Archive for the ‘Literatura’ category

Ventos doces por Sheyla Azevedo

5 de janeiro de 2015

http://bichoesquisito.blogspot.com.br/2015/01/ventos-doces.html

PÍLULA POÉTICA n. VIII

16 de dezembro de 2014

PÍLULA POÉTICA – VIII

 

E chegamos à oitava “pílula” desse alvissareiro ano de 2014. Com o término dessa convenção humana, inaugura-se um novo período na sinantropia que denominaremos de “Lustrar o Verbo”. Esperamos que os Senhores e as Senhoras continuem acompanhado esse Movimento que custodiado permanece nos limites dos cárceres das quimeras, e dele, não pretendem alforriar-se nem que a vaca tussa.

 

Com a edição dessa nova pílula, abre-se a possibilidade de enriquecimento da simplória manifestação poética no quesito sonoro dos etílicos recitais. Desta feita, a presença do trio mais que querido e admirado das bandas da tromba do elefante (Encanto/RN) e do sul Ceará (Ereré/CE), luziu as tardes de sexta e sábado passado. Sâmia, Rafaela e Laninha, sinantrópicas desde sempre, puseram cor ao concreto opaco dessas reuniões pombalíneas. Vestiram com altivez e honestidade o manto e o ideário dessa incontida calamidade imprecada nos hostes sulistas de nossa capital e nos que residem em outras cidades do Brasil, e que formam um exército de desarmados de pólvora e carregados de afeto em suas grandezas sociais e  individuais.

 

Sâmia presenteou-me em particular, recitando uns versinhos que escrevi em honra a memória do meu genitor Heronides Ramalho de Souza. Ao poema batizei de “Encantamento”, muito pela leitura de João Guimarães Rosa, no seu já clássico “Grande Sertão: Veredas”. É esse encanto que nutrimos e que nos alimenta quotidianamente e nos equilibra ou ao menos tenta, no afã de enfrentarmos com dignidade às intempéries da Vida e às fraquezas dos Homens. É isso!

 

Salve o Grêmio Recreativo Pombo Sujo!

 

Ítalo de Melo Ramalho.

 

PÍLULA POÉTICA n.VI

26 de novembro de 2014

PÍLULA POÉTICA VI

 

Não lembro com exatidão a data inaugural do Movimento Sinantrópico. Porém, tenho vivo em minha massa encefálica, o perfeito instante em que àquelas abençoadas alpercatas de couro curtido justaposto ao solado de “pisante” de caminhão, repousou como fios de navalhas em minhas pernas e, num rosnado forte e translúcido, o meu algoz libertou o seu brado e desferiu o golpe certeiro, sonoro, batizando-me de: POMBO SUJO! Atualmente, a alcunha rompeu as barreiras individuais e de gênero, qualificando a todos e todas que fazem ou simpatizam com o Movimento de: POMBO SUJO! As mulheres, por questões óbvias, não se agradam em serem chamadas, permitam-me, de “Pombas Sujas”. Eu entendo perfeitamente. Nesses casos, optamos por chamá-las de “burguesinhas” ou até mesmo de “pombinhas”.

Com o desenrolar dos carretéis nos quais: acomodavam-se os barbantes que, sozinhos, pouco ou de nada serviam ou serviriam. Foi-se percebendo, que as linhas do cilindro de madeira, em um ato de desobediência, foi serpenteando o vasto mundo do imaginário e nessa seara se deparou com uma solitária agulha, e juntas, linha e agulha, metamorfoseando-se em um corpo uno, concreto, fixe, saíram a esgrimir em praças antes inalcançáveis, desconhecidas… Hoje, em seu quotidiano, linha e agulha procuram coser retalhos de forma que, a partir das emendas, tecem um mosaico plural e fértil calcados em inimagináveis sonhos.

O que era e o que é uma brincadeira, uma diversão: não deixou e nem deixará facilmente de ser! Hoje, o que percebe, é uma visualidade maior, o que é “aceitável”! Temos um mundo virtual ao dispor e nossos Amigos e Amigas, sem falar dos familiares, também dispõe da tecnologia. Utilizar-se dessa ferramenta é comum para nós, filhos do atual contexto histórico.

Nessa “Pílula Poética, o conceito estético da pombosujice permanece da forma como sempre foi: Com risos e galhofas à altura do que entendemos e de como deve ser o desenho artístico do nosso sodalício. Em caso de equívocos, temos honradez e hombridade suficiente para nos reavaliarmos e carrilhar o embuiá novamente nas veredas outrora perseguidas.

A nova “Pílula Poética”, manifestação típica do Movimento Sinantrópico pós a festiva entrega das ternas armaduras de algodão (em que a estampa retrata o símbolo da nossa casa real), tivemos a grata companhia, mesmo sendo ele membro fundador e honorário do Grêmio, de tê-lo participando de maneira lúcida e surreal. Manuel Tenório Ferro é nome deste nobre Senhor que atende nos corredores dos bairros de Capim Macio e Ponta Negra pela alcunha de: Fofinho, Cachorro sem Rabo e o já clássico, “Buchudo”! Com intervenções precisas, cirúrgicas, o agitado confrade revela sem receios, o sentimento que o invadiu durante e depois da audição desse castelo literário erguido por Vinícius de Morais e recitado capengamente por mim. O poema “Ser seu Amigo” escolhido e aquiescido pelos demais constituintes, responde as curiosas indagações sobre o propósito do nosso Grêmio, que é celebrarmos a Amizade. Esse é o nosso combustível para o enfrentamento da batalha diária. Esse é o tema acima metaforizado pela linha e a agulha. E esse poema, deveras, traduz o emblema que norteia os sinantrópicos hoje e sempre! Vamos a ele:

 

Epistolas Sinantrópicas IV

11 de setembro de 2014

Epístola

 

EPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. IV

 

Ítalo de Melo Ramalho, 11.ix.2014.

 

O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. (Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa)

 

REVENDO e com o intuito de refazer, realinhar a ordem dos meus desejos consumeristas, subverto o elenco cinematográfico, antes posto, e readequou às atuais preferências ocasionais e momentâneas, conforme a escassez pecuniária e a ansiedade que assola o profícuo mundo dos sonhos, quase que de forma deletéria, deste teimoso sinantropo. Pois bem! Quando leio, escuto, vejo… ou quando todos os sentidos sensoriais agem em um só átimo e me sinto encantado. E nesse instante acende-me uma curiosidade: socorro-me imediatamente do papel e do lápis e anoto. Quando em vez espero a sazão, pacientemente, para o deleite.

Fiz uma lista, dessas enfadonhas listas de fim de ano, que caracteriza-se mais pelo arroto intelectual, pelo conflito pavonesco entre os semelhantes, do que propriamente pelo sóbrio e fraterno instinto de comunhão. Nessa listagem, que não cheguei a publicar por particular razão, selecionei algumas películas lançadas nos anos de 2013 e 2012. É assim mesmo, em ordem decrescente. Numa delas, deparo-me com essa fustigante frase extraída de um diálogo: “Nada nos torna mais vivo do que ver os outros morrerem.”* Achei maravilhoso e assustador! Não lembro exatamente de qual obra colhi essa simbólica e estarrecedora oração. Porém, prometo ao fim informar-lhes.

As peripécias que envolvem esse fabuloso axioma, permiti redescobrir e, com isso, readequá-lo aos momentos de açoite que mistificam e mitificam o contexto aprisionador ou que margeiam o tormento tão bem pintado pelo vate renascentista dos sertões itálicos. Ultrapassar essas barreiras, desafiar os circulares destinos, fundir-se ao mundo num todo, é típico da humanidade. Nós que habitamos esse ensolarado dorso, sabemos traduzir sentimentos: mesmo encontrando-se sob feitiço, o tambor.

Já falei há algumas semanas sobre a purificação que a morte autentica em nossos mundos (im)permeáveis e (in)sensíveis. Confesso aos Senhores e as Senhoras, que o grandioso campo da psicanálise tem feito morada em meu reduzido juízo experimental, contudo, não disponho em aventurar-me nessa jornada. Ficarei com a semântica. É mais seguro pra vocês! Muito embora não seja para mim. Retornando: que tipo de morte é essa? Bom! Divido, reduzidamente, apenas em duas categorias: 1. A morte biológica, que poderá dar às horas a qualquer momento, afetando a parte que fica; e 2. A morte edificante, que é plural e entrecorta lavouras de distintas semeaduras. As intermitências que percorrem toda curvatura da linha do tempo, é inerente ao cimo dos castelos erigidos. Sejam eles fortalezas ou casas de taipas, sempre o fascínio dos movimentos retos ou sinuosos, exercerá sobre nós a prerrogativa da dúvida. A feliz Sabedoria da dúvida! Meu Deus, que dor de cabeça conceituar essas duas subcategorias de uma mesma categoria nesse insidioso texto. Às rédeas escapolem e temo que o caráter comedido ceda lugar ao histriônico que, silenciosamente, emerge ao seu corpo. Prometo afinar à pena antes que seja tarde.

O que faz sentir-me mais vivo é quando às lágrimas escorrem ladeira abaixo, deslizando por entre os sulcos sem serem represadas e desaguando na boca, no algodão ou no solo. Apreciar àquelas gotículas, que mais parecem um oceano que transborda incontidamente é valer-me de combustível vital para aqui afirmar: não apenas a morte me torna mais vivo, mas a própria vida! E nela está à vida do próximo, que é primordial para que a sensação de vida completa, inteira, sem ranhuras me atinja, me submeta ao demasiado sagrado e também ao demasiado profano. Ademais, citarei a dádiva do nascimento. O nascimento da tragédia no dizer Nietzscheano que é libertário. E nos desabotoados corações similares ao meu, quando sobressai um impulso desmedido que advém do ouvir o choro inaugural de uma criança, descadencia suas antes rítmicas e constantes batidas.

O que faz sentido é: deixar-se vazar apenas de Amor!

Não escrevo com intenção de desencadear um otimismo, não! Estou a léguas de sê-lo! Tampouco sou pessimista. O que me move é a eloqüente força da Esperança!

*Filme: Holy Motors, de Leos Carax.

 

DICAS:

  1. LIVRO: A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Júnior.
  2. CINEMA: Pietá, de Kim Ki-duk.
  3. VÍDEO: Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Massagão. https://www.youtube.com/watch?v=QaNQR5wU46w.
  4. MÚSICA: CD Renato Braz, de Renato Braz.

 

Epístolas Sinantrópicas

15 de agosto de 2014

Espístolas Sinantrópicas

ESPÍSTOLAS SINANTRÓPICAS n. I

Ítalo de Melo Ramalho, 14.VIII.2014.

“Nenhuma coisa cujo desprazer tenha grandeza é grande.” (Longino – Do Sublime)

Neste comunicado inaugural, revelo aos Senhores e Senhoras de respeitáveis atributos intelectuais e cognoscíveis, o propósito dessa publicação virtual. Observem: trata-se de um estilo literário obsoleto, antiquado quanto à forma e inspirador quanto à correspondência entre os iguais. Será um cadáver insepulto? Acredito que não! Seus tambores ressoam ecos que o fazem arquejar, teimosamente, frente a alcatéia digital do homem pelo homem, o que o torna um gênero íntimo e sentimental deveras.

Haja vista a dimensão que o Grêmio Recreativo, Literário, Musical, Político e Fuleiral Pombo Sujo, alcançou nos mais recentes momentos de sua magnífica história de deficiência cognitiva ou de asneira espiritual, nas singulares searas elencadas como complemento nominal da personalidade jurídica dessa desabotoada quadrilha, é que me dispus a redigir semanalmente esta missiva.

Dentre as multidefinições semânticas para o vocábulo “carta”, três açoitaram o meu juízo. A minha despolida massa encefálica. 1º. CARTA MAGNA: Além de ser o pilar regimental da sociedade instituída nos férteis campos da Política e do Direito, é também um dos marcos do pensamento sinantrópico. 2º. CARTA DE ALFORRIA: Diretamente refere-se à mácula histórica que permeiou e permeia a nossa caricata, cínica, retrógada, belicosa e aculturada sociedade.  O caráter holístico/filológico, tecido ao vocábulo  liberdade, impossibilita qualquer modelo opressor de vigorar em terras democráticas, como suponho palmilhar o Brasil. 3º. CARTA DE BARALHO: Fico imensamente seduzido. Demonstro um inexplicável encantamento por esse jogo, por essas figuras e pelos seus naipes. Por um instante tateiam em nossas mãos aqueles vultos que representam quatro cortes e seus exércitos. Simbiose perfeita! Tenho uma telúrica e divina paixão pelo lúdico proporcionado pelas cartas do baralho.

Seria relevante acrescer ao discurso célebres missivistas: São Paulo, Rainer Maria Rilke, Mário de Andrade, Câmara Cascudo e tantos outros conhecidos, desconhecidos e não-lembrados. Informo: serei parcimonioso, pois, o pincel que ora escorrega entre os dedos, perde, lentamente, a utilidade de sacralizar a desarmoniosa concretização do pensar. Um adendo: Não consigo escrever direto no computador!

Por fim, é assaz gratificante retornar a liturgia literária, esse mundo onde os sonhos e as fábulas são permitidos e por demais satisfatórios em qualquer das estâncias criadoras. Seja lendo ou escrevendo o deslumbre é o mesmo para mim.

Espero que o meu universo agrade aos Nobres Senhores e as Belas Damas de peitos substanciosos. Caso contrário, aconselho os mesmos a distanciarem-se dessa intermitente sinantropia.

 

NOTAS:

  1. Não poderia deixar de prestar solidariedade aos familiares do presidenciável Eduardo Campos e das demais vítimas desse trágico acidente.
  2. Repúdio total e irrestrito aos atos de MAU GOSTO disseminados no ambiente virtual depois do fatídico acidente com o candidato Eduardo Campos. Ainda juram de pés juntos que os Pombos é que são misantropos. VOCÊS É QUE SÃO!
  3. Seria incompleto, falho, iniciar estas epístolas, sem didicar a preludial coluna aos sinantrópicos confrades. São eles: Marcos Firmino de Queiroz, George Eduardo, Max Sílvio, Danniel Rodrigues, Esdras Ramos, Paulo Braga e Wellington Ramos.

DICAS:

Livro: “Resma”, de autoria de Lívio Oliveira.

Música: Dom La Nena, artista brasileira inspiradíssima.

 

 

Nômade

11 de agosto de 2014

NÔMADE

 

Parte para o desconhecido fim: o pássaro.

Debanda sem direção.

Cantor da geografia literária,

da geometria poligonal do mapa,

do profano instinto penisular.

O cantor da terra,

cantou a dor do sertão.

 

Seca a fonte.

Seca para nunca mais encher.

Encher como um copo com água

e sangrar como um açude em sacrifício.

Romper em lamentos e súplicas catequizadas pela mística estrela,

senhora da dor.

Transbordar de bem mineral.

 

Parte o vigia da diária campestre;

do diário castigo vencido;

da humilhante estiagem aclamada

pela menina do tempo.

Parte o porta-voz da não-notícia;

do exército derrotado: dos sem-canhões;

sem-pistolas; sem-espingardas; sem-verbo.

Dos com enxadas, foices, peixeiras,

cigarros de palha e armaduras em couro.

 

Parte preso, enjaulado em alçapão real,

Réu confesso, chamado ao antro celestial.

 

Parte o ourives

do sopro essencialmente telúrico.

Polidor de metal parco e sem valor.

Parte para o pó.

Parte para debaixo do tapete.

William Eloy

24 de dezembro de 2010

Natal

 

A cidade, garbosa, tece seus ardis de neon

Engabelando olhares incautos

Eu,

Eu quero a promessa dos sorrisos de outdoors

Um sapato caro.

O fluxo dos automóveis

Para onde os vão?

Tão apressados

Os homens.

E as calçadas

Tão cheia de pés,

De lixo

Procuro meu lugar

Por pequeno que seja

Estendo a minha mão

Oh, Cristo!

Sou um rei mendigo

Nada vos oferto

(Mas haverá de entender que é um muito!)

Vós, que como a fênix, ressurge calcinado em teus ossos

deus-menino,onde estás?

Na Manjedoura

junto aos animais?

Ou andas de braços abertos

acolhedor como um amigo

Preso em um crucifixo?

 

Qual tua estrela?

Tua senda?

Mas a cidade, garbosa, tece seus ardis de neon

E te anunciam as vitrines

E me confunde a cabeça…