Rousseau

A pluralidade em Rousseau é nítida, não há contrastes evidentes em seu pensamento iluminista. Suas divagações percorrem firmemente campos como: a passagem do estado de natureza ao estado civil, momento em que o homem legitima a liberdade moral por meio da servidão representativa, pratica-se o exercício da soberania na seara da política com a problemática da escravidão e o surgimento da propriedade.

Em um momento de catarse, d purificação, o homem busca a redenção dentro do que Rousseau chama de estado civil ou estado de obediência legal. O Estado aparece como um órgão regulamentador de condutas diante do que intitulou de Contrato Social, nas quais, os assim chamados de “associados” abdicavam dos seus direitos em proveito da vida em grupo. Este modelo tem por finalidade reger um determinado grupo social através de um conjunto normativo, não uma parte ou retalhos da sociedade, mais o todo, a unidade, que por consenso fará deste anseio político/jurídico a lei máxima destinada a dar soberania ao Estado instituído.

A humanidade tornou-se impura com os avanços científicos e artísticos do homem, porém, estas duas incidências “maléficas” são as únicas capazes de, lentamente, impedir o avanço desta indomável capacidade criativa d organizar-se em aglomerados, que mais tarde ceifará, extinguirá a liberdade natural em vistas de uma liberdade civil. Como diz o próprio Rousseau:

“O homem nasce livre e por toda parte encontra-se aprisionado. O que se crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escrevo do que eles: como se deve esta transformação? Eu ignoro: o que poderá legitimá-la? Creio poder esta transformação”. (Livro I, capítulo I, Do Contrato Social)

A usurpação diária feita ao Soberano demonstra a vontade de um seleto grupo frente ao princípio da inviolabilidade. A unidade proposta por Rousseau na figura do Estado soberano, logo Poder do Povo, distancia-se cada vez mais do ideário tão decantado da soberania.

Nos dias atuais o modelo de representação sobrepõe a vontade da maioria. O vício corrói os ferros que sustentam os alicerces do Estado moderno, as normas que destinavam-se a todos conduzir, perdeu seu imperativo, sua força, em face dos interesses escusos que maculam e enojam a República. Entretanto, como lição rousseaunina, é com esta instituição que os homens buscarão reinventar-se, reorganizar-se, reaprender-se… como cita Milton Meira do Nascimento em sua apresentação: “A verdadeira filosofia é a virtude, esta ciência sublime das almas simples, cujos princípios estão gravados em todos os corações. Para se conhecer as suas leis basta voltar-se para si mesmo e ouvir a voz da consciência no silêncio das paixões”. A busca é permanente, e talvez utópica, mais uma significativa conquista será obtida quando a democracia, não a representativa, e sim participativa fizer ecoar as vozes abafadas da sociedade subterrânea.

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