Poema (inédito)

 

O vento nas telhas cantarola

o Apocalíptico canto díspare

da indomável Rainha Caetana.

O cárcere preludial mostra-se

inteiramente trajado de candura,

Senhor das serras, dono do horizonte.

 

A aragem sertaneja bafeja do Leste

amansando a indócil nobreza.

A rede retarda ao impulso investido

velando com apreço o precioso sono

sustentando em escápulas: o Barbatão.

Rei dos pedregosos lajedos seridoenses,

altar das crendices ascéticas e de

implacáveis caçadas à Onças e Homens,

sob o infeliz jugo seco do meio-dia.

Místico-selo da estrela zodiacal.

 

A marcha em terras claro-escuros,

ásperas e de laminados gumes

vigora as transfiguradas efígies

Nazarenas, dos fiéis soldados.

Combatentes da morte-matada

nos cinzentos vergeis setentrionais,

Vila libertária de Gaviões e Cobras de chocalho.

Onde o tempo ceifa sem cessar

a taciturna e açoitada vida Verde

pela senilidade algoz dos vinte.

Finalizado em 02.V.2005. Ítalo de Melo Ramalho

Anúncios
Explore posts in the same categories: Literatura

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: