Arquivo de julho 2009

7º vídeo e a Análise do simplório

30 de julho de 2009

Encerramos a série de vídeos Desafios da desigualdade do Profº Ladislau Dowbor. Hoje, a temática deterar-se em responder às dúvidas frequentes.

VEJAM A HISTÓRIA DAS COISAS

FONTE: Agência Carta Maior (www.cartamaior.com.br)

Boaventura de Sousa Santos

A frase “a esquerda é burra” é de autoria de Fernando Henrique Cardoso (FHC), sociólogo de renome internacional e Presidente do Brasil entre 1995 e 2003. Ficou famosa pelo simplismo com que desqualificava os adversários das políticas neoliberais do seu governo. Curiosamente tais políticas desqualificavam tudo o que ele antes tinha escrito enquanto sociólogo, o que o levou a pronunciar outra frase que ficou igualmente famosa: “esqueçam tudo o que eu escrevi”.

Tive ocasião de discutir com ele o significado da frase sobre a esquerda. Discordava do seu sentido mais óbvio e intrigava-me a sua arrogância. Para FHC a frase tinha vários significados: a esquerda ainda não entendera que o neoliberalismo era a única solução para a economia mundial e a melhor garantia contra as propaladas crises do capitalismo; o principal líder da esquerda, Inácio Lula da Silva, era um operário ignorante e sem preparação para governar o país; a esquerda estava minada pelo fraccionismo e nunca se uniria (ao contrário da direita) para assumir o poder. Tragicamente para FHC e seus aliados a frase mostrou-se errada em todos os seus significados desde a eleição de Lula até à crise do agora defunto (ressuscitará?) neoliberalismo.

Mas, apesar disso, a frase ficou como um fantasma da esquerda brasileira, como se a esquerda tivesse de demonstrar a cada momento que não era burra e como se o mesmo ônus não impendesse, por outras razões mas com a mesma justificação, sobre a direita, ela sim, afinal perdedora. É sabido que os fantasmas, tal como os espíritos, atravessam tempos e fronteiras. Tal como discordei da caracterização simplista da esquerda brasileira, discordaria dela se aplicada à esquerda portuguesa. Apesar disso, ante os atos eleitorais que se aproximam, pergunto-me se, a título preventivo e como dúvida metódica, não fará sentido pôr a questão: será a esquerda portuguesa burra? Ou melhor: nos próximos atos eleitorais quem se revelará menos burra, a esquerda ou a direita?

Ao contrário dos confusionistas do costume, dou de barato que há esquerda e direita. Tanto uma como outra são plurais, estão divididas em vários partidos e em várias tendências dentro de cada partido. Se tomarmos como referência as últimas eleições para o parlamento europeu e talvez a maioria dos actos eleitorais desde o 25 de Abril de 1974, os portugueses votam majoritariamente à esquerda. De algum modo, a ideia de solidariedade social tem-se sobreposto à de darwinismo social, a ideia de um Estado protetor à ideia de um Estado predador, a ideia do bem público à ideia do interesse privado. E se é verdade que a esquerda governante tem frustrado consistentemente as expectativas que decorrem destas ideias, não é menos verdade que os portugueses têm teimado em crer que tal não é uma fatalidade e que a direita não oferece uma alternativa exceto em desespero de causa.

Daí que as frustrações com a esquerda governante se tenham traduzido, menos no crescimento da direita, do que no crescimento de opções pela esquerda até agora não governante, um fenômeno inédito na Europa de hoje. Em face disto, e a menos que os portugueses se sintam numa situação de desespero de causa, podemos concluir que, se nos próximos atos eleitorais a direita ganhar, a esquerda é mais burra que a direita.

Nas condições portuguesas, a esquerda corre o risco de ser mais burra que a direita por duas razões principais: confundir-se com a direita; dividir-se ao ponto de não poder unir-se no principal: impedir a eleição de um governo de direita. Pelo que disse acima, quando a direita tenta se confundir com a esquerda (o que tem acontecido frequentemente) corre sempre menos riscos que a esquerda quando esta se confunde com a direita. Por outro lado, a direita tem uma história unitária muito mais consistente que a esquerda. Para que estes riscos se não concretizem, as esquerdas têm de mostrar aos portugueses que o coração da esperança continua a bater mais fortemente que o coração do desespero. Não é tarefa fácil mas não é impossível. E isto que é válido para as eleições legislativas é igualmente válido para as eleições autárquicas. No que respeita a estas últimas, o caso de Lisboa será paradigmático. Parece óbvio que só por desespero se pode votar no candidato da direita. Por sua vez, o candidato principal da esquerda é um dos mais brilhantes políticos da nova geração de líderes de esquerda, só comparável ao líder da esquerda mais inovadora da última década. Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que tal não seja o caso.

O Império Globo

27 de julho de 2009

Fonte: Site vermelho

Programa do Jô: a Globo, a pizza e a marmelada

No Programa do Jô da Rede Globo de Televisão — também transmitido simultaneamente pela rede CBN de rádio — da quarta-feira (22 de Julho), o apresentador e suas “meninas” protagonizaram mais um espetáculo circense. Jô Soares e suas blue caps falaram de comilança a energia nuclear com uma desenvoltura em cada assunto que deixaria os especialistas no chinelo.

Por Osvaldo Bertolino, no blog O Outro Lado da Notícia
A sapiência dessas criaturas sobre física, gastronomia, CPI, Petrobras, Senado Federal, escuta telefônica, macroeconomia, saúde pública e, principalmente, imprensa faz crer que elas foram produzidas em algum laboratório.
Como sabemos que não é nada disso, só podemos concluir que o programa é um palanque cuidadosamente pensado para jogar lama no ventilador. O caso mais escabroso foi a forma como elas trataram a escuta telefônica envolvendo a família do presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP). Em todo o programa o assunto foi ilustrado com alusões à pizza — querendo dizer que o governo estava agindo para deixar na impunidade tanto Sarney quanto a Petrobras. Antes de tudo, a lógica manda perguntar: Quem vazou a gravação para a mídia? Quem pagou pelo vazamento? E quem recebeu a propina? Isso não é corrupção?
Valores a serem preservados
Mas vamos ao mérito da questão — como dizem os advogados. O desmascaramento da farsesca tentativa de cassar o mandato do senador — tramada pela mídia em conluio com os Irmãos Metralhas, Manchas Negras e Superpatetas, acompanhados de supostos inocentes úteis — começa pela constatação de que os “investigadores”, em sua maioria, são os mesmos que se aproveitam da correção que permeia os comportamentos individuais na base da sociedade para se beneficiar de práticas corruptas. O que eles querem, mesmo, como raposas felpudas que são, é encontrar a chave do galinheiro.
No pico da nossa pirâmide social, a corrupção é reconhecida como modo natural de agir, é tolerada e praticada por quase todos. Atos considerados escusos entre o povo podem ser entendidos na elite como valores a serem preservados. Borrões éticos que por aqui soam inaceitáveis lá em cima podem ser compreendidos como elementos da tradição cultural daquelas parcelas da sociedade fundadas no colonialismo, que fazem da corrupção um dos fios constituintes do tecido social.
Charles Darwin leu Adam Smith
O “pecado” de Sarney é o apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só não vê isso quem está munido de viseiras dogmáticas. As acusações que pesam contra ele — que devem ser investigadas por quem de direito, não por esses vigaristas da mídia — são café pequeno perto do que sabe de muita gente da laia da Globo. O problema é que ele tem a ousadia de apoiar um governo que manifesta simpatia por um Brasil imenso e oposto ao Brasil que se imagina mais capaz, mais limpo, gente melhor do que os seres considerados primitivos por serem descendentes de negros e índios.
Seria apaixonante enveredar aqui por uma discussão sobre a moralidade dos povos. Mas os tempos são curtos e basta lembrar, a bem da convicção evolucionista, que Charles Darwin leu Adam Smith e não o contrário — como querem fazer crer os liberais de hoje. Ou seja: o liberalismo não é o fim da história. A rigor, por estar historicamente superado, ele se transformou num terreno fértil para a corrupção. A moralidade se submete aos processos seletivos de variação, adaptação e competição em busca da sobrevivência dos grupos sociais.

Udenista Carlos Lacerda redivivo
Daí a contramarcha histórica da direita, que existe unicamente para preservar seus privilégios, por meio de conchavos entre os agentes que sustentam o satus quo. Se não basta a violência como elemento político, modalidade em que a direita brasileira se destaca historicamente — é só observar a lista de golpes e tentativas de golpes de Estado —, há a constatação ao alcance de todos de que, em matéria de corrupção, os udenistas/dem-tucanos têm muito conhecimento de causa. O rigor moral certamente levaria o país para um severo acerto de contas entre classes sociais.

Mas nada disso conta para Jô Soares e suas “meninas”. O negócio deles é se sentirem um Carlos Lacerda redivivo — aquele histriônico jornalista udenista anti-Getúlio, anti-JK e anti-Jango. Contam com a impunidade para cometer desatinos. E apostam no poder fascista do grupo gigantesco a que pertencem para passar incólumes diante das mentiras que pregam. Trata-se de um grupo especializado em marmeladas.

Métodos abertamente gangsteristas

Até a mais desinformada telespectadora da novela das 8 está cansada de saber que a Globo é o maior grupo empresarial brasileiro do ramo de comunicações. Também não é segredo para ninguém que a Rede Globo de Televisão figura entre as quatro maiores do mundo, atrás somente das norte-americanas ABC, NBC e CBS. Tampouco chega a ser novidade que seus donos, os Marinho, são uma das famílias mais ricas do planeta. O que pouca gente conhece são os números precisos desse grupo de empresas iniciado em 1925, com a fundação do jornal O Globo no Rio de Janeiro. A falta de um balanço consolidado, a convivência de empresas abertas com outras de capital fechado, tudo isso costuma dificultar uma avaliação mais precisa do grupo.
O que se sabe é que o seu controle e participação em cerca de 100 empresas que empregam um contingente de mais de 12 mil funcionários inclui métodos abertamente gangsteristas. Uma das empresas que foi do grupo, a NEC — fabricante de centrais telefônicas, sistemas de telefonia celular, equipamentos de radiotransmissão e fibra óptica —, fundada pelo empresário Mário Garnero em associação com a NEC japonesa, por exemplo, passou às mãos da família Marinho em 1986 por meio de um episódio tenebroso.
Lógica de “segurança nacional”
Garnero alega ter sido obrigado a vender a sua parte na empresa mediante ameaças do então ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães (ACM). A operação custou um milhão de dólares. A mesma empresa foi vendida alguns anos depois por 36 milhões de dólares aos seus donos originais sem que os amigos de ACM investissem um tostão. Em troca, a emissora de ACM (TV Bahia) ganhou a programação da Globo — que havia 18 anos estava nas mãos da TV Aratu, de Salvador. Negociatas deste tipo existem desde que a poderosa rede de televisão nasceu.

A Globo se consolidou pelas mãos da ditadura militar, que escolheu o grupo de Roberto Marinho para difundir a sua política ligada à lógica de ‘’segurança nacional”. Os golpistas precisavam de um canal de televisão oficioso. O Jornal Nacional, o primeiro telejornal transmitido nacionalmente, se caracterizou como o principal programa jornalístico da emissora recém-formada, constituindo um forte espaço para a propaganda oficiosa do regime. A negociata começou em 1961, quando a Globo firmou um contrato principal e um de acordo de assistência técnica com o grupo norte-americano Time-Life.
Contratos da Globo com rasuras
Pelo acordo, a Globo comprou equipamentos a uma taxa de dólar um terço mais baixa do que o valor de mercado em vigor. O grupo Time-Life daria assessoria técnica à emissora. De acordo com o contrato principal, o grupo norte-americano obteria parte dos lucros líquidos da Globo — ou seja, um ato ilegal, já que não podia haver participação estrangeira nos lucros de empresas brasileiras de comunicação.
No contrato de assistência técnica constava a “obrigação” de o grupo Time-Life “colaborar” na elaboração do conteúdo da programação e noticiários — mais uma prática proibida.
Era uma violação do código brasileiro de telecomunicações da época. O acordo sequer foi apreciado pelo Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel). Apenas dois anos após a assinatura dos contratos a Globo enviou um deles — o de assistência técnica — para a Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) — hoje com o nome de Banco Central (BC). Mesmo assim, os documentos não puderam ser lidos porque continham muitas rasuras. O contrato sem rasuras só seria entregue, por ordem do Contel, em julho de 1965.
“Manifesto” denuncia atos da Globo
Novamente para burlar as leis, a Globo, com o escândalo instaurado, trocou o contrato principal por um de arrendamento de um terreno onde se localizava a sede da televisão. Pelo contrato, a Globo seria locatária de um prédio vendido ao grupo Time Life. O problema é que o documento foi feito antes da venda do local aos norte-americanos. Ou seja: a Globo alugou um prédio que era seu. Em troca do uso, a televisão se comprometeu a pagar 45% do lucro líquido da empresa pelo aluguel. Somando aos 5% do lucro liquido, destinado à assessoria técnica, o grupo norte-americano detinha 50% da Globo.

A participação do grupo Time-Life como sócio majoritário num meio de comunicação com concessão pública era uma violação da legislação brasileira. Para impedir qualquer tipo de fiscalização, alguns documentos da transação desapareceram. Depois de muita insistência do Contel, a Câmara dos Deputados, contrariando os militares golpistas, decidiu instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. O assunto ganhou dimensão de escândalo público quando empresários do setor lançaram um ”Manifesto à Nação” denunciando os atos da Globo e a entrada do capital estrangeiro na imprensa brasileira.

CPI condena Globo por unanimidade

Assinaram o documento representantes de O Estado de S. Paulo, da Folha de S.Paulo, do Diário de S. Paulo, de A Gazeta, de A Gazeta Esportiva, do Diário da Noite, do Diário Popular, do Jornal da Tarde, da Última Hora, do Notícias Populares, de A Tribuna, de O Diário de Notícias Alemãs, do Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas do Estado de São Paulo, da Associação das Emissoras de São Paulo e do Sindicato das Empresas de Rádio-Difusão do Estado de São Paulo — além de entidades empresariais do setor no então Estado da Guanabara e até em outros países da América do Sul.

No dia 22 de agosto de 1966, a CPI divulgou a condenação, por unanimidade, da Globo. ”Os contratos firmados entre a TV-Globo e o grupo Time-Life ferem o Artigo 160 da Constituição, porque uma empresa estrangeira não pode participar da orientação intelectual e administrativa de sociedade concessionária de canal de televisão; por isso, sugere-se ao Poder Executivo aplicar à empresa faltosa a punição legal pela infrigência daquele dispositivo constitucional”, dizia o parecer do relator, deputado Djalma Marinho, que pertencia à Arena, o partido que sustentava a ditadura militar.

Ditadura dá passe livre para a Globo

O primeiro presidente do ciclo militar, Humberto Castelo Branco, pedira que o caso fosse investigado. Mas seu sucessor, Artur da Costa e Silva, decidiu não acatar a decisão da CPI e apoiar oficialmente a Globo. Em 1969, o grupo Time-Life desistiu dos contratos. A emissora de televisão da família Marinho, no entanto, já era um poderoso meio de comunicação — posição conquistada por meio de linhas de créditos abertas pela então estatal Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel).

“Sinto-me feliz todas as noites quando assisto ao noticiário, porque na Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz”, disse certa vez o terceiro general no poder, Emílio Garrastazu Médici. Desde então, a Globo ganhou passe livre para agir à vontade — sem respeitar os limites do que se pode chamar de convivência democrática. Eis as vísceras desse gigante que tenta empurrar a sua “democracia” e a sua “ética” goela abaixo dos brasileiros por meio de gente inescrupulosa como Jô Soares e suas “meninas”.

6º vídeo, Amy Winihouse, Mossoró e Carlos Lessa.

23 de julho de 2009

LADISLAU DOWBOR

Chegamos ao 6º vídeo da série “Desafios da Desigualdade: Tecnologia para a Inclusão Social” do Profº Ladislau Dowbor. Bem sabemos que as paixões, justificada pela peculiar falta do elemento racional completamente absorvido pelo o sentimento, restringe uma avaliação digna que alguns mestres merecem, não é razoável, tampouco inteligente, abster-se das opiniões de figuras relevantes para o conhecimento do nosso Brasil.
“Os processos redistributivos são essenciais. No caso brasileiro, com o Bolsa Família, o aumento da capacidade de compra do salário mínimo, o financiamento da agricultura familiar e outros programas, houve um aumento significativo, ainda que incipiente, da redistribuição. No médio prazo, no entanto, os programas têm de ir além da redistribuição, e organizar a inclusão produtiva. Nunca é demais lembrar que 51% da População Economicamente Ativa do Brasil está no setor informal”.

CARLOS LESSA

“Essa crise só surpreendeu quem seria surpreendido”.
“Eu quero é mais PAC.”
São com essas conclusivas afirmações que o pensador Carlos Lessa(pois o economista de formação já deu margem a interpretação multidisciplinar que só aos grandes é permitido ter, uma visão holística), inicia a sua inquirição concedida à revista “Desafios do Desenvolvimento” publicação do IPEA.
Defensor da regularização do mercado pelo Estado, motivo pelo qual o Brasil, com êxito, permanece vivo economicamente, interagindo sem o famoso complexo de vira-lata com as demais Nações, assumindo com vivacidade a sua soberania que, com relevância lhe chanta os marcos do descortinado progresso social, sedimentado na equidade do regime democrático de Estado.

http://desafios.ipea.gov.br/default.jsp

AMY WINEHOUSE

Confiram amigos a qualidade musical desta moça. É impressinante!

MOSSORÓ

A crise financeira atual, não diferente das passadas, afetou gravemente a arrecadação do município de Mossoró. Antes 27,  hoje 24 milhões de reais mensais. Advinharam? O corte de gastos “inevitavelmente” foi parar na secretaria de Cultura. Já foi anunciado o cancelamento do Auto da Liberdade, manifestação cultural que onerava em demasia os gastos do município. Mossoró sem pão e sem circo.

A antiga UDN, Arena, PDS, PFL e atualmente a fantasia partidária denominda de Democratas (DEM), dão nome aos mesmos indivíduos defensores do modelo de Estado Mínimo. Estes jamais se preocuparam com a condição humana da sociedade. Há pouco tempo, ouvia-se os comentários de que a cidade de Mossoró concorria ao título cidade/capital da cultura. Está aqui mais excelente ocasião para ler e ouvir o Profº Ladislau Dowbor ao invés de procurá-lo numa esquina.

Operários do Direito: será utopia?

23 de julho de 2009

Em artigo publicado no sítio Correio da Cidadania, o professor João Baptista Herkenhoff, livre docente da UFES, relata com transparência a função de cada Operário do Direito e suas devidas obrigações Éticas.

Juízes, Advogados, Ministério Público, Serventuários e Funcionários, Doutrinadores e Mestres docentes, todos estes empenhados numa sistematização da Justiça. Leiam:

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/3526/56/

Poema (inédito)

23 de julho de 2009

 

O vento nas telhas cantarola

o Apocalíptico canto díspare

da indomável Rainha Caetana.

O cárcere preludial mostra-se

inteiramente trajado de candura,

Senhor das serras, dono do horizonte.

 

A aragem sertaneja bafeja do Leste

amansando a indócil nobreza.

A rede retarda ao impulso investido

velando com apreço o precioso sono

sustentando em escápulas: o Barbatão.

Rei dos pedregosos lajedos seridoenses,

altar das crendices ascéticas e de

implacáveis caçadas à Onças e Homens,

sob o infeliz jugo seco do meio-dia.

Místico-selo da estrela zodiacal.

 

A marcha em terras claro-escuros,

ásperas e de laminados gumes

vigora as transfiguradas efígies

Nazarenas, dos fiéis soldados.

Combatentes da morte-matada

nos cinzentos vergeis setentrionais,

Vila libertária de Gaviões e Cobras de chocalho.

Onde o tempo ceifa sem cessar

a taciturna e açoitada vida Verde

pela senilidade algoz dos vinte.

Finalizado em 02.V.2005. Ítalo de Melo Ramalho

5º Vídeo

16 de julho de 2009

A série Desafios da Desigualdade promovida pelo o Profº Ladislau Dowbor, apreciará em minúncias O Papel do Estado e da Sociedade Civil.
“Foi-se o tempo em que dominava a visão simplificadora de uma dinamização produtiva que produziria naturalmente empregos para a população, impostos para o Estado, e prosperidade para todos, na linha do chamado “trickling down”, literalmente “gotejamento para baixo”. As gotas são muito poucas. Com a perda progressiva da capacidade reguladora do mercado (financeirização, oligopolização e globalização) torna-se cada vez mais evidente a necessidade de se articular de forma ampla o Estado, a empresa e a sociedade civil em pactos de desenvolvimento centrados na qualidade de vida e na sustentabilidade a longo prazo”.

O velho Gilberto Freyre.

9 de julho de 2009

Gilberto Freyre rejeitou ideias racistas em ensaio de interpretação do Brasil

A GUERRA DAS RAÇAS

(…)

Gilberto Freyre atacou, em Casa-Grande & Senzala, as concepções raciais e os determinismos climáticos adotados tanto pelos nacional-socialistas quanto por intérpretes consagrados do Brasil, como o crítico Sílvio Romero, o escritor Euclides da Cunha e o sociólogo Oliveira Viana, que responsabilizavam o clima tropical insalubre e as populações mestiças, tidas como neurastênicas e degeneradas, pelo atraso do país. Freyre mostrou, ao contrário, que a origem de tal atraso estava em causas sociais de alimentação e higiene.

Ao contrário dos intelectuais da época, que olhavam com desprezo as manifestações populares, Freyre valorizou a cultura brasileira por seu caráter sincrético e criticou os preconceitos sobre a inferioridade dos negros, índios e mestiços e a visão pessimista do país adotada pelas elites e pelos intelectuais. Mostrava ser desprovida de fundamento a afirmação da superioridade ou da inferioridade de uma raça sobre a outra, ainda que acreditasse na existência de uma hierarquia entre as diversas formas de cultura.

Conseguiu assim a façanha teórica de dar caráter positivo ao mestiço. Hermano Vianna observou, em O Mistério do Samba, que o brasileiro “passou a ser definido como a combinação, mais ou menos harmoniosa, mais ou menos conflituosa, de traços africanos, indígenas e portugueses, de casa-grande e senzala, de sobrados e mucambos”.3 Antes vista com um misto de horror e vergonha, a mestiçagem se convertera em fusão harmoniosa de raças e culturas e em valor a ser preservado, por garantir a especificidade do Brasil diante de outras nações.

Roquete-Pinto lançara idéias semelhantes, ao desmoralizar, no Congresso de Eugenia em 1929, a crença na má qualidade do mestiço brasileiro e a necessidade de sua substituição pelo imigrante europeu, com o objetivo de purificar e branquear a população brasileira. Defendia, em seu lugar, o aperfeiçoamento educacional e político, única solução para os males do país. O médico e historiador sergipano Manoel Bomfim apresentara idéias semelhantes em A América Latina, livro de 1905, massacrado por Sílvio Romero, que despejou sobre seu autor uma enxurrada de 25 artigos irados.4

Casa-Grande & Senzala teve o impacto de um manifesto cultural e político por sua contundente crítica ao racismo e pelo enfoque inovador da escravidão, da monocultura e do latifúndio, sob a ótica da cultura e da economia. Formulava, já no prefácio, sua ruptura com as teorias racistas e relatava sua conversão quase mística à abordagem culturalista, ensinada por Franz Boas no departamento de antropologia de Columbia. O jovem Freyre transformava o anti-racismo de Boas em profissão de fé, que iria substituir seu protestantismo dos tempos de aluno do Colégio Americano Gilreath no Recife ou de pregador batista nos bairros pobres da cidade, e ainda enquanto estudante com bolsa de estudos da Igreja protestante na Universidade de Baylor, em Waco, Texas.

Conta assim, no prefácio de Casa-Grande & Senzala, a profunda impressão que lhe causaram os ensinamentos do mestre Boas:

– Foi o estudo de Antropologia sob a orientação do Professor Boas que primeiro me revelou o negro e o mulato no seu justo valor – separados dos traços de raça os efeitos do ambiente ou da experiência cultural. Aprendi a considerar fundamental a diferença entre raça e cultura; a discriminar entre os efeitos de relações puramente genéticas e os de influências sociais, de herança cultural e de meio. Neste critério de diferenciação fundamental entre raça e cultura assenta todo o plano deste ensaio.

Mas essa conversão ao culturalismo não se deu apenas nas salas de aula e nas bibliotecas de Nova York e Washington. Surgiu também de uma cena de rua, da qual nasceu toda a sua obra. Depois de mais de três anos de ausência do país, viu em Nova York um bando de marinheiros brasileiros do navio Minas Gerais, que andavam pela neve mole do Brooklyn, conforme contou em carta a Oliveira Lima, de janeiro de 1921, e depois no préfacio de seu livro de 1933. Tais compatriotas mestiços lhe pareciam, pelo aspecto doente e desgracioso, “caricaturas de homens”, cuja debilidade física não resultaria de traços raciais inferiores ou de taras hereditárias, mas da persistência, através de gerações, de condições sociais e econômicas desfavoráveis ao desenvolvimento humano.

O passado escravocrata brasileiro deixara como saldo a pesada herança da monocultura e do latifúndio, responsáveis pelas deficiências alimentares da subnutrida população nacional. Freyre propôs portanto a superação da idéia de raça e a sua substituição por um enfoque centrado na economia e na cultura, no que se aproximava de antropólogos brasileiros, como Artur Ramos e Roquete-Pinto, e de escritores latino-americanos, como o cubano Fernando Ortiz, o mexicano José Vasconcelos e os peruanos José Carlos Mariátegui e José Maria Arguedas.

Manteve porém, em uma das muitas contradições de seu pensamento, um viés evolucionista, ao tomar a raça como sinônimo de caráter e cultura e acreditar na existência de povos mais ou menos adiantados, o que entrava em contradição com a pretendida superação dos modelos biológicos e raciais. Afirmou a existência de culturas superiores, como os africanos maometanos trazidos da África, adeptos de uma religião monoteísta, cuja presença na colônia portuguesa teve uma função civilizadora. Proclamou a superioridade técnica do negro sobre o indígena e até sobre o branco no que se refere ao trabalho de metais, à criação de gado, à alimentação e à culinária.

Essa mistura peculiar de culturalismo e evolucionismo se explica, em parte, pela admiração que tinha, na juventude, por autores positivistas, como o francês Hippolyte Taine, para quem a história era determinada por meio, raça e momento, o filósofo Auguste Comte, que pregava a existência de fases lineares do desenvolvimento humano e social, e sobretudo o inglês Herbert Spencer, que concebia o homem e a sociedade como regidos pelo princípio da evolução, que caminharia sempre do simples para o complexo, do homogêneo para o heterogêneo. Bebendo nas mesmas fontes de intérpretes do Brasil como Sílvio Romero e Euclides da Cunha, cujas idéias racistas iria rejeitar, Freyre deu aos 16 anos sua primeira conferência, em Paraíba (atual João Pessoa), sobre “Spencer e o Problema da Educação no Brasil”.

Segundo seu biógrafo Vamireh Chacon, Gilberto Freyre captou de Spencer a importância das vestimentas, da alimentação e da “arte da vida”, com os detalhes significativos do cotidiano. Spencer tinha também uma visão ecológica de defesa do meio natural, que Freyre adotaria em Nordeste, de 1937, que definiu como uma “tentativa de estudo ecológico” da região. Voltou ao filósofo inglês no livro metodológico de 1945, Sociologia, tomando-o como um dos iniciadores dos estudos sociológicos, ao lado de Comte.

Freyre se manteve preso, de forma ambígua, às idéias de raça e etnia, apesar de rejeitar o racismo de Romero, Euclides ou Nina Rodrigues, como mostrou Luiz Costa Lima em A Aguarrás do Tempo. A permanência de uma lógica racial em Casa-Grande & Senzala abala a insistente pretensão de originalidade de Freyre, que recorria às lições culturalistas de Franz Boas, contrário a qualquer tipo de evolucionismo, para se distanciar de seus antecessores brasileiros.

Ainda que criticando as teorias que atribuíam uma inferioridade congênita ao negro, Freyre admitia a influência do meio e a possibilidade de transmissão hereditária dos caracteres adquiridos. Recusava o determinismo étnico, mas continuava a usar o conceito de raça, mesmo privilegiando o de cultura, ao contrário de seu mestre Boas, para quem o conceito de cultura deveria abolir o de raça. Discriminava, conforme afirmou no prefácio de Casa-Grande & Senzala, os efeitos da raça e da cultura, mas não anulava as considerações de ordem étnica, ao atribuir um valor psicológico às raças e exaltar o seu cruzamento, o que entrava em conflito com a pretensa superação dos modelos étnicos e biológicos. Afirmava assim, em Sobrados e Mucambos: “A raça dará as predisposições; condicionará as especializações de cultura humana”.

Freyre tomou a raça, o meio e a cultura como fatores inter-relacionados, em que a posição dominante é ocupada ora pelo fator cultural, ora pelo étnico. O povo português teria, segundo ele, uma predisposição para a colonização híbrida e escravocrata dos trópicos, em decorrência de seu passado de povo indefinido entre a Europa e a África. A forte miscigenação praticada na península Ibérica, povoada por levas sucessivas de tribos germânicas e invasores mouros, além das próprias populações nativas, aliada à proximidade geográfica e climática com a África, teria favorecido o êxito da colonização portuguesa nos trópicos. Freyre adotou portanto um culturalismo bastante curioso, pois tomava os fatores étnicos e culturais como sendo mediados pela atuação do meio, no que se afastava de outros historiadores culturalistas, como Sérgio Buarque de Holanda, que publicou Raízes do Brasil em 1936, três anos depois de Casa-Grande & Senzala.

O historiador Ricardo Benzaquen de Araújo julga porém que Freyre criou um conceito de raça original, ainda que pouco ortodoxo do ponto de vista da teoria antropológica. Sua inesperada adesão a explicações étnicas e biológicas adquiria um sentido próprio, já que entendia raça como sinônimo de caráter, resultante de caracteres adquiridos ou herdados. Seguia portanto uma concepção neolamarckiana de raça, baseada na aptidão do homem para se adaptar a diferentes condições ambientais e para incorporar e transmitir as características resultantes da interação com o meio. Atualizava as idéias do biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) sobre a transmissão hereditária das modificações nos organismos, das quais resultariam as mutações das espécies.

Freyre substituía o evolucionismo biológico de Euclides da Cunha ou Oliveira Viana por um evolucionismo culturalista, em que a raça era enfocada em termos psicológicos enquanto predisposição psicológica, capaz de atuar no processo de mestiçagem. Celebrava o cruzamento de raças e culturas, até então condenado pelos racistas e poligenistas, e destacava as contribuições dos negros e árabes para a cultura brasileira, subvertendo a hierarquia racial e desafiando a pretensa superioridade dos brancos.

Comparou, com base nos antropólogos Nina Rodrigues e Melville Herskovits, os diversos grupos africanos transplantados para o Brasil, cuja contribuição à sociedade nacional enfatizou em detrimento das tribos indígenas, tidas como atrasadas ou inferiores em termos culturais. Apresentou a provocativa tese de que os escravos africanos, sobretudo os maometanos, atuaram como fator civilizatório, ao trazer hábitos de higiene e alimentação que influenciaram os nem tão castiços senhores portugueses. Chamou, em Sobrados e Mucambos, a Bahia de “Virgínia brasileira”, por ser região de mestiçagem intensa, penetrada pelo “melhor sangue que o tráfico negreiro trouxe para a América” e pela “cultura mais alta” que a África transmitiu ao continente americano.

A profunda influência dos africanos no Brasil chegou até mesmo ao nível da fala, modificada e amolecida pelos escravos, que deslocaram a colocação dos pronomes para antes do verbo, dando um novo ritmo e musicalidade à língua portuguesa. O sociólogo procurou incorporar à escrita de Casa-Grande & Senzala tal fluência da fala brasileira, rompendo com a pretensa erudição dos ensaístas que o antecederam.

(…)