Arquivo para agosto 2014

Epístolas Sinantrópicas

28 de agosto de 2014

Epístola

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. III

 

Ítalo de Melo Ramalho, 28.iii.2014.

 

“Resplandecente é a Sabedoria, e sua beleza é inalterável: os que a amam descobrem-na facilmente, os que a procuram encontram-na.” (Bíblia Sagrada – Livro da Sabedoria, capítulo 6, versículo 12)

 

Aqui, da minha alcova, do meu cubículo, (re)vejo e acompanho, atentamente, o giradouro do mundo. E por onde – indago aos meus mais fiéis leitores – essa roda, essas rodas, esse mundo, esses mundos vaga(m) solto(s) nessa multicolorida imensidão? Não é fácil e tampouco encerra-se em si ou em sim qualquer resposta sensata e plausível. Quando entendermos, que o raio circunreferencial absorve com taciturnos cantos e encantos, e que em sua gênese preludial foge e escapole dos nossos mais frágeis alter sentimentos, aportaremos, em definitivo, nos hemisférios da transmutação. No qual migraremos em espaçosas vias sob a égide do altruísmo ou do egoísmo. Dependendo da nossa inclinação moral e ética.

 

Lendo essa breve introdução para uma comovida interlocutora, e a dita cuja, a sinhazinha, após auscultar  atentamente e abrir um sorriso enigmático e brevemente esperançoso, confesso ter pensado no êxito do meu propósito. Não custou tempo e a risonha Dama emergiu desse inconcluso sonho, deferindo esta máxima axiológica: – VOLTE À REALIDADE! A lacônica e doce leonina, rugiu em um sonoro e ensurdecedor bramido. O silente açoite amordaçou a minha prolixa e intempestiva áurea criativa, imagética. Danou-se! Nunca! Jamais a tinha presenciado com desmedido asco às minhas confusões pseudo-intelectuais. O meu esboço de tratadista das ciências obscuras e ocultas às linces do quotidiano, não lavou, nem lavava e muito menos lavará a calha, residência solar e lunar dos felinos. Lugar a onde depositam o restinho de ontem. Apenas juntara-se às mesma, rivalizando com os pichanos o espaço.

 

Portanto, (in)escrupulosos e gentios Cavaleiros, somados às gentis-damas de rígidos, empinados e suculentos peitos, o paralelo a ser traçado é localizado entre o real e a realidade. Basta saber que a linha, o eixo do real é o dado. E pugnar pelo construído de maneira democrática, lúcida e com honestidade intelectual. É mister a nós, zeladores uns dos outros como deve ser e como seria essencial que fossemos. É mais que conveniente burilar o material, a alma sem oscilações, sem tergiversar. Porém, se estes desenganos macularem os nossos vieses inóspitos, quebrando o cristal dos sonhos, recolham o que sejam, os cacos, a menor partícula e regue-a. Quando perceberes, estás a dançar com o Mestre Francisco, o de Assis, sem esquecer o Contra-Mestre Zaratrusta, o germânico. As idiossincrasias adormecerão e a plenitude do real se forjará a realidade fazendo-se um todo necessário.

 

*Agradeço ao mote sugerido por Taurus Caprus Catingueira.

 

NOTAS:

Honestamente, que debate fraco foi esse da TV União/Natal datado de 25.viii.2014 para o executivo estadual do RN. A única exceção com desenvoltura e propostas foi, sem dúvida  alguma, o Professor Robério Paulino . As candidaturas governistas, Henrique Alves e Robinson Faria, são extremamente fracas política e intelectualmente, porém, são fortíssimas quanto ao capital financeiro. MAIS DO MESMO! O candidato Araken Farias, que também podemos considerá-lo governista, não empolga de forma alguma. Simone Dutra e o seu PSTU, mostra uma força advinda dos votos angariados pela excelente parlamentar municipal Amanda Gurgel. Além da própria candidata ao governo que é bem preparada, apesar da falta de intimidade com às câmeras.

ADÁGIO:

“Depois que a onça ta morta, é muito fácil enfiar o dedo no cú dela.”

DICAS:

  1. Música: Confraria das Sedutoras – 3 na Massa.
  2. Filme: Dogville, direção de Lars von Trier .
  3. Livro: Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord.
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Impressões

26 de agosto de 2014

Ainda ressacado com o ótimo debate ontem na TV União/Natal. Explico: adjetivei o específico debate – o tema era a segurança pública – pelo fato de descortinar, entre os candidatos, os melhores preparados para exercer o executivo estadual. Pasmem, nenhuma das candidaturas governistas chegam a empolgar: Henrique E. Alves concentra em seu verbo as blasfêmias de eras remotas. É um político profissional, categoria que abomino. Robinson Faria, é o que alcunharei, ressaltando todas às vênias possíveis ao José Simão pelo uso da marca, de “picolé de chuchu potiguar”. Vago! Disperso! Sem substância! Também é um político profissional. Araken Farias se enquadra na mesma categoria do anterior: sem verve! Um pastel, não de carne ou queijo ou outra mistura qualquer, mais de vento! Restou-me apenas as candidaturas de Simone Dutra e do Professor Robério Paulino. Simone Dutra tem um bom discurso, tenderá a conseguir mais votos entre os eleitores de esquerda e alguns insatisfeitos e equivocados. Abordou um tema relevantíssimo para a segurança não só potiguar, mas nacional, que é a desmilitarização da polícia. Pronta para as campanhas vindouras. Já o Professor Robério Paulino, representa, de fato, o caráter inovador no atual cenário em terras de Antônio Felipe Camarão. O vejo como um político hábil no trato com os possíveis quadros do legislativo, com a coisa pública e, principalmente, com o Povo. Como ele mesmo afirmou “quero governar com o Povo”, referindo-se ao fato de não alcançar maioria na casa legislativa. Também comentou a desmilitarização. O Professor tem possibilidade de alcançar vôos inimagináveis para um candidato de esquerda no decorrer da campanha e dos próximos debates. Sem dúvida é o mais preparado. Pronto para o exercício do cargo. Espero que o carrossel do destino seja favorável aos nossos anseios.

 

Arietem Catingueira,

Natal, 26.viii.2014.

 

Epístolas Sinantrópicas

21 de agosto de 2014

 

 

Espístolas Sinantrópicas

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. II

 

Ítalo de Melo Ramalho, 21.viii.2014.

 

“A vaidade é uma espécie de concupiscência; não se lhe resiste com as forças do corpo, com as do espírito sim; a carne não é frágil só por um princípio, mas por muitos, e a vaidade não é o menor deles.” (Matias Aires – Reflexões sobre a Vaidade dos Homens)

 

POR ESSES DIAS, deparamo-nos com a faminta e insaciável “morte”, plasmada em pessoas socialmente conhecidas além das fronteiras do seio familiar a quem pertenciam. Este é o âmago da célula embrionária do primeiro conceito/invenção que denominamos e entendemos por família e, por conseguinte, sociedade. Sem aprofundar-se no mérito do que seria ou o que poderia ser qualificado, tipificado de família e sociedade nas incontáveis diretrizes jurídicas, antropológicas e sociológicas da tão vasta e áspera categoria conceituada e inventada por nós ou por quem quer que seja ou que fosse.

Vamos seguir. Será a Morte sempre uma tragédia? No conceito posto ao meu parco conhecimento, por obra de um castelo de nossa literatura brasileira, fito a danada como uma ruptura ou prossecução, um laço desfeito ou feito, uma porta fechada ou aberta… é particular o momento pelo qual os pusilânimes Cavalheiros e as belas Damas de sensíveis peitos, ajustam-se aos antônimos sugeridos no texto. Basta verificar, que é um movimento alheio ao que promoveria o meu e o nosso egocentrismo. Diferentemente de um cabaço ponteado, recomposto, refeito, revirgenado… depois de removido, jamais voltará a ser o que era. Nem na carne e tampouco no pensamento!!

A morte, para mim, é a construção, erguimento do meu próprio castelo. Edificar um sonho é uma condição mais que permitida: é saudável ao espírito empreender no feito de maneira absorta e livre de vícios. De forma que esse testemunho fere e contraria o filósofo brasileiro Matias Aires, no fragmento 67 do seu emblemático “Reflexões sobre a Vaidade dos Homens”, no qual aponta para concupiscência como um desejo inseparável do homem que prefere viver de mentiras e não de verdades. Porém, não é esse o cerne a ser questionado nessa epistolar correspondência. O que estou a informar não é sobre a Vaidade. Deixemos para outro enfoque! Sejamos vaidosos ou não, a morte constantemente passará por nós, fazendo-nos vítimas em algum instante. E, quando menos esperarmos, propositadamente, a “peste” correrá em silêncio e num bote certeiro nos emprenhará com seu veneno, cuja flagrância deixa o sujeito descomposturadamente parvo. Seu veneno castrará as demandas ignóbeis e torpes a nossa essência.

Leniente ao sonoro dedilhar das cordas do seu violão, o antes dilacerado se recompõe em carne e alma diante da catarse harmônica e melodiosa da Vida. A trama construída assemelha-se com nitidez ao que engendramos por aqui teatralmente. Com um detalhe: O Divino é perfeito! Confluir em um leito só é papel a ser vivido sem enganos interpretativos. Ser resiliente é parte central da nossa espécie, principalmente quando não defenestramos os sonhos dos quais nos alimentamos.

É evidente que aqui não estou a referir-me ao fim da Vida biológica. De fato não estou! Amigos/as, a VIDA É POR DEMAIS GRANDIOSA PARA SER REDUZIDA A UM SIMULACRO DE QUINTA CATEGORIA!!

 

 

DICAS:

  1. Festiva de Jazz na Praia da Pipa neste fim de semana.
  2. Cinema: A Pele de Vênus, de Roman Polanski.
  3. Literatura: São Bernardo, de Gaciliano Ramos.

 

ADÁGIO:

 

“Em terra de cego quem tem dois olhos tá fudido!”

 

Cinema incompleto – Thaís Gulin

20 de agosto de 2014

Epístolas Sinantrópicas

15 de agosto de 2014

Espístolas Sinantrópicas

ESPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. I

Ítalo de Melo Ramalho, 14.VIII.2014.

“Nenhuma coisa cujo desprazer tenha grandeza é grande.” (Longino – Do Sublime)

Neste comunicado inaugural, revelo aos Senhores e Senhoras de respeitáveis atributos intelectuais e cognoscíveis, o propósito dessa publicação virtual. Observem: trata-se de um estilo literário obsoleto, antiquado quanto à forma e inspirador quanto à correspondência entre os iguais. Será um cadáver insepulto? Acredito que não! Seus tambores ressoam ecos que o fazem arquejar, teimosamente, frente a alcatéia digital do homem pelo homem, o que o torna um gênero íntimo e sentimental deveras.

Haja vista a dimensão que o Grêmio Recreativo, Literário, Musical, Político e Fuleiral Pombo Sujo, alcançou nos mais recentes momentos de sua magnífica história de deficiência cognitiva ou de asneira espiritual, nas singulares searas elencadas como complemento nominal da personalidade jurídica dessa desabotoada quadrilha, é que me dispus a redigir semanalmente esta missiva.

Dentre as multidefinições semânticas para o vocábulo “carta”, três açoitaram o meu juízo. A minha despolida massa encefálica. 1º. CARTA MAGNA: Além de ser o pilar regimental da sociedade instituída nos férteis campos da Política e do Direito, é também um dos marcos do pensamento sinantrópico. 2º. CARTA DE ALFORRIA: Diretamente refere-se à mácula histórica que permeiou e permeia a nossa caricata, cínica, retrógada, belicosa e aculturada sociedade.  O caráter holístico/filológico, tecido ao vocábulo  liberdade, impossibilita qualquer modelo opressor de vigorar em terras democráticas, como suponho palmilhar o Brasil. 3º. CARTA DE BARALHO: Fico imensamente seduzido. Demonstro um inexplicável encantamento por esse jogo, por essas figuras e pelos seus naipes. Por um instante tateiam em nossas mãos aqueles vultos que representam quatro cortes e seus exércitos. Simbiose perfeita! Tenho uma telúrica e divina paixão pelo lúdico proporcionado pelas cartas do baralho.

Seria relevante acrescer ao discurso célebres missivistas: São Paulo, Rainer Maria Rilke, Mário de Andrade, Câmara Cascudo e tantos outros conhecidos, desconhecidos e não-lembrados. Informo: serei parcimonioso, pois, o pincel que ora escorrega entre os dedos, perde, lentamente, a utilidade de sacralizar a desarmoniosa concretização do pensar. Um adendo: Não consigo escrever direto no computador!

Por fim, é assaz gratificante retornar a liturgia literária, esse mundo onde os sonhos e as fábulas são permitidos e por demais satisfatórios em qualquer das estâncias criadoras. Seja lendo ou escrevendo o deslumbre é o mesmo para mim.

Espero que o meu universo agrade aos Nobres Senhores e as Belas Damas de peitos substanciosos. Caso contrário, aconselho os mesmos a distanciarem-se dessa intermitente sinantropia.

 

NOTAS:

  1. Não poderia deixar de prestar solidariedade aos familiares do presidenciável Eduardo Campos e das demais vítimas desse trágico acidente.
  2. Repúdio total e irrestrito aos atos de MAU GOSTO disseminados no ambiente virtual depois do fatídico acidente com o candidato Eduardo Campos. Ainda juram de pés juntos que os Pombos é que são misantropos. VOCÊS É QUE SÃO!
  3. Seria incompleto, falho, iniciar estas epístolas, sem didicar a preludial coluna aos sinantrópicos confrades. São eles: Marcos Firmino de Queiroz, George Eduardo, Max Sílvio, Danniel Rodrigues, Esdras Ramos, Paulo Braga e Wellington Ramos.

DICAS:

Livro: “Resma”, de autoria de Lívio Oliveira.

Música: Dom La Nena, artista brasileira inspiradíssima.

 

 

Nômade

11 de agosto de 2014

NÔMADE

 

Parte para o desconhecido fim: o pássaro.

Debanda sem direção.

Cantor da geografia literária,

da geometria poligonal do mapa,

do profano instinto penisular.

O cantor da terra,

cantou a dor do sertão.

 

Seca a fonte.

Seca para nunca mais encher.

Encher como um copo com água

e sangrar como um açude em sacrifício.

Romper em lamentos e súplicas catequizadas pela mística estrela,

senhora da dor.

Transbordar de bem mineral.

 

Parte o vigia da diária campestre;

do diário castigo vencido;

da humilhante estiagem aclamada

pela menina do tempo.

Parte o porta-voz da não-notícia;

do exército derrotado: dos sem-canhões;

sem-pistolas; sem-espingardas; sem-verbo.

Dos com enxadas, foices, peixeiras,

cigarros de palha e armaduras em couro.

 

Parte preso, enjaulado em alçapão real,

Réu confesso, chamado ao antro celestial.

 

Parte o ourives

do sopro essencialmente telúrico.

Polidor de metal parco e sem valor.

Parte para o pó.

Parte para debaixo do tapete.