Arquivo para junho 2010

A instituição do fracasso

22 de junho de 2010

A instituição do fracasso – A educação da ralé

A Educação em seu papel decisivo de tornar uma sociedade igualitária, comprometida com a cidadania, não surte efeito quando a desorganização familiar e a má-fé institucional determinam o fracasso escolar seguido do fracasso profissional.
O texto exemplifica dois casos para compararmos, o da família organizada e o da família desorganizada. Formadas por sujeitos de baixa renda, estes dois grupos familiares se distinguem pela a afeição ao mundo escolar que caracteriza fortemente a sua inserção no mercado capitalista como úteis e produtivos a sociedade. Porém, um outro fator irá determinar os passos a serem seguidos, quando a omissão estatal faz-se presente por meio do corpo do corpo docente. Professores incapacitados exercem com petulância o seu papel – alguns deles vítimas do próprio sistema no qual hoje são parte integrante – segregacionam consciente ou inconsciente aqueles que se ajustam às exigência e tem bom desempenho, e aqueles que não se ajustam e fracassam, ou seja, os que podem ser úteis futuramente à sociedade e aqueles que estão fadados ao fracasso e às posições desqualificadas e pouco úteis.
A má-fé institucional na rede pública, gira em torno de uma seletividade que naturaliza classes sociais como vítimas de sua constituição biológica e não como vítimas de uma processo de socialização específico, o que afeta em cheio a ralé, que nunca foi alvo de uma política pública destinada a reinventá-la como classe social integrante desta sociedade capitalista excludente. O fracasso da ralé, está numa proximidade constante com o processo histórico dado no Estado brasileiro e sua subdivisão de seres humanos capazes e incapazes, e assim continua com os “dignos”, os que habitam mais ao centro, e os “indignos” que permanecem nas periferias, marginais as políticas públicas.

Anúncios

A demissão do Estado

22 de junho de 2010

A demissão do Estado

As medidas políticas tomadas nos anos 70, fizeram proliferar a divisão social assentada na política econômica neoliberal, que acentuou o surgimento de lugares de relegação. Tais redutos transformaram-se num emblema para os críticos do intervencionismo do Estado na aplicação de suas políticas públicas associando eficácia e modernidade à empresa privada.
Para o êxito deste modelo houve uma conjunção de forças afim: “ pensadores carentes de poder e poderosos carentes de pensamento”, como cita o próprio Pierre Bourdieu. São essas forças, ávidas em gerir o serviço público como se fossem empresas privadas que deturpam a imagem do serviço público em nome de uma produtividade efêmera e desqualificada do que chamam lógica de mercado.
Este modelo descaracterizador de corações e mentes, atinge fortemente os menos protegidos que são os jovens. Vítimas do “efeito dp destino” e suas verdades completas e absolutas.
A farsa empregada pelo neoliberalismo impossibilita comparar uma alocação financeira à atos de solidariedade. As medidas paliativas são meios de estabelecer uma reordenização, e com isto acalmar as transgressões em movimento permitindo o consumo como um prêmio, porém sem um devido acompanhamento “didático” sobre como usufluir destas transferências do econômico e cultural. O ciclo vicioso, repetitivo, proposto pelo Estado neoliberal, fere profundamente o direito a oportunidade. Os que vivem nas margens, nas periferias são ordenados a este modelo único de presente e futuro oferecido por esta estrutura aniquiladora de sonhos. Estes lugares ganham atenção esse caracterizam como principais desafios da luta política que, paradoxalmente, agem desfavoravelmente contra os setores críticos da sociedade.

Vendedora de AULAS!?

19 de junho de 2010

Pois é! Na universidade em que sou acadêmico do curso de Direito (UnP), a docente num breve momento de irritação pediu um comportamento de respeito a sua pessoa, ja que a turma excedia-se em conversas. Para mim nada mais justo. Mais aí vem a pérola soprada pela mestre: “eu sou uma vendendora de aulas e vocês pagam caro”. Num breve momento de lucidez a mestre expôs com dignidade o que ela e a instituição que representa de fato são: VENDEDORES DE AULA.