Nômade

NÔMADE

 

Parte para o desconhecido fim: o pássaro.

Debanda sem direção.

Cantor da geografia literária,

da geometria poligonal do mapa,

do profano instinto penisular.

O cantor da terra,

cantou a dor do sertão.

 

Seca a fonte.

Seca para nunca mais encher.

Encher como um copo com água

e sangrar como um açude em sacrifício.

Romper em lamentos e súplicas catequizadas pela mística estrela,

senhora da dor.

Transbordar de bem mineral.

 

Parte o vigia da diária campestre;

do diário castigo vencido;

da humilhante estiagem aclamada

pela menina do tempo.

Parte o porta-voz da não-notícia;

do exército derrotado: dos sem-canhões;

sem-pistolas; sem-espingardas; sem-verbo.

Dos com enxadas, foices, peixeiras,

cigarros de palha e armaduras em couro.

 

Parte preso, enjaulado em alçapão real,

Réu confesso, chamado ao antro celestial.

 

Parte o ourives

do sopro essencialmente telúrico.

Polidor de metal parco e sem valor.

Parte para o pó.

Parte para debaixo do tapete.

Anúncios
Explore posts in the same categories: Literatura

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: