Crônica

Publicado 18 de fevereiro de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
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CRÔNICA: O frio no miolo do osso

 

Para Christina Bielinski Ramalho

 

Ato I: Manhã. O sol rasga a veste dos meus olhos. De súbito, encontro-me de pé a observar o barulho baixo e fino que vem do mundo aquariano de Aracaju. O barulho, que pela falta em si, faz muito mais eco pela ausência do que pela existência. O silêncio retilíneo risca em linha uniforme aquilo que poderia medir espaço, velocidade e temperatura externa ao corpo e interna à atmosfera.

 

Ato II: Manhã. As pálpebras dilaceradas por polegares e indicadores esculpem, pintam e reproduzem o primitivismo do corpo, além da série ordenada em fotografias da película “Ilha da fantasia”.  A teologia aqui dada é representada pelo que consome em labaredas aquilo que toma de ardência o espólio noturno da realidade. Assalta o chão da matéria homem e, num ato puramente alquímico, rompe o limite do asilo inviolável do palácio da vida.

 

Ato III: Manhã. O rubor se estende por todo o circo. Piruetas, malabares, ilusionismos… o balé dos artistas é a fonte que jorra e alimenta com leite a criança taciturna que se inaugura quotidianamente. A reprodução dos passos e saltos institui uma nomenclatura particular aos acrobatas da alcova circense.

 

Ato IV: Manhã. Segue o espetáculo espionado pelo rei. Ele, que burlou a vigilância dos atores, se pôs como espectador privilegiado do desenrolar das cenas: emaranhado de braços e abraços; mãos e nucas; pernas e lábios; línguas e pés; e boca na boca. Ele, que se arroga de ser a luz máxima dos campos de Gaia, resolveu, num ato solene e de respeito, fechar o cortinado e resguardar-se dos segredos alheios antes do frio que dá no miolo do osso.

 

Ítalo de Melo Ramalho

18.II.2017

12h19min.

Sobre quarentenas e aquarelas ou uma tarde vestida de cor

Publicado 20 de outubro de 2016 por Ítalo de Melo Ramalho
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SOBRE QUARENTENAS E AQUARELAS ou UMA TARDE/NOITE VESTIDA DE COR.

Quarenta dias e um oceano no meio. Tanto de tempo e tanto de espaço a separar esse amor-ímã que demorou uma década até a explosão… E agora… Quarenta! Hão de ser fortes os corações do Catingueira e da Brucha para converter “uatizape” e “messengem” em bálsamo para a saudade doida e doída que virá? O que reserva o crepuscular trigésimo dia e a trigésima noite a essa “dupla de dois” que, de positivo em positivo, de negativo em negativo, se empenha no corte, recorte, montagem, desmontagem e remontagem dessa película afetiva? Pois bem! E foi assim que o pincel bordou:
Brucha:

Seu rosto
hoje
é tatuagem
e espelho.
Tatuagem
na carne que me veste;
espelho
no limite interno
do olhar
que aprendeu o gosto
de amar.

Catingueira:

Seu verbo salta ligeiro
Que nem maracajá.
É tatuagem no espelho
E no escuro refletirá.
Se transforma em repentista
Grande alma, grande artista,
Borda versos pra trovar.

 

E veio! Não restavam questionamentos! O equinócio das horas chegou em tempo real! Apesar das cinco horas de fuso horário, não houve impedimentos que saciassem o voraz desejo do encontro sobre o mar tenebroso (Oceano Atlântico) e tudo se converteu em palavras, imagens e voz, que, no enfrentamento da contagem longamente regressiva, afirmava, gesto a gesto, a permanência do que se inaugura eterno.

Ele, generoso como sempre, aderiu ao fuso horário dela e passou a dar bom dia às duas da manhã e às quatro ouvir as novidades da sua Brucha. Ela, dengosa como sempre, enviando rumas de carinho, apaixonada pela promessa de barba que em barbudo se fez.

E da quarentena nasceu uma aquarela! Cinco horas de um repente engraçado! Cinco horas de uma peleja matizada pelo sonoro ponteio afiado e afinado no diapasão coronário. Ela postando montagens fotográficas de um lado, ele, de outro, respondendo com poemas. Amor convertido em improviso. Gestos côncavos e convexos inserindo mais uma experiência única nessa história lúdica e lúcida.

E a aquarela foi ganhando cores e quando à Brucha parecia que para o Catingueira difícil seria fazer saltarem mais palavras, ela perguntava: “Posso mandar outra?” E a resposta: “Arrocha!”. E nessa fábula de traços verídicos que se desenhava, o espantoso foi encontrar cores para alimentar o fulgor criativo da Brucha e do Catingueira. Era improvável que naquele momento de incisão, cirurgiões como Picasso, Monet, Matisse… viessem estancar o minadouro que confluía esse rio ao célebre Rio São Francisco. Inimaginável!

Quatorze variações. Cores tingindo esse amor cheio de amores. E o tempo da quarentena perdeu-se no infinito que só as horas bonitas têm! Entre publicáveis e não publicáveis, dada a criatura desse ser Moreno de muitas sedes, os poemas do Catingueira pintaram para a Brucha um quadro de palavras mágicas enfeitado por versos como:

Cor da ferrugem e do ouro
Do jerimum e do sol.
Mistura de mito e de touro
Toque de Midas no arrebol.
Sumo de laranja-lima
Vou casar com essa menina
Uma mulher vestida de Sol.

Por outro lado, a Brucha caprichava nos fotopoemas nos quais a imagem congelava a magia plantada em vias de semeadura. Ao mesmo instante, a danada imprimia movimentos para um novo semear. Para muitos a colheita pode tardar ou até mesmo não ser possível! Não adianta preparar o solo, ter boa semente, abundância líquida-mineral, matriz animal… não adianta! Senão tiver o toque da retina, a planta não fala com a gente.

E assim se deu a peleja. Entre imagens e versos, entre ponteiros e saudade, essa quarentena logo será história. Mas a memória que deixa faz a saudade ter valido a pena.

Segue as aquarelas:

Ela:

Azul

Saudade azul

de olhos morenos

atravessando o mar

azul é a cor de te amar

Ele:

Vestuta feiticeira!
Brucha da alquimia!
Gata não berra, mia,
À luz da bulandeira.
Seu jeito tem encanto
Meu regaço, meu recanto,
A trincheirar dia a dia.

Ela:

Vermelho
Em vermelho

ponteiros me voam

no desejo de te amar.

Ele:

Azul é a cor da alegria!
O vermelho é da guerra!
Sangue vencido na terra
De céu se revestia.
Se os ponteiros alados
Adiantam o atrasado
Tempo que a coruja pia.

Ela:
Branco
Tenho um sonho branco

de te navegar.

Ele:

Gato berra, bode mia,
Boi ladra, cachorro pia.
Porco relincha, pombo fala,
Macaco desenha e burro cala.
No alfabeto dos bichos,
Não vejo nenhum fuxico,
Que não me faça te amar!

Ela:
Preto e branco
Em preto e branco

bem colorido

sabemos  amar.

Ele:

Se uma cor é singular,
Duas em diante é plural.
Três cores são uma festa,
Quatro cromos mineral.
Cinco tamanhos de universo,
Seis rimas em prosa e verso,
Sete luzes no pragal.

Ela:
Verde
Em vários tons

de verde esta sede

de te beijar.

Ele:

Um risco solto no ar,
Duas linhas paralelas;
Três verdes de te beijar,
Quatro sedes de beber;
Cinco desejos tomados,
Seis cálices sagrados
Da Mulher que vou sorver.

Ela:
Preto
Um amor preto

pleno até na ausência.

Ele:

Ausência demais é preto.
Brilho demais encandeia.
Preto demais enoitece.
Brilho demais enfeia.
Galega no ponto certinho.
Moreno bem coradinho,
Amor de vazante e de cheia.

Ela:
Cinza
Ainda nas horas

das cinzas,

as mesmas cores em nós.

Ele:

Os nós que atam laços,
Também atam as cores.
Cinza do chumbo e do aço,
Lembranças de dissabores.
Saudade do tempo futuro,
Erguida casa sem muro,
Chão dos nossos amores.

Ela:
Laranja
Um amor que esbanja

laranja

em cor e sumo.

Ele:

Cor da ferrugem e do ouro
Do jerimum e do sol.
Mistura de mito e de touro
Toque de Midas no arrebol.
Sumo de laranja-lima
Vou casar com essa menina
Uma mulher vestida de Sol.

Ela:
Roxo/lilás
Nessas brincadeiras que o amor faz,

nos amamos do roxo ao lilás!

Ele:

Cor da estola cristã,
Vestida na cúria romana.
Talvez sem carne, pagã!
Olho do pus que emana.
Fora dessa ratoeira
Construímos brincadeiras
De manhã para manhã.

Ela:
Amarelo
Na luz

de nosso elo

nos amamos

em amarelo.

Ele:

Se juntarmos uma a outra
Cada argola faz um elo.
Prata fundida na pira
Desenho, forma de anelo.
Fogo desmancha saudade.
Saudade ganha liberdade
Que sentimento singelo!

Ela:
Pele
Em nosso contraste de peles,

as cores que o desejo escreve.

Ele:

Menina ouro-azul
Do couro rijo e rosado.
Viço de flor juvenil
Doce de fruta flambado.
Quando penso em tua pele
Minha Vida estremece
Fico sem chão e corado.

Ela:
Listras
Num mundo feito de listras,

nosso amor desenha conquistas.

Ele:

Cromo tempo da Vida
Que Cronos não alcançou.
Contraste de cor esquecida,
Que futigado salvou.
Hora sem tempo final
Desenha romance real
Vida por sobre Vida!

Listras daqui e d’acolá.
Listras em tons escuro
Num castelo sem muro
Listra para contrastar.
Listra de malabarista
Equilibra a conquista
Dos malabares a fiar.

Ela:

Rubro-negro
Urubu, dragão, elefante…

Nosso amor tem conquista constante.

Ele:

Duas camisas distintas:
Eu sou ABC, Ela é Confiança.
Encontramos semelhança
Quando rubro-negro pinta.
A tinta escorre na cidade,
Finta também a saudade
A tempo de ser extinta.

Ela:
Paleta
Na paleta do nosso amor

universo infinito de cores.

Ele:

Paleta pode ser cama,
Cama pode ser vida,
Vida pode ser amor,
Carne, mas sem ferida.
Saudade sem esperança
Não quero, sem confiança!
Morte na vida da Vida!

 

Texto escrito por Christina e Ítalo Ramalho. 

20.X.2016

Marta saudando o Grêmio Recreativo Pombo Sujo

Publicado 22 de dezembro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

É O FRACO! Apenas para avisar: Já não bastasse termos em nosso elenco de CANALHAS o melhor violonista José Augusto Costa Júnior, temos também a melhor jogadora de futebol do mundo! Marta também é do GRÊMIO RECREATIVO POMBO SUJO! Orgulhem-se meus caros irmãos e irmãs! Kkkkkkkkkk… A sinantropia encontra-se em fervoroso êxtase! Atestem aí! Kkkkkkkkk…

Pelé 97 gols, Marta mais de 100: Messi e Cristiano Ronaldo, respectivamente possuem 4 e 3 bolas de ouro, Martinha 5 bolinhas de ouro. Nenhum dos supra citados possuem algum vínculo com o Grêmio Recreativo Pombo Sujo, Marta é a encarnação da sinantropia mundial. Kkkkkkkkkkk… Sem falar que a inscrição do grego Savas, já foi homologado em diário oficial.

Marta, a extraterrestre! Ítalo, o fenômeno! Savas, o grego! E Esdras Fonseca Ramos, o papagaio! Kkkkkkkkkkk… Ficou massa demais! Essa menina é mundialmente conhecida. Poderia ter todos os receios para não fazer esse vídeo. Não só fez, como ainda brincou com o nosso sodalício. Exemplo de simpatia! De hoje em diante, o Grêmio Recreativo Pombo Sujo, talhou seu nome no mármore do mundo! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… É O FRACO!

 

Confraternização Sinantrópica, 2015

Publicado 22 de dezembro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Fuleiragem

Transformar em palavras sentimentos, é por demais sacrificante para quem não domina à língua portuguesa e, como não bastasse, ter um reduzido teor vocabular. Mas tudo bem! Vamos em frente! Sábado último, foi realizado a segunda Confraternização do Grêmio Recreativo Pombo Sujo, no simpático e acolhedor Bar Stillo Sampa, no conjunto de Ponta Negra. Por toda a reunião, pairou o espírito da fraternidade e do respeito. Apenas, em algumas poucas ocasiões, o festival de caninagens emergiu na figura de um ou outro agremiado/a. Casos isolados! Kkkkkkk… Às lentes do agremiado Galego Júlio, captaram perfeitamente o primeiro momento da “inacabável” reunião. Vários momentos com vários confrades, garantiram a pluralidade de opiniões o que também garantiu o equilíbrio em e de todas as formas.

 

Caríssimos e Caríssimas, foi ESPETACULAR o convívio mais profundo com uma parte representativa desse inebriante sodalício sinantrópico. Sei que nas próximas reuniões (como sempre regadas a muita cerveja e cigarros), outros agremiados/as, que por motivos torpe ou motivos que assegurem a sua continuação no Grêmio, irão participar, diretamente, dessas reuniões dedicadas aos deuses Dionísio e Afrodite. Espero também encontrar novos agremiados/as. Obviamente que não sem antes, devassar a vida do fulano ou da fulana, e reparar em seu histórico pregresso se a sua conduta lhe permite receber o honroso manto sinantrópico.

 

Quero agradecer profundamente a Todos e Todas que acreditaram e aceitaram sonhar comigo.  O nosso Grêmio já fez e continuará fazendo história. Não da maneira que conhecemos, história rasa e outorgada pelo Estado ou empresas midiáticas ou as duas. Não! Fará sim, de forma que tatuará com ferro a víscera pulsante de cada agremiado, ferindo-o, indelevelmente, e o chagando de Esperança, Fé e Caridade.

 

Abraços, magote de Pombos Sujos! O NOSSO GRÊMIO É FODA! Kkkkkkkkkkkkkkk…

 

Taurus Caprus Catingueira.

 

 

X PÍLULA POÉTICA

Publicado 22 de setembro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

X PÍLULA POÉTICA

Finalmente chegamos à maioridade vídeo-pombalínea. Chegamos ao décimo vídeo. O que significa tal feito? Não significa nada além da capacidade de sonhar por alguns instantes, destes Senhores e Senhoras que fazem e representam o sodalício sinantrópico potiguar. É isso o que a poesia faz. Esse estado de graça e maravilhamento,  no qual comungamos em rara simbiose, o prazer de pertencer ao mundo por vezes hostil à condição humana.

Se os Amigos e Amigas escutarem atentamente o poema “ A Morte do Touro Mão de Pau” de Ariano Suassuna, recriado a partir do “Romance do Boi da Mão de Pau” do cantador e poeta potiguar Fabião das Queimadas, entenderão o motivo pelo qual exalto a verdadeira Arte Nacional.

Como o Touro, convoco todos vocês a não esquivar-se diante da desonra. Que pulemos dos íngremes lajedos, e urremos juntos um canto forte, melodioso e redentor. Deixemos os homens com seus cavalos, e fiquemos com nossas Vidas. Um forte e afetuoso abraço em Todos e Todas.

Taurus Caprus Catingueira.

IX PÍLULA POÉTICA

Publicado 9 de setembro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

E chegamos à nona “Pílula Poética”, nobres cavaleiros (é cavaleiro mesmo!) e aconchegantes Senhoras de peitos belos e macios. O movimento que distribui galhofas e socializa o riso na zona sul da capital potiguar, assegura que continua tão forte e criativo quanto à sua aparição inicial. O que, veementemente não acreditamos! E que, corajosamente não duvidamos! Esses marginais são dominados por uma violenta emoção artística.

Os afazeres domésticos, os ofícios e as cuidações, temperam o que aos fins de semana explode em espontaneidade e elegância. E quem discordará que esses jovens senhores não guardam uma peculiar elegância? kkkkkkk… O belo, como diz o meu Amigo José Augusto Costa Júnior, também poderá ser encontrado no grotesco. Mas me digam: por que dar ouvidos ao Júnior? Sua opinião é estéril e, por este motivo, é incapaz de fertilizar o germinante solo pombalíneo com suas (dele) agruras e tormentos unicelulares. Mesmo sendo ele, um sujeito admirado por sua verve artística, sua profundez intelectual e sua didática como docente. Kkkkkk…

Pois bem. O texto “declamado” ou “recitado” – confusão de significados apontada por Wendell Fernandes – é da autoria de uma caríssima jornalista e, para nossa fé e graça, também sinantrópica, Sheyla Azevedo. Obviamente, que o que tem a ser observado, é a qualidade do poema em prosa desse “documento” literário, que em seu inteiro teor, busca o não preenchimento artificial, superficial da Vida, produzido por uma sociedade ferozmente líquida, no dizer do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman. O que surpreende e indica o texto, é a liquidez inclusive das palavras, quando por ora, a necessidade do silêncio não enodoaria o vernáculo e tampouco os sons encefálicos dos engenhos de ventos. Portanto, abrir às janelas é permitir a possibilidade de continuar o marcapasso do seu quotidiano trabalho. Sem esperar surpresas fora do real e da realidade. Sem esperar conspirações do universo e do pluriverso. Sem esperar da hostilidade, doçura.

Por último, porém não menos relevante, destaco a participação do nosso Amigo Sinantrópico, Wendell Fernandes! O velho Franja, abrilhantou ainda mais esse instante de comunhão literária, com a sua interpretação (perfeita!? kkkk…) e com a sua voz de locutor de FM (que ele acredita ter! kkkkkk…). Mui grato, meu Amigo!

Taurus Caprus Catingueira.

OBS.: Visitem o caderno de anotações eletrônico de Sheyla Azevedo. Segue o endereço: http://bichoesquisito.blogspot.com.br/.

Ventos doces por Sheyla Azevedo

Publicado 5 de janeiro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Cultura, Literatura

http://bichoesquisito.blogspot.com.br/2015/01/ventos-doces.html