Poética

Publicado 24 de março de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
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POÉTICA

 

I.Dança

 

Monto e desmonto

cavalo, cadeira,

igreja e castelo.

Fonemas, morfemas,

uníssonos

retalhos

policromáticos.

 

Vítimas?

Os grafemas mudos!

 

II.Contra-dança

 

Quotidianamente

a tortura do papel

preenchido de riscos

sem forma

sem linha

sem gema.

 

O sacrifício ortográfico é letal.

Veste de carne a derme da celulose.

Sangria verbal

confluindo nos rios do Lácio

a gota que irrompe da mão.

 

III. Pós-dança

 

A catarse se dá ao extrair o bem inexistente.

 

Iconograficamente monto e desmonto.

Não edifícios gráficos,

sonoros,

soberbos,

grandiloquentes.

 

E sim, casas de taipa!

 

Ítalo de Melo Ramalho

23.III.2017

 

 

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A sabedoria e suas alcovas

Publicado 23 de março de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
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CRÔNICA A sabedoria e suas alcovas

Aqui, da minha alcova, do meu cubículo, vejo, revejo e acompanho, atentamente, o girador do mundo e suas nuances. E por onde, indago aos meus mais fiéis leitores (rsrs… mote de jornalista!), essa roda, esse mundo, vaga solta nessa multicolorida imensidão? Por onde galoparemos livres de cabrestos? Quando navegaremos as asas nas carnes dos intermináveis oceanos?… Não é fácil e tampouco se encerra em sins ou em nãos qualquer resposta sensata e plausível. Ao entendermos que o raio circunferencial do próprio umbigo absorve taciturnos cantos e encantos, e que sua gênese escapole dos frágeis sentimentos do egocentrismo e suas frugalidades, aportaremos, em definitivo, nos profundos hemisférios da transmutação espiritual. Para os quais migraremos em espaçosas vias sob a égide do altruísmo, dependendo apenas das inclinações morais e éticas. O mundo tragará a nossa matéria-alma como uma boa cachaça!

Lendo essa breve introdução para uma comovida interlocutora, e a dita cuja, a sinhazinha, após escutar – atenta – e abrir um sorriso enigmático e brevemente esperançoso, confesso ter pensando no êxito do meu propósito de “cientista sério”. Não custou tempo e a risonha Dama emergiu desse inconcluso sonho, deferindo esta máxima axiológica: “VOLTE À REALIDADE, meu filho! Você não percebe que o que você escreveu foge da realidade? Do quotidiano dessa gente que você diz tanto prezar? Homi, deixe de falar difícil! O mundo é comum nas suas relações diárias. Não encurte a sua vida no campo do saber acadêmico. Amplie o seu conceito de cientista sério (com leve ironia!) e dance ao som das ruas!”. Pronto! Vocês sabem quando o badalo rompe o silêncio do sino? Foi assim que o oco do meu quengo foi rompido. Que cipoada da gota! A lacônica e doce leonina rugiu em um sonoro e ensurdecedor bramido, o silente açoite que rasgou o lombo da minha prolixa e intempestiva aura criativa, imagética, poética, metafórica… Danou-se! Nunca! Jamais tinha presenciado uma sentença tão categórica e com desmedido asco às minhas confusões pseudo-intelectuais. O meu esboço de tratadista das ciências obscuras e ocultas aos linces do quotidiano, não lavou e muito menos lavará a calha por onde corre e correrá o mineral com destino às cisternas do saber. Hoje, a calha é residência solar e lunar dos felinos. Lugar onde os bichanos dormem e depositam os restinhos de ontem.

Apenas me restou concordar: “É isso mesmo, querida Leoa! A senhora está certíssima!”. Esculpir imagens concretas sem o rudimentar barulho vindo das praças é algo que a verborragia vaidosa e soberba dos campos do saber oficial jamais entenderá. Ter em mãos o ouro lapidado e burilado é mais cômodo do que enxergar, diretamente, beleza na pepita suja, enlameada e opaca, para, só então, gravar no espinhaço do texto a história do silencioso protesto popular. Aliás, beleza é um conceito que acompanha de perto os movimentos da sociedade em seu constante pulsar. Se ficarmos atentos às manifestações artísticas, veremos que o homem do povo, em sua perspectiva de eterno brincante, indica caminhos de apurada sofisticação. Por exemplo: a manta multicolorida que veste os caboclos-de-lança do maracatu. Se os/as costureiros/as e criadores da moda desviassem o olhar em direção à zona da mata pernambucana, poderiam encontrar matéria-prima para suas artesanias de criação. E assim segue por todas as variações artísticas e da existência humana. No meu caso, seguirei pelo labirinto que a sábia felina apontou. Caminharei cego, sem o fio de Ariadne, com o propósito de me perder, pois, dessa maneira, é que a minha Rainha e patrona do meu caminhar, Santa Sofia, me aguarda em seu trono de luzes, trevas e verbos.

Portanto, (in)escrupulosos e gentis Cavaleiros e Damas, o paralelo a ser traçado é localizado entre o real e a realidade. Basta sabermos que a linha, o eixo do real é o dado e pugnarmos pelo que é construído de maneira democrática, lúcida e com honestidade intelectual. É mister zelarmos uns pelos outros, como deve ser e como seria essencial que fosse. Termos interesse pela sanidade individual e coletiva da memória é mais que conveniente para polir a alma sem oscilações e tergiversações. Porém, se estes desenganos macularem os nossos vieses quebrando o cristal dos sonhos, recolhamos o que seja: os cacos e a menor partícula da pedra. Quando percebermos estaremos a dançar com o Mestre Francisco, o de Assis, sem esquecer o Contra-Mestre Zaratrusta, o germânico. As idiossincrasias adormecerão e a plenitude do real se forjará na realidade, fazendo um todo incompleto e necessário.

Quanto à sabedoria e à simplicidade da linguagem reclamada pela angorá selvagem, buscarei encontrá-la em cada esquina literária; em cada dedo de prosa; em cada balcão poético. Por onde trafegar o meu estreito e raso riachinho, estarei cuidando e preservando o rasteiro mato ciliar que o protege do assoreamento da vaidade humana.

Ítalo de Melo Ramalho

15.III.2017

 

Crônica

Publicado 8 de março de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
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CRÔNICA: Mentir por amor à arte

 

Sábado, quatro de março do ano de dois mil e dezessete. Um dia comum como qualquer pauta de diário/semanário político, a não ser pela saudosa lembrança da minha encantadora Vovó Maria que teria feito 101 outonos no dia 3.

Sábado: quatro de março. Aracaju, Sergipe. Estou folheando, numa desarmoniosa dança festiva, bela e lúdica, alguns alfarrábios. Tenho em mãos pares de livros com palhas e cabelos diferentes, semelhantes ao milho verde, assado no braseiro cinza e pálido do carvão. Assim, debulho, página a página, com a ânsia da fome nas palmas das mãos, e remeto à boca o cereal, mastigando-o impiedoso num transe osmótico entre o que é e o que passará a ser.

Sábado, 4 de março de 2017, 8h02min. Uma flauta doce atravessou, vertiginosamente, a orquestra num rasgo de romper os mais duros tímpanos de cimento: “…trinta ovos grandes e vermelhos por dez reais!…”. Foi o que ainda consegui escutar! Fiquei puto ao passo que também em contentamento entrei! Pois era sábado e iria à feira popular com a Galega. E fomos!

Nas feiras livres de rua, se veem barões e damas sem capas e sem espadas e com o colorido real do nosso povo. Aquela história de encontrar as três matrizes que fundiram, marcaram, perpetuaram e perpetuam o mosaico brasileiro mencionado por teses e estudos: É verdade! Aqui, feirante e freguês, frutas e hortaliças, legumes e carnes, atravessam a rápida manhã entre negociatas, reclamações, risos e um “fica com Deus”, ou a sua variante ótica “vai com Deus”, com a sensação de que ambos estão felizes com o fim do “escambo” monetário.

Sigo feliz e saltitante com ela. Desbravando ruas e vielas da velha Atalaia. Quando, incomodada com o meu lamber de lábios, ela me interpela: “Amor, você não vai comprar uma cervejinha?”. Fiquei assustado, mas não me fiz de rogado e respondi de pronto: “Vou sim, meu Amor! Tem um depósito de bebidas bem pertinho da nossa casa que já vende geladinha. No ponto!”. Nós iríamos ao churrasco natalício de Márcia, querida madrinha e, portanto, querida amiga, e achamos melhor comprar algumas latinhas para garantir o meu banho hepático semanal. Foi quando se deu o inesperado no bem-fadado depósito!

“Bom dia!”, cumprimento a senhora mecanicamente. “Bom dia!”, respondeu a minha interlocutora. “A senhora pode me informar o valor da Brahma? A Skol é vinte e três reais, já vi!”. Ela: “Essa Brahma aí é vinte nove reais! É sem álcool! Num tem graça não! Agora a que deixa o povo todo sorrindo de nuca a nuca é essa vermelha. Ela deve ter uns pedacinhos de cachaça na lata. Bem geladinha é boa demais! O senhor gosta?”.  Naquele momento a minha vontade era saber o valor, pagar e voltar pra casa, porém, essa beleza de pessoa me conquistou. Então me disse o valor do pacote com uma dúzia e continuou proseando: “O senhor não é daqui não? Tem um sotaque bonito”. Respondi: “Sou não! Sou de Guarabira, Paraíba. Já ouviu falar? Também morei muito tempo em Natal, Rio Grande do Norte”. Na bucha, ela me disse: “Natal eu já ouvi: terra dos Santos Reis! Mas essa tal de Guarabira na Paraíba, nunca não!”. Falei: “Pois a senhora é a primeira pessoa que não conhece essa cidade. Ela é sagrada. Tem a estátua de Frei Damião e também é conhecida pela incidência de óvnis”. Passaram alguns segundos e… “Lembrei, meu filho! Essa cidade só escutei uma única vez na rima de um menestrel desses que andavam pelas vísceras do nordeste. O camarada disse, numa mentira deslavada, que foi nesse canto que ele comeu mocotó de traíra. Já se viu peixe com mocotó?! Não aguentei e pipoquei no mei do mundo com minha irmã mais velha que gostava dessas asneiras rimadas. Nem ela acreditou!” E o riso correu frouxo no depósito. Parecia até que o Cristo tinha saído da cruz e cagoetado bispo, pastor, padre…! Naquele instante entrou um elemento franzino, ressacado e de cara fechada. Caminhou mais um pouco e parou todo espichado. Pescoço, braços e pernas estirados. Parecia que o condenado havia sido empalado e ali necessitava de socorro urgente. Disse o calango: “Bom dia! Se a latinha ainda for dois e cinquenta, eu quero duas, das Dores! Uma agora e outra depois!”. E sapecou a cédula de cinco reais no balcão. Ficamos em silêncio e a minha interlocutora deu preferência ao calango elétrico e, só em seguida, me confidenciou: “Esse é Ivan, o terrível! Ficou assim de tanto beber vodca. Ele acreditava que era russo. Agora ele tá melhorando o juízo, já sabe que é corno!”. Mais uma gaitada! Desse vez silenciosa!

Ao sair em direção ao carro, Ivan me olha profundamente e eu, assustado, não tenho outra saída que não seja a saudação, digo: “Aproveite o sábado de Zé Pereira, amigo. E viva a mãe Rússia!”. Ele levantou o queixo e gritou: “Viva! Se quiser conhecer a Rússia, assista ‘O lago dos cisnes’ de Tchaikovsky. É sublime, meu amigo!” E assim terminou meu atendimento.

Já em casa, de volta ao nosso quarto, encontro todo o aparato de páginas e mais páginas pedindo o toque carinhoso dos dedos e dos olhos. Conceitos e mais conceitos, pavimentando as vias do intelecto com a intenção de patrocinar a imaginação. E o estalo mágico da criação, equiparando o artífice literário a Deus. Não digo o Deus ético e gracioso que encontramos nas janelas das gentes, mas, sim, o da pós-verdade!

 

Ítalo de Melo Ramalho

8.III.2017

Crônica

Publicado 18 de fevereiro de 2017 por Ítalo de Melo Ramalho
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CRÔNICA: O frio no miolo do osso

 

Para Christina Bielinski Ramalho

 

Ato I: Manhã. O sol rasga a veste dos meus olhos. De súbito, encontro-me de pé a observar o barulho baixo e fino que vem do mundo aquariano de Aracaju. O barulho, que pela falta em si, faz muito mais eco pela ausência do que pela existência. O silêncio retilíneo risca em linha uniforme aquilo que poderia medir espaço, velocidade e temperatura externa ao corpo e interna à atmosfera.

 

Ato II: Manhã. As pálpebras dilaceradas por polegares e indicadores esculpem, pintam e reproduzem o primitivismo do corpo, além da série ordenada em fotografias da película “Ilha da fantasia”.  A teologia aqui dada é representada pelo que consome em labaredas aquilo que toma de ardência o espólio noturno da realidade. Assalta o chão da matéria homem e, num ato puramente alquímico, rompe o limite do asilo inviolável do palácio da vida.

 

Ato III: Manhã. O rubor se estende por todo o circo. Piruetas, malabares, ilusionismos… o balé dos artistas é a fonte que jorra e alimenta com leite a criança taciturna que se inaugura quotidianamente. A reprodução dos passos e saltos institui uma nomenclatura particular aos acrobatas da alcova circense.

 

Ato IV: Manhã. Segue o espetáculo espionado pelo rei. Ele, que burlou a vigilância dos atores, se pôs como espectador privilegiado do desenrolar das cenas: emaranhado de braços e abraços; mãos e nucas; pernas e lábios; línguas e pés; e boca na boca. Ele, que se arroga de ser a luz máxima dos campos de Gaia, resolveu, num ato solene e de respeito, fechar o cortinado e resguardar-se dos segredos alheios antes do frio que dá no miolo do osso.

 

Ítalo de Melo Ramalho

18.II.2017

12h19min.

Sobre quarentenas e aquarelas ou uma tarde vestida de cor

Publicado 20 de outubro de 2016 por Ítalo de Melo Ramalho
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SOBRE QUARENTENAS E AQUARELAS ou UMA TARDE/NOITE VESTIDA DE COR.

Quarenta dias e um oceano no meio. Tanto de tempo e tanto de espaço a separar esse amor-ímã que demorou uma década até a explosão… E agora… Quarenta! Hão de ser fortes os corações do Catingueira e da Brucha para converter “uatizape” e “messengem” em bálsamo para a saudade doida e doída que virá? O que reserva o crepuscular trigésimo dia e a trigésima noite a essa “dupla de dois” que, de positivo em positivo, de negativo em negativo, se empenha no corte, recorte, montagem, desmontagem e remontagem dessa película afetiva? Pois bem! E foi assim que o pincel bordou:
Brucha:

Seu rosto
hoje
é tatuagem
e espelho.
Tatuagem
na carne que me veste;
espelho
no limite interno
do olhar
que aprendeu o gosto
de amar.

Catingueira:

Seu verbo salta ligeiro
Que nem maracajá.
É tatuagem no espelho
E no escuro refletirá.
Se transforma em repentista
Grande alma, grande artista,
Borda versos pra trovar.

 

E veio! Não restavam questionamentos! O equinócio das horas chegou em tempo real! Apesar das cinco horas de fuso horário, não houve impedimentos que saciassem o voraz desejo do encontro sobre o mar tenebroso (Oceano Atlântico) e tudo se converteu em palavras, imagens e voz, que, no enfrentamento da contagem longamente regressiva, afirmava, gesto a gesto, a permanência do que se inaugura eterno.

Ele, generoso como sempre, aderiu ao fuso horário dela e passou a dar bom dia às duas da manhã e às quatro ouvir as novidades da sua Brucha. Ela, dengosa como sempre, enviando rumas de carinho, apaixonada pela promessa de barba que em barbudo se fez.

E da quarentena nasceu uma aquarela! Cinco horas de um repente engraçado! Cinco horas de uma peleja matizada pelo sonoro ponteio afiado e afinado no diapasão coronário. Ela postando montagens fotográficas de um lado, ele, de outro, respondendo com poemas. Amor convertido em improviso. Gestos côncavos e convexos inserindo mais uma experiência única nessa história lúdica e lúcida.

E a aquarela foi ganhando cores e quando à Brucha parecia que para o Catingueira difícil seria fazer saltarem mais palavras, ela perguntava: “Posso mandar outra?” E a resposta: “Arrocha!”. E nessa fábula de traços verídicos que se desenhava, o espantoso foi encontrar cores para alimentar o fulgor criativo da Brucha e do Catingueira. Era improvável que naquele momento de incisão, cirurgiões como Picasso, Monet, Matisse… viessem estancar o minadouro que confluía esse rio ao célebre Rio São Francisco. Inimaginável!

Quatorze variações. Cores tingindo esse amor cheio de amores. E o tempo da quarentena perdeu-se no infinito que só as horas bonitas têm! Entre publicáveis e não publicáveis, dada a criatura desse ser Moreno de muitas sedes, os poemas do Catingueira pintaram para a Brucha um quadro de palavras mágicas enfeitado por versos como:

Cor da ferrugem e do ouro
Do jerimum e do sol.
Mistura de mito e de touro
Toque de Midas no arrebol.
Sumo de laranja-lima
Vou casar com essa menina
Uma mulher vestida de Sol.

Por outro lado, a Brucha caprichava nos fotopoemas nos quais a imagem congelava a magia plantada em vias de semeadura. Ao mesmo instante, a danada imprimia movimentos para um novo semear. Para muitos a colheita pode tardar ou até mesmo não ser possível! Não adianta preparar o solo, ter boa semente, abundância líquida-mineral, matriz animal… não adianta! Senão tiver o toque da retina, a planta não fala com a gente.

E assim se deu a peleja. Entre imagens e versos, entre ponteiros e saudade, essa quarentena logo será história. Mas a memória que deixa faz a saudade ter valido a pena.

Segue as aquarelas:

Ela:

Azul

Saudade azul

de olhos morenos

atravessando o mar

azul é a cor de te amar

Ele:

Vestuta feiticeira!
Brucha da alquimia!
Gata não berra, mia,
À luz da bulandeira.
Seu jeito tem encanto
Meu regaço, meu recanto,
A trincheirar dia a dia.

Ela:

Vermelho
Em vermelho

ponteiros me voam

no desejo de te amar.

Ele:

Azul é a cor da alegria!
O vermelho é da guerra!
Sangue vencido na terra
De céu se revestia.
Se os ponteiros alados
Adiantam o atrasado
Tempo que a coruja pia.

Ela:
Branco
Tenho um sonho branco

de te navegar.

Ele:

Gato berra, bode mia,
Boi ladra, cachorro pia.
Porco relincha, pombo fala,
Macaco desenha e burro cala.
No alfabeto dos bichos,
Não vejo nenhum fuxico,
Que não me faça te amar!

Ela:
Preto e branco
Em preto e branco

bem colorido

sabemos  amar.

Ele:

Se uma cor é singular,
Duas em diante é plural.
Três cores são uma festa,
Quatro cromos mineral.
Cinco tamanhos de universo,
Seis rimas em prosa e verso,
Sete luzes no pragal.

Ela:
Verde
Em vários tons

de verde esta sede

de te beijar.

Ele:

Um risco solto no ar,
Duas linhas paralelas;
Três verdes de te beijar,
Quatro sedes de beber;
Cinco desejos tomados,
Seis cálices sagrados
Da Mulher que vou sorver.

Ela:
Preto
Um amor preto

pleno até na ausência.

Ele:

Ausência demais é preto.
Brilho demais encandeia.
Preto demais enoitece.
Brilho demais enfeia.
Galega no ponto certinho.
Moreno bem coradinho,
Amor de vazante e de cheia.

Ela:
Cinza
Ainda nas horas

das cinzas,

as mesmas cores em nós.

Ele:

Os nós que atam laços,
Também atam as cores.
Cinza do chumbo e do aço,
Lembranças de dissabores.
Saudade do tempo futuro,
Erguida casa sem muro,
Chão dos nossos amores.

Ela:
Laranja
Um amor que esbanja

laranja

em cor e sumo.

Ele:

Cor da ferrugem e do ouro
Do jerimum e do sol.
Mistura de mito e de touro
Toque de Midas no arrebol.
Sumo de laranja-lima
Vou casar com essa menina
Uma mulher vestida de Sol.

Ela:
Roxo/lilás
Nessas brincadeiras que o amor faz,

nos amamos do roxo ao lilás!

Ele:

Cor da estola cristã,
Vestida na cúria romana.
Talvez sem carne, pagã!
Olho do pus que emana.
Fora dessa ratoeira
Construímos brincadeiras
De manhã para manhã.

Ela:
Amarelo
Na luz

de nosso elo

nos amamos

em amarelo.

Ele:

Se juntarmos uma a outra
Cada argola faz um elo.
Prata fundida na pira
Desenho, forma de anelo.
Fogo desmancha saudade.
Saudade ganha liberdade
Que sentimento singelo!

Ela:
Pele
Em nosso contraste de peles,

as cores que o desejo escreve.

Ele:

Menina ouro-azul
Do couro rijo e rosado.
Viço de flor juvenil
Doce de fruta flambado.
Quando penso em tua pele
Minha Vida estremece
Fico sem chão e corado.

Ela:
Listras
Num mundo feito de listras,

nosso amor desenha conquistas.

Ele:

Cromo tempo da Vida
Que Cronos não alcançou.
Contraste de cor esquecida,
Que futigado salvou.
Hora sem tempo final
Desenha romance real
Vida por sobre Vida!

Listras daqui e d’acolá.
Listras em tons escuro
Num castelo sem muro
Listra para contrastar.
Listra de malabarista
Equilibra a conquista
Dos malabares a fiar.

Ela:

Rubro-negro
Urubu, dragão, elefante…

Nosso amor tem conquista constante.

Ele:

Duas camisas distintas:
Eu sou ABC, Ela é Confiança.
Encontramos semelhança
Quando rubro-negro pinta.
A tinta escorre na cidade,
Finta também a saudade
A tempo de ser extinta.

Ela:
Paleta
Na paleta do nosso amor

universo infinito de cores.

Ele:

Paleta pode ser cama,
Cama pode ser vida,
Vida pode ser amor,
Carne, mas sem ferida.
Saudade sem esperança
Não quero, sem confiança!
Morte na vida da Vida!

 

Texto escrito por Christina e Ítalo Ramalho. 

20.X.2016

Marta saudando o Grêmio Recreativo Pombo Sujo

Publicado 22 de dezembro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Sem categoria

É O FRACO! Apenas para avisar: Já não bastasse termos em nosso elenco de CANALHAS o melhor violonista José Augusto Costa Júnior, temos também a melhor jogadora de futebol do mundo! Marta também é do GRÊMIO RECREATIVO POMBO SUJO! Orgulhem-se meus caros irmãos e irmãs! Kkkkkkkkkk… A sinantropia encontra-se em fervoroso êxtase! Atestem aí! Kkkkkkkkk…

Pelé 97 gols, Marta mais de 100: Messi e Cristiano Ronaldo, respectivamente possuem 4 e 3 bolas de ouro, Martinha 5 bolinhas de ouro. Nenhum dos supra citados possuem algum vínculo com o Grêmio Recreativo Pombo Sujo, Marta é a encarnação da sinantropia mundial. Kkkkkkkkkkk… Sem falar que a inscrição do grego Savas, já foi homologado em diário oficial.

Marta, a extraterrestre! Ítalo, o fenômeno! Savas, o grego! E Esdras Fonseca Ramos, o papagaio! Kkkkkkkkkkk… Ficou massa demais! Essa menina é mundialmente conhecida. Poderia ter todos os receios para não fazer esse vídeo. Não só fez, como ainda brincou com o nosso sodalício. Exemplo de simpatia! De hoje em diante, o Grêmio Recreativo Pombo Sujo, talhou seu nome no mármore do mundo! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… É O FRACO!

 

Confraternização Sinantrópica, 2015

Publicado 22 de dezembro de 2015 por Ítalo de Melo Ramalho
Categorias: Fuleiragem

Transformar em palavras sentimentos, é por demais sacrificante para quem não domina à língua portuguesa e, como não bastasse, ter um reduzido teor vocabular. Mas tudo bem! Vamos em frente! Sábado último, foi realizado a segunda Confraternização do Grêmio Recreativo Pombo Sujo, no simpático e acolhedor Bar Stillo Sampa, no conjunto de Ponta Negra. Por toda a reunião, pairou o espírito da fraternidade e do respeito. Apenas, em algumas poucas ocasiões, o festival de caninagens emergiu na figura de um ou outro agremiado/a. Casos isolados! Kkkkkkk… Às lentes do agremiado Galego Júlio, captaram perfeitamente o primeiro momento da “inacabável” reunião. Vários momentos com vários confrades, garantiram a pluralidade de opiniões o que também garantiu o equilíbrio em e de todas as formas.

 

Caríssimos e Caríssimas, foi ESPETACULAR o convívio mais profundo com uma parte representativa desse inebriante sodalício sinantrópico. Sei que nas próximas reuniões (como sempre regadas a muita cerveja e cigarros), outros agremiados/as, que por motivos torpe ou motivos que assegurem a sua continuação no Grêmio, irão participar, diretamente, dessas reuniões dedicadas aos deuses Dionísio e Afrodite. Espero também encontrar novos agremiados/as. Obviamente que não sem antes, devassar a vida do fulano ou da fulana, e reparar em seu histórico pregresso se a sua conduta lhe permite receber o honroso manto sinantrópico.

 

Quero agradecer profundamente a Todos e Todas que acreditaram e aceitaram sonhar comigo.  O nosso Grêmio já fez e continuará fazendo história. Não da maneira que conhecemos, história rasa e outorgada pelo Estado ou empresas midiáticas ou as duas. Não! Fará sim, de forma que tatuará com ferro a víscera pulsante de cada agremiado, ferindo-o, indelevelmente, e o chagando de Esperança, Fé e Caridade.

 

Abraços, magote de Pombos Sujos! O NOSSO GRÊMIO É FODA! Kkkkkkkkkkkkkkk…

 

Taurus Caprus Catingueira.