econômica não deve ser a produção de riqueza, mas, sim, o bem-estar das pessoas.

Todas essas afirmações, sem exceção, sopram em ventos contrários à ordotoxia econômica. Tais argumentos ferem uma espécie de pensamento único que tem dominado, sobremaneira, o cenário acadêmico das ciências econômicas.

As afirmações que fizemos acima refutam, na essência, os manuais de introdução à economia que são largamente usados nos cursos universitários. Esses manuais insistem em defender uma economia hermeticamente padronizada, além de propagarem a prática do individualismo em economias centradas apenas, e, tão somente, na valorização de ganhos máximos. Pouco, quase nada, é expresso em termos da valorização do indivíduo, do respeito aos limites físicos e naturais e de uma economia voltada ao bem-estar coletivo.

É nesse sentido, da refutação consistente e bem alinhada, que os chamados economistas alternativos (aqueles que fogem, pois, do dito padrão tradicional e fazem o vento soprar em direção contrária) se apresentam e vão, aos poucos, ganhando mais espaço no cenário acadêmico.

Relacionando temas como economia e meio ambiente, economia comportamental (ou psicologia econômica), e os mais inusitados temas e situações do coditiano, alguns desses economistas já são, hoje, vistos como referência.

A economia ecológica

No que toca, em especial, as preocupações com o meio ambiente, desde os primeiros trabalhos acadêmicos sobre essa questão, na década de 1970, defendidos por Nicholas Georgescu-Roegen, principalmente com a publicação de The Entropy Law and the Economic Process, as preocupações com o meio ambiente tem sido trazidas à tona dentro da análise econômica. É verdade que não com a intensidade que se espera, dada a gravidade do problema em se pensar, de forma tradicional, que uma economia mais produtiva e mais abundante, em matéria de bens e serviços, será a solução de todos os males que afligem o mundo.

O fato é que os economistas alternativos, ou os ecologistas da economia, têm trabalhado intensamente para propagarem suas idéias em torno da conscientização de todos para os graves problemas e conseqüências que cercam o modo de produção da atualidade.

É, pois, na mesma linha de pensamento de Roegen que, infelizmente continua sendo ignorado pela comunidade acadêmica, como ignorado também continua o prêmio Nobel de Química, Frederick Soddy (1877-1956) – um dos precursores da economia ecológica -, que o professor da Universidade de Maryland, Herman Daly, vem fazendo críticas consistentes ao atual sistema que insiste em não olhar para a questão ambiental como se deve.

Daly tem insistido, veementemente, sobre a necessidade de levar em conta os efeitos da atividade econômica sobre os recursos naturais não renováveis.

O ponto básico do pensamento de H. Daly é a idéia daquilo que ele intitulou “crescimento deseconômico”, ou seja, aquele crescimento que, pela expansão da economia, afetou (e afeta) excessivamente o ecossistema circundante sacrificando o capital natural (peixes, minerais, a água, o solo, o ar…).

Daly salienta que uma vez ultrapassado a escala de crescimento ótimo, esse crescimento torna-se custoso e estúpido no curto prazo e impossível de ser mantido no longo. A prática maciça desse “crescimento deseconômico” tem um final já vaticinado: uma catástrofe ecológica que tende a reduzir sensivelmente o padrão de vida de todos os hóspedes do planeta Terra.

É nesse pormenor que a economia tradicional (a que consta dos manuais) peca de forma considerável, pois não reconhece, ou ignora, por exemplo, que a biosfera, além de ser finita, não cresce e é fechada.

É por ir contra essa economia tradicional que cerra os olhos para essa questão, que os trabalhos dos economistas alternativos vem ganhando corpo.

No entanto, ir contra o pensamento tradicional, enraizado por longa data, não é tarefa fácil. Essa dificuldade esbarra, em grande medida, no fato de que os ditos padrões estão, há muito, bem estabelecidos. Um desses padrões mais expostos, por exemplo, recomenda que o modelo de qualidade e felicidade (utilidade) de cada um está no acúmulo de bens materiais.

Para isso, a receita econômica é simples: basta fazer a economia produzir mais, afinal, um belo dia, esse crescimento excessivo chegará a nossas mãos em termos de mais produtos disponíveis no mercado de consumo. Será? É claro que não! Para tudo há algo que a tradicional teoria econômica não percebeu: existem limites.

Percebe-se, então, que para a teoria econômica convencional o que importa são mais produtos; portanto, deve-se buscar, a qualquer custo, aumentar a quantidade (crescimento). Essa teoria ortodoxa convencional não “entende” que quantidade (crescimento) não significa qualidade (desenvolvimento).

É pela qualidade, e não pela quantidade, que o economista chileno Manfred Max-Neef vem lutando, arduamente, para implantar novos modos de produção econômica em que as pessoas sejam alçadas para o primeiro plano, em lugar dos objetos.

Para Max-Neef, o crescimento econômico está alinhado à qualidade de vida das pessoas até certo ponto. Ultrapassado esse ponto, não há ganhos, mas sim perdas; não há benefícios, mas, custos, e, o principal deles, é a deterioração da qualidade de vida.

Essa é a base teórica da “Teoria do Umbral”, propugnada por Max-Neef que aponta dedo em riste para os custos excessivos do processo produtivo a qualquer preço. Custos que, por sinal, não são quantificados, mas sentidos por todos: a poluição das águas, do ar, dos solos, a degradação ambiental, a emissão de gás carbônico para se produzir de tudo e transportar para lugares cada vez mais distantes.

Para Manfred Max-Neef, esse economista alternativo ganhador do Prêmio Nobel Alternativo de Economia, uma economia “saudável” se sustenta em seis postulados:

1. A economia está para servir as pessoas, e não as pessoas para servir a economia;

2. O desenvolvimento se refere a pessoas, e não aos objetos;

3. O crescimento não é o mesmo que desenvolvimento, e o desenvolvimento não precisa necessariamente de crescimento;

4. Nenhuma economia é possível à margem dos serviços que prestam os ecossistemas;

5. A economia é um subsistema de um sistema maior e finito, que é a biosfera, e, portanto, o crescimento permanente é impossível; e,

6. Nenhum processo ou interesse econômico, sob nenhuma circunstância, pode estar acima da referência à vida.

Dessa forma, vemos que a realidade econômica atual, avalizada pelos manuais econômicos tradicionais, está completamente oposta a esses princípios. E por serem esses princípios algo que faz a “roda da economia”, por vezes, travar, esses economistas alternativos, quase sempre, são taxados de personas non gratas.

Necessidades humanas preteridas

Assim sendo, por irem contra o tipo de economia que recomenda que tudo deva ser transformado em números e, por conseqüência, em valores, esses pensadores são postos à margem.

Ao praticarem uma economia em que tudo circula ao redor de números e valores, as necessidades humanas ficam cada vez mais preteridas na escala das preferências. Dessa forma, o modelo de economia que vigora é aquele em que o valor está nas prateleiras dos supermercados e nas vitrines das lojas, portanto, apenas nos produtos, e não nos seres humanos.

É contra esse tipo de pensamento econômico que Herman Daly, Manfred Max-Neef, Riane Eisler, Gary Backer e tantos outros estão construindo suas opiniões. Foi contra isso que Georgescu-Roegen marcou presença.

Definitivamente, a economia não está nos números, mas sim nas pessoas. Pessoas que agem, que sentem, que fazem e que pensam a economia (atividade econômica) em seu dia a dia.

Mesmo que esse pensamento esteja nos mais inusitados assuntos, nas mais interessantes situações, a economia, certamente, lá está (e estará) presente. Basta, para isso, atentar para as recentes abordagens de outros economistas que também podem ser classificados como economistas alternativos, que são capazes de observar fatos econômicos onde poucos enxergam tal ocorrência.

Outros economistas alternativos

Mas as obras que versam sobre esse olhar diferenciado da economia não param de surgir. Muitos têm sido os casos de novos autores que estão explorando esse lado “oculto” das ciências econômicas. É o caso específico de Steven Levitt e Stephen Dubner, com “Freakeconomics”, que se tornou, em pouco tempo, best-seller em vários lugares. É o caso ainda de Tim Harford, com “O Economista Clandestino”; de Diane Coyle, com “Sexo, Drogas e Economia”; de Riane Eisler, com “A Verdadeira Riqueza das Nações” e, principalmente, dos trabalhos do economista norte-americano laureado com o Nobel, Gary Becker, que levou o prêmio justamente por ter estendido o domínio da análise microeconômica para uma escala de comportamento humano e interações, incluindo o comportamento extra-mercado. Becker chega a analisar situações inusitadas como crime, divórcio e consumo de drogas à luz do comportamento econômico de cada um.

Para finalizar, cumpre ressaltar, nesse pormenor, as mais recentes abordagens sobre a Teoria da Economia Comportamental ou “psicologia econômica” que, aos poucos, vem dominando a leitura das novas gerações, à medida que incorpora em suas análises certo grau de irracionalidade econômica nas ações das pessoas, contrariando, assim, a teoria tradicional que preconiza que toda e qualquer ação do indivíduo está pautada pela mais absoluta racionalidade econômica.

Como podemos perceber, o “mundo econômico” exposto nos livros-técnico-didáticos, não é bem assim, como tenta nos fazer crer a ortodoxia econômica.

O Estatuto da Igualdade Racial

28/07/2010

Sancionado pelo Presidente da República Federativa do Brasil, o Senhor Luís Inácio Lula da Silva, o compêndio jurídico, que representa em seu conceitual corpo normativo um significativo passo para uma democratização de direito e, mais adiante para uma democratização de fato. O Estatuto da Igualdade Racial, pos em pauta um tema extremamente assustador àquelas que contemplaram por longínquo período em nossa sociedade racista e separatista, o agasalhador conforto do Estado e da sua soberania proselitista. Para melhor compreensão, leiam este artigo do excelente jornalista Beto Almeida. Uma luz no escuro mundo midiático.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16819&boletim_id=736&componente_id=12292

Clássico

19/07/2010

Artigo nº 1

19/07/2010

A desconstrução do Direito em face de um construcionismo crítico e da ideologia jurídica-positivista

Como propõe o título, debruçarei sobre a temática construcionista crítica e o transgressionismo praticado em face de uma ideologia jurídica-positivista, que institui em suas diversas regras e princípios, amarras normativas que impedem um caminhar alvissareiro e libertador em vistas de uma justiça social e consequentemente equitativa.
Como definição do direito, poderemos assegurar que a ideologia jurídica afirma: Tratar-se de um conjunto sistemático do normas jurídicas com as quais regula-se a convivência em sociedade por meios de mecanismos institucionalizados. Norberto Bobbio confirma atestando com a seguinte conceituação: “(…) a norma jurídica através dos aspectos de exterioridade e de institucionalização, donde a definação de norma jurídica como aquela norma ‘cuja execução é garantida por uma sanção externa e institucionalizada’”. 1
A gênese do construcionismo crítico é a formulação inaugural da investigação do seu arcabouço. O pensamento construcionista teoriza com incisão e agudeza o cerne fundacional de tais “verdades instituídas” de que tudo é uma dádiva e não uma imposição arbitrária no cultural [BOURDIEU, 1999].
Feito o recorte. A delimitação da linha do real. O que passamos a estudar acintosamente de forma questionadora é a realidade. A realidade criadora, instituída, inventada… um modelo cultural construído que não recepciona, em si, observações críticas que desmistificam o conteúdo completo e acabado dado como o mais próximo da perfeição. Como responde o Prof.º da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Alíio de Sousa Filho: “(…) o construcionismo crítico é um pensamento radical. Se há um postulado que pode resumi-lo, é o que afirma que o mundo humano-social, em toda a sua diversidade e em todos os seus aspectos, é produto da construção humana, cultural e histórica”. 2
O Direito como um sistema normativo humano, cultural e histórico, é passível de uma avaliação empírica/analítica em suas profundas raízes filosóficas, sociológicas e antropológicas. A teoria construcionista crítica aborda sem máscaras a imposição cultural na criação de uma realidade fática condensada na imperatividade da lei. Desconstruir a regra pormenorizadamente, implicará num trabalho de síntese que possibilitará o aparecimento de outros modelos teóricos que em suas diversidades alargarão e multiplicarão as veredas nos campos jurídicos e sociais.
O arbitrário cultural [BOURDIEU, 1999] é a estância na qual a crítica construcionista exprimirá sem receios a sua conduta interrogativa, mantendo uma distância considerável das substâncias e essências que erguem muros que visam proteger o instituído, o fundado como absoluto e bastante em si mesmo.
As Ciências Jurídicas quando se submete ir, unilateralmente, além do que é previsto em seu campo de ofício, consagra intempestivamente valores demagógicos que interferem diretamente no convívio social, reduzindo as universalidades e encurralando-as no campo da legalidade. Fora deste reduto estruturante, as alternativas passam a serem vistas como ameaça ao convívio ordenado sistematicamente por um conservadorismo tão próprio do Direito. É neste instante que o Direito crítico, alicerçado no construcionismo crítico, expõe sem delongas, as víceras de uma sociedade que não consegue abarcar em seu bojo todos os anceios que a diversidade cultural tanto almeja.
As idiossincrasias – tão própria do conservadorismo – revaladas, torna sagrado o arbitrário cultural que a ideologia retrata de um poder que mascara em proteção de uma realidade desconhecida. O Direito crítico tem em seu fundamento a destruição destes símbolos que fomentam a realidade arbitrária. A desconstrução destes castelos ideológicos que faz do direito crítico um iconoclasta por direito e dever. Como diz Foucault: “- Trata-se da insurreição dos saberes. Não tanto contra os conteúdos, os métodos ou os conceitos de uma ciência, mas de uma insurreição sobretudo e acima de tudo contra os efeitos centralizadores de Poder (…)”. 3
Sendo a realidade a transfiguração do real que, comparando superficialmente, sem intensidade científica a teoria platônica, pertence ao mundo das idéias, ao mundo das possibilidades. É esta quebra de paradigmas que incidem numa construção criteriosa de outra realidade, de um outro recorte do real. É essa potência subterrânea, no dizer de Maffesoli, que aqui denominarei de Poder taciturno, que mansamente rompe com o instituído, transgredindo, desobedecendo a edificação da certezas divinas estabelecedoras de alicerces sacramentais.
Estas ações silenciosas, encabeçadas por este movimento da vanguarda jurídica, preza por dar voz e vez aos amordaçados em seus direitos fundamentais garantido em constituições, códigos, estatutos, declarações, livros “santos” e demais compêndios normativos. O que é um paradoxo, pois estas mesmas instituições que garantem são as mesmas que suplantam, afogando tais conquistas. Voz e vez aos marginais que ocupam sempre as bordas e laterais do espectro social, estes que estão malfadados, vaticinados a permanecerem estáticos por “condições legítimas” em seus submundos de miséria, nos quais a vileza humana oferece em douradas bandejas o outro lado da história. Voz e vez aos oprimidos pela a força institucional e externa das sanções normativas e consuetudinárias vinculadas ao poder representante das forças conservadoras que desconsideram qualquer manifestação contrária ao seu ideal social. É aqui que esta pulsante força jurídica inovadora pretende estabelecer-se criando vínculos com os movimentos sociais e as suas representações para numa união de forças desconstruir o estabelecido como verdadeiros dogmas.

Referencias (notas)

1. BOBBIO, Norberto. Teoria do Ordenamento Jurídico, Ed. UnB, 10 ed., 1999, p. 27.
2. SOUSA Filho, Alípio. Por um construcionismo crítico (artigo)
3. FOUCAULT, Michel. Em Defesa da Sociedade. Ed. Martins Fontes, p. 14

Igualdade e Liberdade

13/07/2010

Para descrever a conceituação dada por Norberto Bobbio aos postulados de igualdade e liberdade, é de bom alvitre definir, embora lacônico e superficialmente, o que significa a díade esquerda é direita. A esquerda tem por característica o desejo de mudanças que venham a imprimir no tecido social uma situação de progresso, portanto, mais igualitária, mais próxima da equidade e da justiça social; já a direita, prefere amarrar essas tranformações em nome da ordem que propõe limitar tais situações em nome de um conservadorismo anacrônico e de uma igualdade bio-natural.
Limitar um conceito relativo como é a igualdade, ideal de uma sociedade ordenada e justa, é necessário com diz Bobbio de três variáveis: “a. os sujeitos entre os quais se trata de repartir os bens e os ônus; b. os bens e os ônus a serem repartidos; c. o critério com base no qual os repartir.”
Citando Marx, Bobbio enuncia um princípio por àquele defendido: “ a cada um segundo a suas necessidades”, tendo como suplemento a consistente idéia que é na necessidade que os homens são naturalmente iguais. Tal síntese, é categoricamente contrária a informação principiológica defendida pelo modelo liberal consagrado nestas palavras: “a cada um segundo a sua posição”. As necessidades em diferentes aspectos do quotidiano social, transforma os homens em seres admoestados por uma avassaladora corrente (socialismo utópico) que prega no deserto o conceito de igualdade, impossível de realizar-se, senão pelo o rito dos reinos da necessidade para o da liberdade como informa Marx. A necessidade pela a necessidade não surtirá nenhum efeito que não seja paliativo. Alcançar a liberdade é para o homem a explosão máxima da sua integração com o mundo. É a complementação do ser social com o meio social. E como defende Bobbio: “ (…) a utopia de uma sociedade em que todos são iguais em tudo, mas como tendência, de um lado, a exaltar mais o que faz os homens iguais do que o que faz os desiguais, e de outro, em termos práticos, a favorecer as políticas que objetivam tornar mais iguais os desiguais”.
A liberdade não difere, não é estrangeira ao ideal de igualdade, também se caracteriza pela sua supremacia principiológica fundante em termos estritamentes abstratos. Porém, para a Ciência Política, o que nos interessa é saber a definição de liberdade e seu campo de trabalho.
Como aponta Bobbio, o contraste entre o ideal de liberdade e o ideal de ordem, exemplifica a complementaridade dos termos em questão como também qualifica as diferenças destes conceitos. Tanto a ordem como a liberdade é um bem comum a toda sociedade e, mesmo em posição constrastante, tendo uma como vigilante da outra, sua convivência deverá ser harmônica e ampla, mas com restrições que garantam a liberdade e a igualdade. “Enquanto a liberdade é um status da pessoa, a igualdade indica uma relação entre dois ou mais entes”, diz Bobbio a não simetria entre esses dois conceitos.

Carlos Pinheiro, um Mestre!!

13/07/2010

Este vídeo é dedicado aos alunos(as) do grande mestre Carlos Pinheiro, professor, por um bom tempo, da Universidade Potiguar (UnP). O nobre docente equilibrava o saber e domínio da(s) disciplina(s) com uma singular capacidade de transmitir o teor da matéria. Parabéns.

A instituição do fracasso

22/06/2010

A instituição do fracasso – A educação da ralé

A Educação em seu papel decisivo de tornar uma sociedade igualitária, comprometida com a cidadania, não surte efeito quando a desorganização familiar e a má-fé institucional determinam o fracasso escolar seguido do fracasso profissional.
O texto exemplifica dois casos para compararmos, o da família organizada e o da família desorganizada. Formadas por sujeitos de baixa renda, estes dois grupos familiares se distinguem pela a afeição ao mundo escolar que caracteriza fortemente a sua inserção no mercado capitalista como úteis e produtivos a sociedade. Porém, um outro fator irá determinar os passos a serem seguidos, quando a omissão estatal faz-se presente por meio do corpo do corpo docente. Professores incapacitados exercem com petulância o seu papel – alguns deles vítimas do próprio sistema no qual hoje são parte integrante – segregacionam consciente ou inconsciente aqueles que se ajustam às exigência e tem bom desempenho, e aqueles que não se ajustam e fracassam, ou seja, os que podem ser úteis futuramente à sociedade e aqueles que estão fadados ao fracasso e às posições desqualificadas e pouco úteis.
A má-fé institucional na rede pública, gira em torno de uma seletividade que naturaliza classes sociais como vítimas de sua constituição biológica e não como vítimas de uma processo de socialização específico, o que afeta em cheio a ralé, que nunca foi alvo de uma política pública destinada a reinventá-la como classe social integrante desta sociedade capitalista excludente. O fracasso da ralé, está numa proximidade constante com o processo histórico dado no Estado brasileiro e sua subdivisão de seres humanos capazes e incapazes, e assim continua com os “dignos”, os que habitam mais ao centro, e os “indignos” que permanecem nas periferias, marginais as políticas públicas.

A demissão do Estado

22/06/2010

A demissão do Estado

As medidas políticas tomadas nos anos 70, fizeram proliferar a divisão social assentada na política econômica neoliberal, que acentuou o surgimento de lugares de relegação. Tais redutos transformaram-se num emblema para os críticos do intervencionismo do Estado na aplicação de suas políticas públicas associando eficácia e modernidade à empresa privada.
Para o êxito deste modelo houve uma conjunção de forças afim: “ pensadores carentes de poder e poderosos carentes de pensamento”, como cita o próprio Pierre Bourdieu. São essas forças, ávidas em gerir o serviço público como se fossem empresas privadas que deturpam a imagem do serviço público em nome de uma produtividade efêmera e desqualificada do que chamam lógica de mercado.
Este modelo descaracterizador de corações e mentes, atinge fortemente os menos protegidos que são os jovens. Vítimas do “efeito dp destino” e suas verdades completas e absolutas.
A farsa empregada pelo neoliberalismo impossibilita comparar uma alocação financeira à atos de solidariedade. As medidas paliativas são meios de estabelecer uma reordenização, e com isto acalmar as transgressões em movimento permitindo o consumo como um prêmio, porém sem um devido acompanhamento “didático” sobre como usufluir destas transferências do econômico e cultural. O ciclo vicioso, repetitivo, proposto pelo Estado neoliberal, fere profundamente o direito a oportunidade. Os que vivem nas margens, nas periferias são ordenados a este modelo único de presente e futuro oferecido por esta estrutura aniquiladora de sonhos. Estes lugares ganham atenção esse caracterizam como principais desafios da luta política que, paradoxalmente, agem desfavoravelmente contra os setores críticos da sociedade.


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