Arquivo para novembro 2014

PÍLULA POÉTICA n.VI

26 de novembro de 2014

PÍLULA POÉTICA VI

 

Não lembro com exatidão a data inaugural do Movimento Sinantrópico. Porém, tenho vivo em minha massa encefálica, o perfeito instante em que àquelas abençoadas alpercatas de couro curtido justaposto ao solado de “pisante” de caminhão, repousou como fios de navalhas em minhas pernas e, num rosnado forte e translúcido, o meu algoz libertou o seu brado e desferiu o golpe certeiro, sonoro, batizando-me de: POMBO SUJO! Atualmente, a alcunha rompeu as barreiras individuais e de gênero, qualificando a todos e todas que fazem ou simpatizam com o Movimento de: POMBO SUJO! As mulheres, por questões óbvias, não se agradam em serem chamadas, permitam-me, de “Pombas Sujas”. Eu entendo perfeitamente. Nesses casos, optamos por chamá-las de “burguesinhas” ou até mesmo de “pombinhas”.

Com o desenrolar dos carretéis nos quais: acomodavam-se os barbantes que, sozinhos, pouco ou de nada serviam ou serviriam. Foi-se percebendo, que as linhas do cilindro de madeira, em um ato de desobediência, foi serpenteando o vasto mundo do imaginário e nessa seara se deparou com uma solitária agulha, e juntas, linha e agulha, metamorfoseando-se em um corpo uno, concreto, fixe, saíram a esgrimir em praças antes inalcançáveis, desconhecidas… Hoje, em seu quotidiano, linha e agulha procuram coser retalhos de forma que, a partir das emendas, tecem um mosaico plural e fértil calcados em inimagináveis sonhos.

O que era e o que é uma brincadeira, uma diversão: não deixou e nem deixará facilmente de ser! Hoje, o que percebe, é uma visualidade maior, o que é “aceitável”! Temos um mundo virtual ao dispor e nossos Amigos e Amigas, sem falar dos familiares, também dispõe da tecnologia. Utilizar-se dessa ferramenta é comum para nós, filhos do atual contexto histórico.

Nessa “Pílula Poética, o conceito estético da pombosujice permanece da forma como sempre foi: Com risos e galhofas à altura do que entendemos e de como deve ser o desenho artístico do nosso sodalício. Em caso de equívocos, temos honradez e hombridade suficiente para nos reavaliarmos e carrilhar o embuiá novamente nas veredas outrora perseguidas.

A nova “Pílula Poética”, manifestação típica do Movimento Sinantrópico pós a festiva entrega das ternas armaduras de algodão (em que a estampa retrata o símbolo da nossa casa real), tivemos a grata companhia, mesmo sendo ele membro fundador e honorário do Grêmio, de tê-lo participando de maneira lúcida e surreal. Manuel Tenório Ferro é nome deste nobre Senhor que atende nos corredores dos bairros de Capim Macio e Ponta Negra pela alcunha de: Fofinho, Cachorro sem Rabo e o já clássico, “Buchudo”! Com intervenções precisas, cirúrgicas, o agitado confrade revela sem receios, o sentimento que o invadiu durante e depois da audição desse castelo literário erguido por Vinícius de Morais e recitado capengamente por mim. O poema “Ser seu Amigo” escolhido e aquiescido pelos demais constituintes, responde as curiosas indagações sobre o propósito do nosso Grêmio, que é celebrarmos a Amizade. Esse é o nosso combustível para o enfrentamento da batalha diária. Esse é o tema acima metaforizado pela linha e a agulha. E esse poema, deveras, traduz o emblema que norteia os sinantrópicos hoje e sempre! Vamos a ele:

 

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