Epístolas Sinantrópicas

 

 

Espístolas Sinantrópicas

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. II

 

Ítalo de Melo Ramalho, 21.viii.2014.

 

“A vaidade é uma espécie de concupiscência; não se lhe resiste com as forças do corpo, com as do espírito sim; a carne não é frágil só por um princípio, mas por muitos, e a vaidade não é o menor deles.” (Matias Aires – Reflexões sobre a Vaidade dos Homens)

 

POR ESSES DIAS, deparamo-nos com a faminta e insaciável “morte”, plasmada em pessoas socialmente conhecidas além das fronteiras do seio familiar a quem pertenciam. Este é o âmago da célula embrionária do primeiro conceito/invenção que denominamos e entendemos por família e, por conseguinte, sociedade. Sem aprofundar-se no mérito do que seria ou o que poderia ser qualificado, tipificado de família e sociedade nas incontáveis diretrizes jurídicas, antropológicas e sociológicas da tão vasta e áspera categoria conceituada e inventada por nós ou por quem quer que seja ou que fosse.

Vamos seguir. Será a Morte sempre uma tragédia? No conceito posto ao meu parco conhecimento, por obra de um castelo de nossa literatura brasileira, fito a danada como uma ruptura ou prossecução, um laço desfeito ou feito, uma porta fechada ou aberta… é particular o momento pelo qual os pusilânimes Cavalheiros e as belas Damas de sensíveis peitos, ajustam-se aos antônimos sugeridos no texto. Basta verificar, que é um movimento alheio ao que promoveria o meu e o nosso egocentrismo. Diferentemente de um cabaço ponteado, recomposto, refeito, revirgenado… depois de removido, jamais voltará a ser o que era. Nem na carne e tampouco no pensamento!!

A morte, para mim, é a construção, erguimento do meu próprio castelo. Edificar um sonho é uma condição mais que permitida: é saudável ao espírito empreender no feito de maneira absorta e livre de vícios. De forma que esse testemunho fere e contraria o filósofo brasileiro Matias Aires, no fragmento 67 do seu emblemático “Reflexões sobre a Vaidade dos Homens”, no qual aponta para concupiscência como um desejo inseparável do homem que prefere viver de mentiras e não de verdades. Porém, não é esse o cerne a ser questionado nessa epistolar correspondência. O que estou a informar não é sobre a Vaidade. Deixemos para outro enfoque! Sejamos vaidosos ou não, a morte constantemente passará por nós, fazendo-nos vítimas em algum instante. E, quando menos esperarmos, propositadamente, a “peste” correrá em silêncio e num bote certeiro nos emprenhará com seu veneno, cuja flagrância deixa o sujeito descomposturadamente parvo. Seu veneno castrará as demandas ignóbeis e torpes a nossa essência.

Leniente ao sonoro dedilhar das cordas do seu violão, o antes dilacerado se recompõe em carne e alma diante da catarse harmônica e melodiosa da Vida. A trama construída assemelha-se com nitidez ao que engendramos por aqui teatralmente. Com um detalhe: O Divino é perfeito! Confluir em um leito só é papel a ser vivido sem enganos interpretativos. Ser resiliente é parte central da nossa espécie, principalmente quando não defenestramos os sonhos dos quais nos alimentamos.

É evidente que aqui não estou a referir-me ao fim da Vida biológica. De fato não estou! Amigos/as, a VIDA É POR DEMAIS GRANDIOSA PARA SER REDUZIDA A UM SIMULACRO DE QUINTA CATEGORIA!!

 

 

DICAS:

  1. Festiva de Jazz na Praia da Pipa neste fim de semana.
  2. Cinema: A Pele de Vênus, de Roman Polanski.
  3. Literatura: São Bernardo, de Gaciliano Ramos.

 

ADÁGIO:

 

“Em terra de cego quem tem dois olhos tá fudido!”

 

Anúncios
Explore posts in the same categories: Cultura, Fuleiragem

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: