Poema

Publicado 14 de agosto de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

Tempo biográfico

 

No abismo: uma flor!

Parece solta: dispersa.

Apenas com sua pétala.

Asa.

Tecido.

Conjunto da carne

que preenche o limite

vegetal do broto-mundo.

 

No abismo: uma flor!

Parece dançar: filosofia.

Autóctone, rega o osso

da costela.

Novena das graças

natimorto que foi.

 

No abismo: uma flor!

Parece esguia: plena.

Sobre o plano: arde vilipêndios

ao bafo venal das horas.

Corpo vesgo

que transcende à fúria

narcísica

e estanca o evangelho

líquido do cálice.

 

No abismo: uma flor!

Parece curva: elástica.

Signo da resiliência

do filamento.

Fio orgânico

condutor da seiva têxtil;

mineral do silêncio.

 

No abismo: uma flor jaz!

Presa ao estrume telúrico.

Sudário da matéria

anódina que é.

Chumbo da raiz

ancestral do gérmen.

Febra crônica

da vaidade

teatral do olho.

 

Ítalo de Melo Ramalho

14.VIII.2017

Anúncios

Crônica

Publicado 18 de junho de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

CRÔNICA: O Amor me sequestrou!

 

O Amor me sequestrou há exatos onze anos!

Foi no mural localizado no Centro de Ciências, História, Letras e Artes, bem pertinho da casa da xerox e da zona de informação que socorre os/as desavisados/as que por ali passeiam; de frente para os degraus que levam os/as transeuntes ao segundo piso do famoso CCHLA (Chinchila! Que pronúncia saborosíssima!) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, que o sequestro relâmpago se deu por inteiro encantamento. Foi um fogo tão abrasador que acendeu desde o primeiro olhar no olho da fera, e que perdurou por quase infinitos (graças a Deus!) longos dez anos e que perdurará ao largo dos infortunados pontos finais.

Particularmente, vejo o Amor como a montagem de uma fogueira para, só depois, sentir-se a ardência do fruto que nela é guardado. Primeiro, viaja-se por dentro da flora bela e hostil, e recolhe-se o tronco mais grosso e lenhoso, para sedimentar, no altar, o alicerce das chamas. A madeira tem que ser pesada; de lei; de eros e psiquê! Que a árvore escolhida faça o fio do machado verter água da lâmina “assassina” e que, depois de feita essa ruptura de mundos, o utensílio do corte transforme-se em pena e siga a sina do sósia do Cosme Velho. Sempre vertendo o mel fino a cada esquina transposta em números de rodapé.

Terminada essa fase. Esses primeiros passos. Segue-se para a ornamentação da estrada a ser pavimentada e ocupada pela minúscula fagulha do grão. Vocês devem saber que as montagens dos fogaréus guardam maturações e inúmeros formatos. Quanto à sazonalidade, opto pelo impulso de um “boa noite!”; já quanto à disposição arquitetônica, prefiro a triangular! (Apenas questão de gosto! Fica parecendo com castelos descansando no alto das serras.) Fechando os parênteses, voltemos ao texto. Assim, na hora de erguer a catedral de pau, faço a cama com troncos maiores e mais substanciais e só depois repouso os menores e mais formais em circunferência material por sobre o monte. Feito isso, junto à base da estrutura os gravetos secos e de boa condução das labaredas. Esses arbustos tem o mesmo papel dos anjos na cosmologia cristã!

As fogueiras são exatamente como as gentes: depois da fertilização e, consequentemente, da germinação, seguidas de podas quotidianas da vida, surge, no veio calejado pelas intempéries da harmoniosa junção Vida e Arte, o fogo da carne. E este encontra-se pronto para a combustão do torrencial fogo de pentecostes, que não é outro senão o fogo do músculo somado ao do espírito, incendiando o concreto e o abstrato ao mesmo instante. Essa luz que se põe fulgurante para uns; serena e cinza para outros; mas que é improvável não imaginar a sua existência: é o fogo da sabedoria! A existência é aquela que move e sequestra os seres humanos de forma total e não em lapsos repentinos de claridade. Esse fogo é sinônimo do fogo da eternidade. O que é para sempre porque é princípio entre os sublimes.

Hoje, sou um livre refém desse cárcere que me liberta das inconclusas liberdades antes vividas, e que me aparece tão intensamente, que a pupila do meu olho não dilata ao encará-la face a face, porque sabe que o que treme ali, não é um singelo fogo de palha, e sim, um fogo que toma as taças e as queima pelo sangue sacrificado dos homens.

Te amo, minha tocha ouro-azul!

Ítalo de Melo Ramalho. 12.vi.2017

Crônica

Publicado 11 de junho de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

Ópera renascentista

 

Conversando em casa sobre ópera e os seus entornos, contornos e retornos artísticos, logo depois de termos assistido a uma no Teatro Atheneu aqui em Aracaju, e eu ter ficado assaz impactado (sou um iniciado nessa mais que nova diletância!) com todos os trechos apresentados dos mais belos espetáculos operísticos do mundo, afirmo – convencido como uma seta no miolo do alvo -, ser a ópera fruto do gênio renascentista: como sabemos e a historiografia dos tempos nos apresenta, o renascimento singulariza uma volta ao brilho helênico nos quesitos forma e substância. Os candeeiros acendiam e ascendiam às trevas, e os pontos-cruz bordariam, no manto escuro da membrana celeste, estrelas multicoloridas determinando o término do apocalipse e a inauguração do solo moderno e alvissareiro das luzes.

Depois da verbalização “teórica-científica”, aguardo a sentença já livre da toga parda-escura que revestia o meu trapézio, e cobri-me com absoluta certeza de que daquele ovo sairia um pinto ou uma omelete, mas que minha glória de sabedor das coisas seria, finalmente, reconhecida e aclamada.

LEDO ENGANO!

Você, elemento sinantrópico que me lê, sabe aquela risadinha que surge no canto da boca como prelúdio de uma galhofa? De uma algazarra? Pois é! O riso explodiu e os fatídicos cogumelos em face japonesa eram mínimas frações nucleares perto do que vivia naquele instante. O sonoro gás do escárnio não quebrava apenas as moléculas atômicas das minhas convicções acadêmicas: também rasgavam e trituravam as células da minha fantasia de busca intelectual! E a matéria do que já tinha sido entrou para o universo paralelo da pós-verdade. Do pseudo.

Ao entregar essa crônica para minha revisora, ela, entre o exercício da docência e o riso benevolente de quem sabe das coisas, disse: “Que drama, Moreno! Não exagere nesse tema! A ópera talvez seja a manifestação artística mais completa até hoje criada pelo ser humano. Nela podemos encontrar elementos criativos para além da música; como o teatro, a literatura, as artes visuais e tantos outros. O que é relevante não é o período germinal da espécie artística! Isso é o de menor valia. O que é medular para a humanidade é o legado cantado pelos que vieram antes e que deixou indeléveis marcas nas nossas vidas. Vem! Que besteira é essa? Vamos pra rua! É hora de combatermos o golpe e os golpistas! Isso é que é deveras relevante nesse instante! Depois veremos essas outras questões!” E saiu, mais convencida do que nunca, que a hora é agora de gritarmos: DIRETAS JÁ!

Eu, que não sou besta nem nada, agarrei-me na cintura da danada e saímos pelas ruas do centro da capital sergipana, ofertando ao público das ruas, das janelas, portas e outras marquises, o nosso mais forte grito pedindo eleições diretas. O espetáculo farsesco que é apresentado ao povo brasileiro não é senão uma ópera bufa, verossímil das oficialidades que ocupam as instituições da república nacional. É improvável olhar para esse establishment e intuir qualquer avaliação estética e muito menos ética. DIRETAS JÁ, esse é o nosso refrão!

Trapézio

Publicado 2 de junho de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

Trapézio

Crê o trapézio
sustentar o trapezista
e a corda que abraça as
perpendiculares,
amalgama de
lenha e lã
continente gravítico
do músculo circense.

Vê o trapézio
o corpo minúsculo da célula
escrever passos na moldura
geométrica da experiência
mambembe.

Sabe o trapézio
que a massa desenha alfabetos
na atmosfera do picadeiro
e imprime no bronze
o politeísmo dúbio
da teometria torta
do medo.

Cala o trapézio
quando a costura monociclista
do moinho
pedala no equilíbrio
do pesponto
emendando a flor esférica
ao vazio do abismo.

Finda o ginasta
a hipnose elástica do exílio
quando a segunda potência
desperta o silêncio
ao som afinado de
boa noite!

Ítalo de Melo Ramalho
1.V.2017

Crônica

Publicado 2 de junho de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

CRÔNICA: A tinta, o caderno e a dádiva

 

Para d. Terezinha Alves de Melo Ramalho

 

Ao nascer, Deus perguntou-me: “O que queres?”. Sem pestanejar, respondi: “O chão!”. Ele sorriu maliciosamente como um jogador de baralho em blefe, e percebeu que eu era igual às outras sementes: sempre à espera da canastra real. Sendo assim, retalhou e me entregou um pedaço raso de couro de carneiro medindo 19,04 por 19,74 centímetros, e disse: “Taí o seu caderno! Borde letras com fios do próprio sangue, derramando-o na geografia áspera da celulose!”.

 

Uma sensação estranha ferveu nas minhas vísceras. Fiquei atônito com aquela possível liberdade de desfiar o meu rosário de penas no infinito mundo mágico do cartear. Ora! Que liberdade seria essa se ao menos não posso querer permanecer ou, sendo mais astuto, prolongar a permanência até desaparecer no espaço como uma nuvem silenciosa que trafega para o abismo do éter? Ou será que eu poderia escolher sumir de maneira abrupta como o concreto que evapora das mãos ilusionistas do crupiê? Definitivamente estava no cárcere perpétuo das dúvidas!

 

Não havia o que fazer! Peguei o meu caderno e saí aos pinotes pelo labirinto das hostilidades. Saltando pedra em pedra! Escalando serra a serra! Submergindo vala a vala! As cortinas que se abriram e se abrem são as mesmas que se fecharam e se fecham. Os teatros e as suas encenações existem aos montes e sempre existirão! E eu mesmo ainda não tinha me dado conta de que o meu palco já se iluminara há tempos. Hoje, às vésperas dos quarenta e três anos, vejo fachada, nave e cúpula precisando de cuidados clínicos.

 

É, o tempo caminha parelho com as formas e, principalmente, com as substâncias. E falando dessa última em específico, lembro da magistral diretora que soube conduzir o elenco uno do meu mundo, com instantes de doce de leite e vestes de cambraia bordada; e outros com cenas de sola de couro e borracha da amazônia.

 

Tinha um zelo dedicado à minha simplória personagem sem máscaras. Ensinou-a a soprar os primeiros “ais”. Foi muleta quando era necessário equilibrar a carne no trapézio, e é corpo quando sustenta nos braços finos o peso de cinco arrobas. Foi mestra quando a palma da sua mão engolia o dorso da minha e guiava o preenchimento caligráfico do couro escolar. Foi e é algodão quando os lábios tocam a fotografia sustentada na parede. E é falível quando diz que a saudade corrói lentamente a esperança, mas nem por isso deixará de vibrar o êxtase do encontro que vivo em desatada sangria.

 

Minha diretora ensina-me que um mais um são dois. E que dois são trilhões de possibilidades algorítmicas, que extrapolam o quadro aritmético e assentam a poeira do surto na comunhão dos olhos e dos oceanos que encerramos em nós.

 

Assim, temperando o meu caderno com tinta e dádiva, a diretora também me ensinou, ensina e ensinará sempre, a temperar o lúdico do inesperado com a lógica do cartesianismo no jogo das cartas. Sigo construindo os meus seguidos e já conto com uma jangada real de paus na mesa. Foi com essa canastra que encontrei o meu casebre realista de grandes novidades e o meu imenso castelo de futilidades!

 

Ítalo de Melo Ramalho

10.IV.2017

Crônica

Publicado 2 de junho de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

SAUDADE e ESPERANÇA

 

Na minha casa tem um ipê. Árvore frondosa, cheia de vida, de sangue e de seiva. É um ipê atípico: vive florido no mais inóspito dos chãos e, mesmo assim, perpassa o mundo continental como a agulha que fura a derme do algodão mansamente; seus galhos se estendem, abraçando toda a terra entre a superfície e a atmosfera, sem hesitar entre a ordem, o fator e o resultado; sua copa é tão alta que o céu, em reverência e entorpecido, beija a testa da sua exuberância de maneira que eu confundo o azul celeste com o azul divino nas perspectivas horizontal e vertical do olho no oco profundo das linhas geométricas do ser e do nada.

 

Fico ali: mudo, arrebatado, absorto… sem saber se o céu é parte separada do todo, ou se o meu ipê atinge medidas que o danado não passa de uma trama divina e, portanto, literária, com o fim de tornar possível a sua existência. Pois, para ornar o azul do meu castelo, só a crença em Deus, chancelando o demasiadamente humano.

 

Faz algum tempo que tenho de cor uma sextilha atribuída ao titânico Pinto do Monteiro (Monteiro é um reino do cariri paraibano), cantador e rapsodo de quengo rápido como coice de preá, e de língua mais afiada que bisturi de madeira de lei. Aquele que corta a carne e empacota a alma! Pinto, ao definir o sentimento semântico da palavra verdade, diz, em um dado instante (nos dois últimos versos), que a “a saudade só é saudade/ quando perde a esperança!”. Que beleza de imagem! Recordei de um programa de televisão sobre poesia da TV Senac chamado “Literatura”.

 

Naquela ocasião, o programa foi especialmente dedicado a essas duas regiões vizinhas: o cariri paraibano e o pajeú pernambucano. E já que estamos nos debruçando por essas selvas, para uns, e jardins, para outros, da abstração e concretização da imagem poética, venho trazer a vocês que me leem, a resposta que um rapaz de 12 anos, residente, no tempo da reportagem, na cidade de São José do Egito – “terra de quem não é doido é poeta!” – no estado de Pernambuco (e que por acaso é limite com a já histórica Monteiro, localizada no emblemático estado da Paraíba, minha mãe espacial), respondeu ao repórter fuzilando-o com uma resposta límpida e sem pólvora. Apenas com a dureza do mármore sertanejo. Pergunta o inquisidor: “Pra você, o que é poesia?”. Responde o certeiro Davi: “É o sublime!”. Aquilo continua sendo o suficiente para mim. Para minha indomável sede de encontrar a paleta com a qual Deus pintou e bordou a vida.

 

Por isso eu me entendo e me desentendo com a verdade do poeta. Entendo o sentido e o estalo mágico da criação poética. Mesmo sem ser de longe um mediano artesão da palavra. Mas reconheço o encanto e o desanuviamento que as/os musas/os  provocam na gema dos/as fabulosos/as poetas. E me desentendo, no sentido de não concordar com o menestrel (porém, o compreendendo perfeitamente), pois não é apenas a ausência do amor que nos lembrará do ser amado. Como também não é somente a saudade que moverá a esperança.

 

Eu e meu ipê, frondosamente azul, estamos mergulhados na desconhecida estância da saudade. As nossas saudades não são do tempo nos quais se inventam e se inventavam cores para as árvores. São do tempo em que inventaríamos ipês para coser um coração etéreo em um espírito de carne.

Ítalo de Melo Ramalho

22.III.2017

Ipê azul

Publicado 24 de março de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

SAUDADE e ESPERANÇA

 

Na minha casa tem um ipê. Árvore frondosa, cheia de vida, de sangue e de seiva. É um ipê atípico: vive florido no mais inóspito dos chãos e, mesmo assim, perpassa o mundo continental como a agulha que fura a derme do algodão mansamente; seus galhos se estendem, abraçando toda a terra entre a superfície e a atmosfera, sem hesitar entre a ordem, o fator e o resultado; sua copa é tão alta que o céu, em reverência e entorpecido, beija a testa da sua exuberância de maneira que eu confundo o azul celeste com o azul divino nas perspectivas horizontal e vertical do olho no oco profundo das linhas geométricas do ser e do nada.

 

Fico ali: mudo, arrebatado, absorto… sem saber se o céu é parte separada do todo, ou se o meu ipê atinge medidas que o danado não passa de uma trama divina e, portanto, literária, com o fim de tornar possível a sua existência. Pois, para ornar o azul do meu castelo, só a crença em Deus, chancelando o demasiadamente humano.

 

Faz algum tempo que tenho de cor uma sextilha atribuída ao titânico Pinto do Monteiro (Monteiro é um reino do cariri paraibano), cantador e rapsodo de quengo rápido como coice de preá, e de língua mais afiada que bisturi de madeira de lei. Aquele que corta a carne e empacota a alma! Pinto, ao definir o sentimento semântico da palavra verdade, diz, em um dado instante (nos dois últimos versos), que a “a saudade só é saudade/ quando perde a esperança!”. Que beleza de imagem! Recordei de um programa de televisão sobre poesia da TV Senac chamado “Literatura”.

 

Naquela ocasião, o programa foi especialmente dedicado a essas duas regiões vizinhas: o cariri paraibano e o pajeú pernambucano. E já que estamos nos debruçando por essas selvas, para uns, e jardins, para outros, da abstração e concretização da imagem poética, venho trazer a vocês que me leem, a resposta que um rapaz de 12 anos, residente, no tempo da reportagem, na cidade de São José do Egito – “terra de quem não é doido é poeta!” – no estado de Pernambuco (e que por acaso é limite com a já histórica Monteiro, localizada no emblemático estado da Paraíba, minha mãe espacial), respondeu ao repórter fuzilando-o com uma resposta límpida e sem pólvora. Apenas com a dureza do mármore sertanejo. Pergunta o inquisidor: “Pra você, o que é poesia?”. Responde o certeiro Davi: “É o sublime!”. Aquilo continua sendo o suficiente para mim. Para minha indomável sede de encontrar a paleta com a qual Deus pintou e bordou a vida.

 

Por isso eu me entendo e me desentendo com a verdade do poeta. Entendo o sentido e o estalo mágico da criação poética. Mesmo sem ser de longe um mediano artesão da palavra. Mas reconheço o encanto e o desanuviamento que as/os musas/os  provocam na gema dos/as fabulosos/as poetas. E me desentendo, no sentido de não concordar com o menestrel (porém, o compreendendo perfeitamente), pois não é apenas a ausência do amor que nos lembrará do ser amado. Como também não é somente a saudade que moverá a esperança.

 

Eu e meu ipê, frondosamente azul, estamos mergulhados na desconhecida estância da saudade. As nossas saudades não são do tempo nos quais se inventam e se inventavam cores para as árvores. São do tempo em que inventaríamos ipês para coser um coração etéreo em um espírito de carne.

Ítalo de Melo Ramalho

22.III.2017