Epístolas Sinantrópicas

Espístolas Sinantrópicas

ESPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. I

Ítalo de Melo Ramalho, 14.VIII.2014.

“Nenhuma coisa cujo desprazer tenha grandeza é grande.” (Longino – Do Sublime)

Neste comunicado inaugural, revelo aos Senhores e Senhoras de respeitáveis atributos intelectuais e cognoscíveis, o propósito dessa publicação virtual. Observem: trata-se de um estilo literário obsoleto, antiquado quanto à forma e inspirador quanto à correspondência entre os iguais. Será um cadáver insepulto? Acredito que não! Seus tambores ressoam ecos que o fazem arquejar, teimosamente, frente a alcatéia digital do homem pelo homem, o que o torna um gênero íntimo e sentimental deveras.

Haja vista a dimensão que o Grêmio Recreativo, Literário, Musical, Político e Fuleiral Pombo Sujo, alcançou nos mais recentes momentos de sua magnífica história de deficiência cognitiva ou de asneira espiritual, nas singulares searas elencadas como complemento nominal da personalidade jurídica dessa desabotoada quadrilha, é que me dispus a redigir semanalmente esta missiva.

Dentre as multidefinições semânticas para o vocábulo “carta”, três açoitaram o meu juízo. A minha despolida massa encefálica. 1º. CARTA MAGNA: Além de ser o pilar regimental da sociedade instituída nos férteis campos da Política e do Direito, é também um dos marcos do pensamento sinantrópico. 2º. CARTA DE ALFORRIA: Diretamente refere-se à mácula histórica que permeiou e permeia a nossa caricata, cínica, retrógada, belicosa e aculturada sociedade.  O caráter holístico/filológico, tecido ao vocábulo  liberdade, impossibilita qualquer modelo opressor de vigorar em terras democráticas, como suponho palmilhar o Brasil. 3º. CARTA DE BARALHO: Fico imensamente seduzido. Demonstro um inexplicável encantamento por esse jogo, por essas figuras e pelos seus naipes. Por um instante tateiam em nossas mãos aqueles vultos que representam quatro cortes e seus exércitos. Simbiose perfeita! Tenho uma telúrica e divina paixão pelo lúdico proporcionado pelas cartas do baralho.

Seria relevante acrescer ao discurso célebres missivistas: São Paulo, Rainer Maria Rilke, Mário de Andrade, Câmara Cascudo e tantos outros conhecidos, desconhecidos e não-lembrados. Informo: serei parcimonioso, pois, o pincel que ora escorrega entre os dedos, perde, lentamente, a utilidade de sacralizar a desarmoniosa concretização do pensar. Um adendo: Não consigo escrever direto no computador!

Por fim, é assaz gratificante retornar a liturgia literária, esse mundo onde os sonhos e as fábulas são permitidos e por demais satisfatórios em qualquer das estâncias criadoras. Seja lendo ou escrevendo o deslumbre é o mesmo para mim.

Espero que o meu universo agrade aos Nobres Senhores e as Belas Damas de peitos substanciosos. Caso contrário, aconselho os mesmos a distanciarem-se dessa intermitente sinantropia.

 

NOTAS:

  1. Não poderia deixar de prestar solidariedade aos familiares do presidenciável Eduardo Campos e das demais vítimas desse trágico acidente.
  2. Repúdio total e irrestrito aos atos de MAU GOSTO disseminados no ambiente virtual depois do fatídico acidente com o candidato Eduardo Campos. Ainda juram de pés juntos que os Pombos é que são misantropos. VOCÊS É QUE SÃO!
  3. Seria incompleto, falho, iniciar estas epístolas, sem didicar a preludial coluna aos sinantrópicos confrades. São eles: Marcos Firmino de Queiroz, George Eduardo, Max Sílvio, Danniel Rodrigues, Esdras Ramos, Paulo Braga e Wellington Ramos.

DICAS:

Livro: “Resma”, de autoria de Lívio Oliveira.

Música: Dom La Nena, artista brasileira inspiradíssima.

 

 

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