Archive for the ‘Fuleiragem’ category

Confraternização Sinantrópica, 2015

22 de dezembro de 2015

Transformar em palavras sentimentos, é por demais sacrificante para quem não domina à língua portuguesa e, como não bastasse, ter um reduzido teor vocabular. Mas tudo bem! Vamos em frente! Sábado último, foi realizado a segunda Confraternização do Grêmio Recreativo Pombo Sujo, no simpático e acolhedor Bar Stillo Sampa, no conjunto de Ponta Negra. Por toda a reunião, pairou o espírito da fraternidade e do respeito. Apenas, em algumas poucas ocasiões, o festival de caninagens emergiu na figura de um ou outro agremiado/a. Casos isolados! Kkkkkkk… Às lentes do agremiado Galego Júlio, captaram perfeitamente o primeiro momento da “inacabável” reunião. Vários momentos com vários confrades, garantiram a pluralidade de opiniões o que também garantiu o equilíbrio em e de todas as formas.

 

Caríssimos e Caríssimas, foi ESPETACULAR o convívio mais profundo com uma parte representativa desse inebriante sodalício sinantrópico. Sei que nas próximas reuniões (como sempre regadas a muita cerveja e cigarros), outros agremiados/as, que por motivos torpe ou motivos que assegurem a sua continuação no Grêmio, irão participar, diretamente, dessas reuniões dedicadas aos deuses Dionísio e Afrodite. Espero também encontrar novos agremiados/as. Obviamente que não sem antes, devassar a vida do fulano ou da fulana, e reparar em seu histórico pregresso se a sua conduta lhe permite receber o honroso manto sinantrópico.

 

Quero agradecer profundamente a Todos e Todas que acreditaram e aceitaram sonhar comigo.  O nosso Grêmio já fez e continuará fazendo história. Não da maneira que conhecemos, história rasa e outorgada pelo Estado ou empresas midiáticas ou as duas. Não! Fará sim, de forma que tatuará com ferro a víscera pulsante de cada agremiado, ferindo-o, indelevelmente, e o chagando de Esperança, Fé e Caridade.

 

Abraços, magote de Pombos Sujos! O NOSSO GRÊMIO É FODA! Kkkkkkkkkkkkkkk…

 

Taurus Caprus Catingueira.

 

 

PÍLULA POÉTICA n. VIII

16 de dezembro de 2014

PÍLULA POÉTICA – VIII

 

E chegamos à oitava “pílula” desse alvissareiro ano de 2014. Com o término dessa convenção humana, inaugura-se um novo período na sinantropia que denominaremos de “Lustrar o Verbo”. Esperamos que os Senhores e as Senhoras continuem acompanhado esse Movimento que custodiado permanece nos limites dos cárceres das quimeras, e dele, não pretendem alforriar-se nem que a vaca tussa.

 

Com a edição dessa nova pílula, abre-se a possibilidade de enriquecimento da simplória manifestação poética no quesito sonoro dos etílicos recitais. Desta feita, a presença do trio mais que querido e admirado das bandas da tromba do elefante (Encanto/RN) e do sul Ceará (Ereré/CE), luziu as tardes de sexta e sábado passado. Sâmia, Rafaela e Laninha, sinantrópicas desde sempre, puseram cor ao concreto opaco dessas reuniões pombalíneas. Vestiram com altivez e honestidade o manto e o ideário dessa incontida calamidade imprecada nos hostes sulistas de nossa capital e nos que residem em outras cidades do Brasil, e que formam um exército de desarmados de pólvora e carregados de afeto em suas grandezas sociais e  individuais.

 

Sâmia presenteou-me em particular, recitando uns versinhos que escrevi em honra a memória do meu genitor Heronides Ramalho de Souza. Ao poema batizei de “Encantamento”, muito pela leitura de João Guimarães Rosa, no seu já clássico “Grande Sertão: Veredas”. É esse encanto que nutrimos e que nos alimenta quotidianamente e nos equilibra ou ao menos tenta, no afã de enfrentarmos com dignidade às intempéries da Vida e às fraquezas dos Homens. É isso!

 

Salve o Grêmio Recreativo Pombo Sujo!

 

Ítalo de Melo Ramalho.

 

PÍLULA POÉTICA n.VI

26 de novembro de 2014

PÍLULA POÉTICA VI

 

Não lembro com exatidão a data inaugural do Movimento Sinantrópico. Porém, tenho vivo em minha massa encefálica, o perfeito instante em que àquelas abençoadas alpercatas de couro curtido justaposto ao solado de “pisante” de caminhão, repousou como fios de navalhas em minhas pernas e, num rosnado forte e translúcido, o meu algoz libertou o seu brado e desferiu o golpe certeiro, sonoro, batizando-me de: POMBO SUJO! Atualmente, a alcunha rompeu as barreiras individuais e de gênero, qualificando a todos e todas que fazem ou simpatizam com o Movimento de: POMBO SUJO! As mulheres, por questões óbvias, não se agradam em serem chamadas, permitam-me, de “Pombas Sujas”. Eu entendo perfeitamente. Nesses casos, optamos por chamá-las de “burguesinhas” ou até mesmo de “pombinhas”.

Com o desenrolar dos carretéis nos quais: acomodavam-se os barbantes que, sozinhos, pouco ou de nada serviam ou serviriam. Foi-se percebendo, que as linhas do cilindro de madeira, em um ato de desobediência, foi serpenteando o vasto mundo do imaginário e nessa seara se deparou com uma solitária agulha, e juntas, linha e agulha, metamorfoseando-se em um corpo uno, concreto, fixe, saíram a esgrimir em praças antes inalcançáveis, desconhecidas… Hoje, em seu quotidiano, linha e agulha procuram coser retalhos de forma que, a partir das emendas, tecem um mosaico plural e fértil calcados em inimagináveis sonhos.

O que era e o que é uma brincadeira, uma diversão: não deixou e nem deixará facilmente de ser! Hoje, o que percebe, é uma visualidade maior, o que é “aceitável”! Temos um mundo virtual ao dispor e nossos Amigos e Amigas, sem falar dos familiares, também dispõe da tecnologia. Utilizar-se dessa ferramenta é comum para nós, filhos do atual contexto histórico.

Nessa “Pílula Poética, o conceito estético da pombosujice permanece da forma como sempre foi: Com risos e galhofas à altura do que entendemos e de como deve ser o desenho artístico do nosso sodalício. Em caso de equívocos, temos honradez e hombridade suficiente para nos reavaliarmos e carrilhar o embuiá novamente nas veredas outrora perseguidas.

A nova “Pílula Poética”, manifestação típica do Movimento Sinantrópico pós a festiva entrega das ternas armaduras de algodão (em que a estampa retrata o símbolo da nossa casa real), tivemos a grata companhia, mesmo sendo ele membro fundador e honorário do Grêmio, de tê-lo participando de maneira lúcida e surreal. Manuel Tenório Ferro é nome deste nobre Senhor que atende nos corredores dos bairros de Capim Macio e Ponta Negra pela alcunha de: Fofinho, Cachorro sem Rabo e o já clássico, “Buchudo”! Com intervenções precisas, cirúrgicas, o agitado confrade revela sem receios, o sentimento que o invadiu durante e depois da audição desse castelo literário erguido por Vinícius de Morais e recitado capengamente por mim. O poema “Ser seu Amigo” escolhido e aquiescido pelos demais constituintes, responde as curiosas indagações sobre o propósito do nosso Grêmio, que é celebrarmos a Amizade. Esse é o nosso combustível para o enfrentamento da batalha diária. Esse é o tema acima metaforizado pela linha e a agulha. E esse poema, deveras, traduz o emblema que norteia os sinantrópicos hoje e sempre! Vamos a ele:

 

Epistolas Sinantrópicas IV

11 de setembro de 2014

Epístola

 

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. IV

 

Ítalo de Melo Ramalho, 11.ix.2014.

 

O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. (Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa)

 

REVENDO e com o intuito de refazer, realinhar a ordem dos meus desejos consumeristas, subverto o elenco cinematográfico, antes posto, e readequou às atuais preferências ocasionais e momentâneas, conforme a escassez pecuniária e a ansiedade que assola o profícuo mundo dos sonhos, quase que de forma deletéria, deste teimoso sinantropo. Pois bem! Quando leio, escuto, vejo… ou quando todos os sentidos sensoriais agem em um só átimo e me sinto encantado. E nesse instante acende-me uma curiosidade: socorro-me imediatamente do papel e do lápis e anoto. Quando em vez espero a sazão, pacientemente, para o deleite.

Fiz uma lista, dessas enfadonhas listas de fim de ano, que caracteriza-se mais pelo arroto intelectual, pelo conflito pavonesco entre os semelhantes, do que propriamente pelo sóbrio e fraterno instinto de comunhão. Nessa listagem, que não cheguei a publicar por particular razão, selecionei algumas películas lançadas nos anos de 2013 e 2012. É assim mesmo, em ordem decrescente. Numa delas, deparo-me com essa fustigante frase extraída de um diálogo: “Nada nos torna mais vivo do que ver os outros morrerem.”* Achei maravilhoso e assustador! Não lembro exatamente de qual obra colhi essa simbólica e estarrecedora oração. Porém, prometo ao fim informar-lhes.

As peripécias que envolvem esse fabuloso axioma, permiti redescobrir e, com isso, readequá-lo aos momentos de açoite que mistificam e mitificam o contexto aprisionador ou que margeiam o tormento tão bem pintado pelo vate renascentista dos sertões itálicos. Ultrapassar essas barreiras, desafiar os circulares destinos, fundir-se ao mundo num todo, é típico da humanidade. Nós que habitamos esse ensolarado dorso, sabemos traduzir sentimentos: mesmo encontrando-se sob feitiço, o tambor.

Já falei há algumas semanas sobre a purificação que a morte autentica em nossos mundos (im)permeáveis e (in)sensíveis. Confesso aos Senhores e as Senhoras, que o grandioso campo da psicanálise tem feito morada em meu reduzido juízo experimental, contudo, não disponho em aventurar-me nessa jornada. Ficarei com a semântica. É mais seguro pra vocês! Muito embora não seja para mim. Retornando: que tipo de morte é essa? Bom! Divido, reduzidamente, apenas em duas categorias: 1. A morte biológica, que poderá dar às horas a qualquer momento, afetando a parte que fica; e 2. A morte edificante, que é plural e entrecorta lavouras de distintas semeaduras. As intermitências que percorrem toda curvatura da linha do tempo, é inerente ao cimo dos castelos erigidos. Sejam eles fortalezas ou casas de taipas, sempre o fascínio dos movimentos retos ou sinuosos, exercerá sobre nós a prerrogativa da dúvida. A feliz Sabedoria da dúvida! Meu Deus, que dor de cabeça conceituar essas duas subcategorias de uma mesma categoria nesse insidioso texto. Às rédeas escapolem e temo que o caráter comedido ceda lugar ao histriônico que, silenciosamente, emerge ao seu corpo. Prometo afinar à pena antes que seja tarde.

O que faz sentir-me mais vivo é quando às lágrimas escorrem ladeira abaixo, deslizando por entre os sulcos sem serem represadas e desaguando na boca, no algodão ou no solo. Apreciar àquelas gotículas, que mais parecem um oceano que transborda incontidamente é valer-me de combustível vital para aqui afirmar: não apenas a morte me torna mais vivo, mas a própria vida! E nela está à vida do próximo, que é primordial para que a sensação de vida completa, inteira, sem ranhuras me atinja, me submeta ao demasiado sagrado e também ao demasiado profano. Ademais, citarei a dádiva do nascimento. O nascimento da tragédia no dizer Nietzscheano que é libertário. E nos desabotoados corações similares ao meu, quando sobressai um impulso desmedido que advém do ouvir o choro inaugural de uma criança, descadencia suas antes rítmicas e constantes batidas.

O que faz sentido é: deixar-se vazar apenas de Amor!

Não escrevo com intenção de desencadear um otimismo, não! Estou a léguas de sê-lo! Tampouco sou pessimista. O que me move é a eloqüente força da Esperança!

*Filme: Holy Motors, de Leos Carax.

 

DICAS:

  1. LIVRO: A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Júnior.
  2. CINEMA: Pietá, de Kim Ki-duk.
  3. VÍDEO: Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Massagão. https://www.youtube.com/watch?v=QaNQR5wU46w.
  4. MÚSICA: CD Renato Braz, de Renato Braz.

 

Epístolas Sinantrópicas

28 de agosto de 2014

Epístola

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. III

 

Ítalo de Melo Ramalho, 28.iii.2014.

 

“Resplandecente é a Sabedoria, e sua beleza é inalterável: os que a amam descobrem-na facilmente, os que a procuram encontram-na.” (Bíblia Sagrada – Livro da Sabedoria, capítulo 6, versículo 12)

 

Aqui, da minha alcova, do meu cubículo, (re)vejo e acompanho, atentamente, o giradouro do mundo. E por onde – indago aos meus mais fiéis leitores – essa roda, essas rodas, esse mundo, esses mundos vaga(m) solto(s) nessa multicolorida imensidão? Não é fácil e tampouco encerra-se em si ou em sim qualquer resposta sensata e plausível. Quando entendermos, que o raio circunreferencial absorve com taciturnos cantos e encantos, e que em sua gênese preludial foge e escapole dos nossos mais frágeis alter sentimentos, aportaremos, em definitivo, nos hemisférios da transmutação. No qual migraremos em espaçosas vias sob a égide do altruísmo ou do egoísmo. Dependendo da nossa inclinação moral e ética.

 

Lendo essa breve introdução para uma comovida interlocutora, e a dita cuja, a sinhazinha, após auscultar  atentamente e abrir um sorriso enigmático e brevemente esperançoso, confesso ter pensado no êxito do meu propósito. Não custou tempo e a risonha Dama emergiu desse inconcluso sonho, deferindo esta máxima axiológica: – VOLTE À REALIDADE! A lacônica e doce leonina, rugiu em um sonoro e ensurdecedor bramido. O silente açoite amordaçou a minha prolixa e intempestiva áurea criativa, imagética. Danou-se! Nunca! Jamais a tinha presenciado com desmedido asco às minhas confusões pseudo-intelectuais. O meu esboço de tratadista das ciências obscuras e ocultas às linces do quotidiano, não lavou, nem lavava e muito menos lavará a calha, residência solar e lunar dos felinos. Lugar a onde depositam o restinho de ontem. Apenas juntara-se às mesma, rivalizando com os pichanos o espaço.

 

Portanto, (in)escrupulosos e gentios Cavaleiros, somados às gentis-damas de rígidos, empinados e suculentos peitos, o paralelo a ser traçado é localizado entre o real e a realidade. Basta saber que a linha, o eixo do real é o dado. E pugnar pelo construído de maneira democrática, lúcida e com honestidade intelectual. É mister a nós, zeladores uns dos outros como deve ser e como seria essencial que fossemos. É mais que conveniente burilar o material, a alma sem oscilações, sem tergiversar. Porém, se estes desenganos macularem os nossos vieses inóspitos, quebrando o cristal dos sonhos, recolham o que sejam, os cacos, a menor partícula e regue-a. Quando perceberes, estás a dançar com o Mestre Francisco, o de Assis, sem esquecer o Contra-Mestre Zaratrusta, o germânico. As idiossincrasias adormecerão e a plenitude do real se forjará a realidade fazendo-se um todo necessário.

 

*Agradeço ao mote sugerido por Taurus Caprus Catingueira.

 

NOTAS:

Honestamente, que debate fraco foi esse da TV União/Natal datado de 25.viii.2014 para o executivo estadual do RN. A única exceção com desenvoltura e propostas foi, sem dúvida  alguma, o Professor Robério Paulino . As candidaturas governistas, Henrique Alves e Robinson Faria, são extremamente fracas política e intelectualmente, porém, são fortíssimas quanto ao capital financeiro. MAIS DO MESMO! O candidato Araken Farias, que também podemos considerá-lo governista, não empolga de forma alguma. Simone Dutra e o seu PSTU, mostra uma força advinda dos votos angariados pela excelente parlamentar municipal Amanda Gurgel. Além da própria candidata ao governo que é bem preparada, apesar da falta de intimidade com às câmeras.

ADÁGIO:

“Depois que a onça ta morta, é muito fácil enfiar o dedo no cú dela.”

DICAS:

  1. Música: Confraria das Sedutoras – 3 na Massa.
  2. Filme: Dogville, direção de Lars von Trier .
  3. Livro: Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord.

Epístolas Sinantrópicas

21 de agosto de 2014

 

 

Espístolas Sinantrópicas

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. II

 

Ítalo de Melo Ramalho, 21.viii.2014.

 

“A vaidade é uma espécie de concupiscência; não se lhe resiste com as forças do corpo, com as do espírito sim; a carne não é frágil só por um princípio, mas por muitos, e a vaidade não é o menor deles.” (Matias Aires – Reflexões sobre a Vaidade dos Homens)

 

POR ESSES DIAS, deparamo-nos com a faminta e insaciável “morte”, plasmada em pessoas socialmente conhecidas além das fronteiras do seio familiar a quem pertenciam. Este é o âmago da célula embrionária do primeiro conceito/invenção que denominamos e entendemos por família e, por conseguinte, sociedade. Sem aprofundar-se no mérito do que seria ou o que poderia ser qualificado, tipificado de família e sociedade nas incontáveis diretrizes jurídicas, antropológicas e sociológicas da tão vasta e áspera categoria conceituada e inventada por nós ou por quem quer que seja ou que fosse.

Vamos seguir. Será a Morte sempre uma tragédia? No conceito posto ao meu parco conhecimento, por obra de um castelo de nossa literatura brasileira, fito a danada como uma ruptura ou prossecução, um laço desfeito ou feito, uma porta fechada ou aberta… é particular o momento pelo qual os pusilânimes Cavalheiros e as belas Damas de sensíveis peitos, ajustam-se aos antônimos sugeridos no texto. Basta verificar, que é um movimento alheio ao que promoveria o meu e o nosso egocentrismo. Diferentemente de um cabaço ponteado, recomposto, refeito, revirgenado… depois de removido, jamais voltará a ser o que era. Nem na carne e tampouco no pensamento!!

A morte, para mim, é a construção, erguimento do meu próprio castelo. Edificar um sonho é uma condição mais que permitida: é saudável ao espírito empreender no feito de maneira absorta e livre de vícios. De forma que esse testemunho fere e contraria o filósofo brasileiro Matias Aires, no fragmento 67 do seu emblemático “Reflexões sobre a Vaidade dos Homens”, no qual aponta para concupiscência como um desejo inseparável do homem que prefere viver de mentiras e não de verdades. Porém, não é esse o cerne a ser questionado nessa epistolar correspondência. O que estou a informar não é sobre a Vaidade. Deixemos para outro enfoque! Sejamos vaidosos ou não, a morte constantemente passará por nós, fazendo-nos vítimas em algum instante. E, quando menos esperarmos, propositadamente, a “peste” correrá em silêncio e num bote certeiro nos emprenhará com seu veneno, cuja flagrância deixa o sujeito descomposturadamente parvo. Seu veneno castrará as demandas ignóbeis e torpes a nossa essência.

Leniente ao sonoro dedilhar das cordas do seu violão, o antes dilacerado se recompõe em carne e alma diante da catarse harmônica e melodiosa da Vida. A trama construída assemelha-se com nitidez ao que engendramos por aqui teatralmente. Com um detalhe: O Divino é perfeito! Confluir em um leito só é papel a ser vivido sem enganos interpretativos. Ser resiliente é parte central da nossa espécie, principalmente quando não defenestramos os sonhos dos quais nos alimentamos.

É evidente que aqui não estou a referir-me ao fim da Vida biológica. De fato não estou! Amigos/as, a VIDA É POR DEMAIS GRANDIOSA PARA SER REDUZIDA A UM SIMULACRO DE QUINTA CATEGORIA!!

 

 

DICAS:

  1. Festiva de Jazz na Praia da Pipa neste fim de semana.
  2. Cinema: A Pele de Vênus, de Roman Polanski.
  3. Literatura: São Bernardo, de Gaciliano Ramos.

 

ADÁGIO:

 

“Em terra de cego quem tem dois olhos tá fudido!”

 

Epístolas Sinantrópicas

15 de agosto de 2014

Espístolas Sinantrópicas

ESPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. I

Ítalo de Melo Ramalho, 14.VIII.2014.

“Nenhuma coisa cujo desprazer tenha grandeza é grande.” (Longino – Do Sublime)

Neste comunicado inaugural, revelo aos Senhores e Senhoras de respeitáveis atributos intelectuais e cognoscíveis, o propósito dessa publicação virtual. Observem: trata-se de um estilo literário obsoleto, antiquado quanto à forma e inspirador quanto à correspondência entre os iguais. Será um cadáver insepulto? Acredito que não! Seus tambores ressoam ecos que o fazem arquejar, teimosamente, frente a alcatéia digital do homem pelo homem, o que o torna um gênero íntimo e sentimental deveras.

Haja vista a dimensão que o Grêmio Recreativo, Literário, Musical, Político e Fuleiral Pombo Sujo, alcançou nos mais recentes momentos de sua magnífica história de deficiência cognitiva ou de asneira espiritual, nas singulares searas elencadas como complemento nominal da personalidade jurídica dessa desabotoada quadrilha, é que me dispus a redigir semanalmente esta missiva.

Dentre as multidefinições semânticas para o vocábulo “carta”, três açoitaram o meu juízo. A minha despolida massa encefálica. 1º. CARTA MAGNA: Além de ser o pilar regimental da sociedade instituída nos férteis campos da Política e do Direito, é também um dos marcos do pensamento sinantrópico. 2º. CARTA DE ALFORRIA: Diretamente refere-se à mácula histórica que permeiou e permeia a nossa caricata, cínica, retrógada, belicosa e aculturada sociedade.  O caráter holístico/filológico, tecido ao vocábulo  liberdade, impossibilita qualquer modelo opressor de vigorar em terras democráticas, como suponho palmilhar o Brasil. 3º. CARTA DE BARALHO: Fico imensamente seduzido. Demonstro um inexplicável encantamento por esse jogo, por essas figuras e pelos seus naipes. Por um instante tateiam em nossas mãos aqueles vultos que representam quatro cortes e seus exércitos. Simbiose perfeita! Tenho uma telúrica e divina paixão pelo lúdico proporcionado pelas cartas do baralho.

Seria relevante acrescer ao discurso célebres missivistas: São Paulo, Rainer Maria Rilke, Mário de Andrade, Câmara Cascudo e tantos outros conhecidos, desconhecidos e não-lembrados. Informo: serei parcimonioso, pois, o pincel que ora escorrega entre os dedos, perde, lentamente, a utilidade de sacralizar a desarmoniosa concretização do pensar. Um adendo: Não consigo escrever direto no computador!

Por fim, é assaz gratificante retornar a liturgia literária, esse mundo onde os sonhos e as fábulas são permitidos e por demais satisfatórios em qualquer das estâncias criadoras. Seja lendo ou escrevendo o deslumbre é o mesmo para mim.

Espero que o meu universo agrade aos Nobres Senhores e as Belas Damas de peitos substanciosos. Caso contrário, aconselho os mesmos a distanciarem-se dessa intermitente sinantropia.

 

NOTAS:

  1. Não poderia deixar de prestar solidariedade aos familiares do presidenciável Eduardo Campos e das demais vítimas desse trágico acidente.
  2. Repúdio total e irrestrito aos atos de MAU GOSTO disseminados no ambiente virtual depois do fatídico acidente com o candidato Eduardo Campos. Ainda juram de pés juntos que os Pombos é que são misantropos. VOCÊS É QUE SÃO!
  3. Seria incompleto, falho, iniciar estas epístolas, sem didicar a preludial coluna aos sinantrópicos confrades. São eles: Marcos Firmino de Queiroz, George Eduardo, Max Sílvio, Danniel Rodrigues, Esdras Ramos, Paulo Braga e Wellington Ramos.

DICAS:

Livro: “Resma”, de autoria de Lívio Oliveira.

Música: Dom La Nena, artista brasileira inspiradíssima.