Poema

Tempo biográfico

 

No abismo: uma flor!

Parece solta: dispersa.

Apenas com sua pétala.

Asa.

Tecido.

Conjunto da carne

que preenche o limite

vegetal do broto-mundo.

 

No abismo: uma flor!

Parece dançar: filosofia.

Autóctone, rega o osso

da costela.

Novena das graças

natimorto que foi.

 

No abismo: uma flor!

Parece esguia: plena.

Sobre o plano: arde vilipêndios

ao bafo venal das horas.

Corpo vesgo

que transcende à fúria

narcísica

e estanca o evangelho

líquido do cálice.

 

No abismo: uma flor!

Parece curva: elástica.

Signo da resiliência

do filamento.

Fio orgânico

condutor da seiva têxtil;

mineral do silêncio.

 

No abismo: uma flor jaz!

Presa ao estrume telúrico.

Sudário da matéria

anódina que é.

Chumbo da raiz

ancestral do gérmen.

Febra crônica

da vaidade

teatral do olho.

 

Ítalo de Melo Ramalho

14.VIII.2017

Anúncios
Explore posts in the same categories: Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: